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You hold it, in your hands and let it flow, this cruelty - S. Vector and A. Dolohov - Dueling Club (small para)
dolohov-a:
Aquilo era tudo uma piada. Os alunos em volta já se dispersavam, voltando para as próprias atividades, uma vez que Antonin não estava fazendo o duelo interessante como poderia, e nem pretendia fazê-lo. Ele tinha falhas morais e não eram poucas. Mas aquilo? Duelar com uma garota? Machucar Mafalda no ano anterior, no silêncio da floresta, tinha sido divertido, mais do que divertido, e tinha sido por isso que Antonin o fez. Mas duelar com Septima não tinha nada de divertido. Antonin não sabia muito bem qual era a diferença entre as duas, mas pensaria nisso mais tarde. Naquele momento, tudo que ele faria seria desviar de Septima até cansá-la, e não estava sendo muito difícil. Pelo menos não a primeira parte, já a segunda, ia vagarosamente, porque ela parecia decidida a arrancar uma luta de Antonin.
A estuporada de Septima não o pegou de surpresa. Ele moveu-se o suficiente para atingí-lo apenas de um lado, mas Antonin tinha que admitir que a garota era boa em feitiços, afinal, ele tinha quase perdido o equilíbrio. Sendo alguém que se divertia sinceramente com a dor que poderia causar nos outros, ele não exatamente estava surpreso com a agressividade de Septima. Havia uma lady ali em algum lugar, mas com certeza não queria se mostrar no momento - Let’s call it off - Antonin manteve sua varinha em posição, enquanto sugeria que os dois parassem o duelo - It’s going to be better, for both of us - For you, ele diria, mas não seria de bom tom.
Era até comum Septima receber indagações surpresas da sua capacidade de permanecer uma grande parte do tempo mal humorada. Na verdade ela nunca soube o motivo, embora nunca o fizera com algum intuito de que alguém reparasse. A morena era apenas o que era e sempre achara desnecessário procurar agradar outras pessoas. Nunca entendeu bem essa coisa de viver em função dos outros. Septima era assim, mal humorada e competitiva desde que se entendera por gente, e não tinha muita vontade de mudar isso, para ser honesta. Entretanto maior do que seu grau de competitividade era se sentir subestimada. Afinal não era pior do que ninguém ali só por usar calcinhas, afinal. Em outra ocasião se tivesse sentido o mínimo de interesse do Slytherin naquele duelo já findaria quando se sentisse demasiadamente cansada, ou alguém ali perdesse. Obviamente ela era uma péssima perdedora, porém ver que o oponente nem se dignificava a fazer alguma coisa para deixar o embate mais interessante parecia mil vezes pior. O comentário de Antonin foi suficiente para que a garota que levara a ponta da varinha até a cabeça, coçando-a por alguns segundos apenas assentisse negativamente. Seu olhar parecia ainda mais astuto e nervoso do que de costume. Estreitou por alguns instantes, levando uma das mãos impacientes até a cintura revirando os olhos deliberadamente. - Are you kidding me? - Septima esperava alguma reação que não envolvesse desviar dos próprios feitiços ou ignorá-los. Apontou a varinha diretamente para o rapaz, levou o olhar aos pés do mesmo, analisando qual lado o corpo do jovem se desviaria agora. Nitidamente mirando na direção em que Antonin se encontrava, curvando ligeiramente a ponta da varinha, esperando que no desviar o mesmo fosse atingido. - Stunning! - Falou em um tom nem alto nem baixo. Esperando que finalmente o rapaz fizesse alguma coisa, pois aquilo já estava entediando-a e Septima odiava sentir-se entediada.
And nothing’s wrong when nothing’s true - Veckinnon [Flashback]
marlusmckinnon:
Os gêmeos Mckinnon possuíam tantas características em comum que colegas de casa ficavam impressionados com a semelhança. Marlene mais comunicativa e com número maior de amigos, era transformada em base das características, sobrando para o rapaz ser comparado com a irmã. Não era algo que se importava, de todo modo. Era ligeiramente irritante, no entanto, que usassem a desculpa de não vê-lo como uma opção sexual pela lembrança de sua irmã. Contudo, ignorava as alfinetas que vinham, geralmente, daquelas que possuíam mais intimidade no campo das amizades. Marlus não continha suas cantadas com suas amigas, Abigail Gallagher e Yvaine Montgomery, mesmo que não as visse de forma atrativa, pois era sua forma de implicar com as mesmas. E uma das características que os gêmeos possuíam em comum era o seu tipo de gosto pelo estudo. Ou a falta dele. Não faziam os típicos estudiosos, costumavam deixar suas responsabilidades para os últimos minutos, mais precisamente o dia anterior. Estudar para provas somente com as mesmas próximas, uma ou duas semanas de antecedência. Não via necessidade em se empenhar mais do que o necessário, no caso de Marlus, se passasse muito tempo estudando uma mesma matéria, era capaz de estressá-lo e perder todas as informações que havia se empenhado a conseguir. Marlus ainda contava com a vantagem de ser extremamente habilidoso com feitiços. Matérias com teor prático eram as mais fáceis de memorizar e aprender.
