🩵 avery cochrane 🩵
Peter Solarz

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You'll be calling a trick, cause you'll no longer sleep I'll dress nice, I'll look good, I'll go dancing alone I will laugh, I'll get drunk, I'll take somebody home
I think I've finally had enough I think I maybe think too much I think this might be it for us (blow me one last kiss)
Prison.
Era a noite das meninas, haviam ido todas juntas ao Zanzibar e Minka estava feliz pela apresentação ter lotado e ainda ter visto Maddox por lá. A alemã agora estava na pequena varanda do apartamento de Lilith, quatro das meninas estavam sentadas sobre o carpete da sala quando a anfitriã veio com um tabuleiro. A princípio a recepcionista tentou ignorar, o cilindro de maconha ainda aceso foi passado para si novamente e ela puxou algumas vezes, fechando os olhos e curtindo a prisão da tragada ainda na garganta e a marola ao redor. Os olhos avermelhadinhos alteravam sua percepção do mundo e aquela leveza do corpo indicava que a qualquer momento ela poderia sair voando por aí.
“Sabem aquele filme?”, a falsa ruiva citou empolgada enquanto as outras já com os dedos diziam as frases de invocação de presença. O indicador começou a se mover pela tábua ouija, e Minka olhou desconfiada para dentro. “Foi um filme bem ruim.” Alisson quem falou, dando uma golada no martini que passou para Minka, esta que tragou mais uma vez e devolveu a pontinha do beck que tinham dividido ali. Zorn após sorver de um gole da bebida, deu a última tragada e dispensou ao infinito e além aquela pontinha que já queimava a o dedo. “Hadrian, e o que quer conosco?” Puxaram a atenção da alemã. — Isso não tem graça. — Minka disse da porta de vidro, viu o rodar de olhos e sabia que para elas era apenas uma brincadeira, mas a alemã acreditava.
“Qual é, Minnie, você sabe que essas coisas não existem. A sua crença altera um pouco a sua percepção de realidade, é só.” Minka desencostou da grade de proteção e já entrou na sala pegando sua bolsa. As meninas se alarmaram, porque não queriam ofender a garota ao mencionar o nome do avô paterno dela. — Se não acreditam, por que brincam? — Apontou para o tabuleiro. Lilith suspirou cansada. “Tudo bem, deixa essa bolsa aí... eu vou guardar.” — NÃO TI... — Tarde demais, as mãos foram tiradas do tabuleiro, as amigas riram enquanto Minka estreitou o olhar. — Eu preciso mesmo ir.
Ignorou a insistência e as piadas, saindo do apartamento e descendo as escadas, o lugar não tinha mais do que quatro andares, mas a amiga morava no último. O elevador era velho e sempre estava desligado após as onze, até as cinco da manhã para economizarem. Minka ciente disso desceu os degraus as pressas, o segundo lance de escadas lhe fez travar os passos, a luz amarelada piscava diversas vezes deixando o ambiente mais assustador do que realmente era. — Para com isso, chega.... — Falou consigo, não tinha nada ali, fora só uma brincadeira besta de suas amigas. Mesmo que um mantra de que estava tudo bem ficasse se repetindo em sua cabeça, ela correu os degraus até o corredor do térreo, empurrou a porta com força e atravessou o halll correndo. “Está bem, menina?” O senhor que estava passando pelo portão perguntou ao que ela quase o derrubou para sair dali.
Olhava a procura de um táxi, mas em Crosby era difícil achar um pelas ruas.
Apertou a alça de tecido de sua bolsa enquanto olhava para as botas de salto, o som parecia ecoar pela rua vazia. Ele não pode mais te machucar, ele está morto agora e você está bem, você está segura. Repetia enquanto olhava para trás, o coração batia tão rápido que o termo “sair pela boca” começava a a fazer algum sentido.
Parou em um farol ao ter um carro passando, os meninos pareciam ouvir alguma música black enquanto ostentavam uma garrafa pelo lado de fora e assoviaram para a menina a chamando pra dentro do carro. Minka apenas ignorou, vendo o carro seguir o rumo e a rua voltar a ficar vazia. Entretanto, foi nesse momento que o a gélido passou a tocar sua nuca, ela fechou os olhos ainda sem se mover e as rajadas continuavam devagar como se pausadas por uma respiração lenta.
— Me deixa em paz. — Pediu com a voz trêmula, os olhos se abrindo e a falta de coragem a impedindo de olhar para trás, Minka tentou virar pouco do rosto quando aquela sombra escura a suas costas a fez soltar um ofego de medo. “Pode me dar licença?” O homem falou, carregando sua bolsa de pesca pela madrugada. Ela abriu espaço e ele passou por si. “Que mulher louca”. O ouviu dizer.
— Me desculpa. — Disse sem graça, era tudo da sua cabeça. Atravessou a rua em passos rápidos finalmente, a caminhada de vinte minutos foi reduzida a doze e ela estava ofegante, a mão sendo enfiada dentro da bolsa enquanto ela vasculhava a procura do chaveiro extravagante, abriu o portão e apenas o bateu, subindo a escada correndo e entrando em sua casa. Trancou a porta e se jogou no sofazinho ali do hall, as lágrimas correram pelo seu rosto e ela olhou para a porta, o chão tremeu, mas era apenas o trem passando a três metros de sua casa.
Olhou para a foto na estante de livros acoplada ao assento em que estava e sorriu, o avô materno abraçado a ela com aquele sorriso imenso e as varas de pesca. Ela tocou o vidro da fotografia e riu de si mesma, “tem que ter medo dos vivos”, era o que seu avô dizia. — É, chega de bebidas para mim hoje. — Riu sem graça, que papel bobo havia se prestado. — Brisa torta. — Murmurou e se levantou, indo para a cozinha porque a larica estava forte.
O salto contra o piso, foi a única coisa que a protegeu de ouvir o trincar do seu quadro, exatamente sobre o seu rosto.
I miss you.
Give me.
Mamãe vai ter saudade </3
This is us; & Chris.
_É? -O rapaz arqueou ambas as sobrancelhas, o riso saiu soprado junto com aquele menar de cabeça e um último gole na bebida, que já chegava em seu fim. _Vou me certificar de te conhecer então, talvez eu tenha uma opinião diferente sobre ser uma ótima pessoa. -Tentou soar crítico, numa provocação de leve, ainda que no seguindo seguinte umedecesse os lábios para disfarçar a vontade de sorrir com a fala alheia, Chris estendeu o braço até o chapéu, o pegando de volta e o ajeitando sobre a sua cabeça novamente.
Torceu levemente o nariz com a confusão que ela fazia, mas não a apressou ou algo do tipo, claro, o loiro já tinha uma breve impressão de que ela poderia estar desacostumada com aquilo e isso incrivelmente lhe fazia querer rir baixo, porém não o fez. _Só? Então você nunca flertou cara a cara ou se pegou com as pessoas pelos cantos por aí? -Arqueou a sobrancelha ao que apoiou o rosto sobre a mão, as palavras sendo totalmente calculadas assim como o tom sério, enquanto mantinha aquele olhar fixo sobre o dela, talvez, só talvez na real intenção de deixá-la desconcertada, e esperava que aquilo funcionasse. Em seguida, meneou a cabeça em negação, voltando a posição inicial ao rir baixo. _Nah, mais algumas não vão fazer mal, fique a vontade. -Disse simples, seu lado observador não pode deixar de perceber os detalhes nas feições alheias, que em sua opinião, eram adoráveis. Não disse nada, com certeza ele iria acabar esquecendo, então era melhor pegar anotado, não queria correr tal risco.
Sua atenção seguiu a direção dela quase que automaticamente, estava admirado ainda que não tivesse feito nenhum comentário, mas não pode deixar de rir alto com a carranca de a garota recebeu em resposta, Chris se afastou do balcão e ainda rindo, pousou a mão sobre o ombro de Minka. _Que feio, Minka desejar o homem alheio… Eu achei que você fosse uma ótima pessoa… Tsc tsc. -Murmurou num falso tom de repreensão, ainda que a própria risada não cessasse, apontou discretamente para próximo do palco e seu copo fora deixado em cima da mesa ao que tentava manter a postura aos poucos, a mão desceu até as cintura da garota, mantendo o leve aperto ali enquanto se encaminhavam devagar para aquela direção. _Claro claro… Eu estou acreditando em você, mas ó, vamos arranjar um lugar legal para o show, lá na frente vamos poder observar melhor e você não vai correr o risco de sair mal na fita.
Ela o olhou de forma quase ofendida, e até abriu a boca como quem está impressionada e prestes a questionar. Mas podia guiar aquilo pra algo bom também e resolveu fazer isso ao invés de interpretar de forma negativa. — Não se esqueça de me contar o resultado. — Piscou e abaixou pouco da cabeça para facilitar o acesso dele, era possível que ela tivesse esquecido do acessório ali, pra ser sincera.
Aquela sensação dele estar avaliando suas palavras lhe deixava levemente constrangida, mas quando ele falou finalmente ela se deu conta da real vergonha. As bochechas se tornaram quentes, mas ela torcia para que as luzes do ambiente não deixassem isso ser notado. — Só. E não, eu não fiz isso. — Não tinha problema algum em falar sobre sua inexperiência, mas Chris estava conseguindo fazer aquilo parecer algo muito anormal. Ela queria rir de alguma forma ou de outra, talvez liberação de pânico. — O que é? — Subiu o tom, e o divertimento nas palavras. Chegando a dar um empurrãozinho no ombro dele com a mão ao desviar o olhar e fugir do interrogatório. Por sorte ainda tinha a bebida e concordou mentalmente com o que ele disse quando aproveitou para beber um gole generoso.
— E eu sou. — Ela assumiu o controle da situação, passando a língua nos lábios e assumindo uma personalidade mais confiante, uma olhadinha de lado para soar perigosa ou fatal. — Mas gosto do perigo. — Péssima interpretação, não estava falando sério realmente. Só queria se divertir e até aquilo era razão para ela rir baixo. Concordou com a direção, e terminou a bebida, soltando o copo lá somente quando ele já estava a levando para perto do palco. Não achou ruim, seguiu junto com ele e então concordou. — Eu poderia ficar bêbada com você. — Comentou porque o pensamento lhe escapou sem que ela notasse. Olhou pra ele de lado e então deu de ombros, já que tinha começado iria terminar. — Não parece o tipo que vai se irritar ou me deixar para trás. — Chegaram ao ponto que ele queria, mas a limitação de espaço ali era bem maior e consequentemente, ela ficou virada para o palco já controlando um pouco de ansiedade.
Não sei se ligo, se digo, se espero, se fujo, se corro, se fico.
Conversas com a Lua (via re-escritas)