Possuía empenho e gosto por aprender feitiços novos, independente de sua natureza originária. No entanto, evitava compartilhar com as pessoas mais próximas do seu círculo de relacionamento que possuía curiosidade de desenvolver habilidades para feitiços voltados para azarações e magia negra. Não que ele compactuasse com o significado originário, contudo, apreciava o poder emanado e a precisão de seus efeitos. Para Marlus, fins poderiam justificar os meios. Ele não era tolo de deixar passar despercebido o que vinha acontecendo no mundo bruxo. Com sua família pertencendo ao grupo seleto de sangue puro, era fácil chegarem aos seus ouvidos sussurros e boatos sobre a tal aclamada revolução. Marlus compreendia que usariam todo tipo de poder disponível em seus favores, porque não eles também? Não tinha espírito guerreiro heroico como a maioria dos seus colegas de casa, não possuía quaisquer intenções de lutar por um mundo melhor, caso as circunstâncias o levassem a esse ponto de escolha. Queria aprender tais feitiços como defesa pessoal. Admitia internamente, entretanto, que gostava de sentir poderes maiores em mãos e como era habilidoso, desejando desenvolver ainda mais suas habilidades.
Para tais estudos, Marlus buscava o conforto da biblioteca. Quem esperaria encontrar o rapaz no ambiente? Dignava-se a passar algum tempo no lugar para que evitassem o ver estudando tais feitiços, não por vergonha, mas para não precisar escutar repreensões. Havia descoberto uma mesa que ficava vazia praticamente o dia todo, a única pertencente a sessão dos Estudos dos Trouxas. Era o lugar perfeito para alguém passar despercebido. Exceto, que naquele dia alguém havia tido a mesma ideia do rapaz. Se sua memória não lhe falhava, era Septima Vector da Corvinal. Pelos comentários a respeito da mesma, era compreensível que houvesse pego o lugar. Considerou buscar outra mesa, contudo cruzou sua mente que provavelmente a ravina não lhe perturbaria e possivelmente seria uma companhia melhor do que as possíveis possibilidades disponíveis. Marlus caminhou com o livro de capa dura escolhido do dia debaixo de seu braço, puxou uma cadeira para sentar-se e outra para esticar suas pernas, de modo que se sentou displicente. Ergueu o olhar para encarar sua companheira de mesa, dando um pequeno sorriso de lado, como se lhe falasse que não estava preocupado com sua reação e voltou sua atenção para o livro, agora já aberto em suas mãos.
Septima apreciava o silêncio como um velho amigo, um companheiro que nunca parecia ser inconveniente. A ravenclaw nunca fora exatamente o tipo de garota que dedicara seu tempo a procurar uma forma de socializar mais com os colegas de escola. Pra falar a verdade, não via muita necessidade disso, as pessoas que havia se aproximado fora justamente porque sentia-se bem por fazê-lo, não por conveniência ou algo do tipo. Honestamente, a garota nunca fizera muita questão de parecer simpática só por parecer. Se tinha uma coisa que Septima Vector poderia ser adjetivada era de transparente. Nunca escondera seu desgosto de alguns colegas, talvez por isso estava distante de ser popular, ou ser o tipo de pessoa que os demais gostavam de conversar. Aquilo não era exatamente algo que incomodava-a, para falar a verdade gostava de manter as coisas assim, pois podia economizar as alfinetadas, em vista de que não se importava em ser legal com os outros apenas porque era o que deveria fazer. Nunca entendera muito bem a necessidade que as pessoas tinham por ser popular ou por ser esforçarem para serem queridas, essas coisas quando forjadas pareciam durar tanto tempo. Bem, se fosse para ter uma relação pacífica que fosse como era, e estranhamente seus amigos mais próximos pareciam ter se acostumado com esse comportamento arredio, ou pelo menos relevar os momentos da garota, que aquela altura, dedicava toda sua atenção ao estudos. O que para Septima, era o fato de existir a escola, não queria ser agraciada com a benção da ignorância, como parecia querer os demais colegas. Gostava dos cantos mais afastados da biblioteca, poderia estudar sem ser incomodada. Quer dizer, isso na teoria, quando alguém não costumava pedir para dividir a mesa. Não se importava se a pessoa não lhe atrapalhasse, ou se tivesse o mínimo de educação de pedi. O que não acontecera no dia em questão. Septima mantinha a atenção em seus estudos, segura os livros e passava os olhos claros nas linhas do mesmo. Sentia-se muito compenetrada no que lia a ponto de quase não perceber que alguém compartilhara do mesmo espaço. Não tardou até levantar os olhos sobre as páginas do mesmo. Se deparando com alguém do outro lado da mesa. Arqueou ligeiramente uma das sobrancelhas em resposta ao sorriso do rapaz em questão. Não sabia o nome e sinceramente não tinha interesse em saber, só queria entender porque diabos a criatura se achou no direito de se acomodar naquela mesa. Respirou fundo, 1,2,3... Voltou o olhar para o livro entretanto estava incomodada o suficiente para se dedicar a sua leitura. Levantou novamente o olhar e se deparou com um griffyndor totalmente despreocupado em sua leitura, como se nada estivesse acontecendo. Fitou-o por alguns instantes. Era nítido que aquilo havia deixado a garota irritada, não que fosse difícil irritar Septima Vector só pra constar. Manteve o olhar fixo no colega antes de enfim se manifestar. - Não sabia que era hábito na grifinória invadir o espaço dos outros sem pedir licença. - Comentou tentando manter o tom baixo necessário para falar na biblioteca. Ainda com o rosto detrás do livro. - E caso não tenha percebido, a mesa já estava ocupada. - Definitivamente a garota estava usando todo seu estoque de paciência naquele instante. Desejou de verdade que o cara se mancasse e fosse embora, entretanto sabia que o nível de babacas por metro quadrado ali era grande o suficiente para que isso não acontecesse. Merlim hoje é o dia dos idiotas?!
Cause we are partners in crime - S. Vector & D. Rosier
daphnenotsorosier:
O dia anterior havia sido cheio e dormir oito horas estáveis de sono não haviam sido suficientes. Sábado havia começado com a promessa de diversão e descontração. Primeiramente começou diferente, afinal, tinha como companhia para compras ninguém mesmo que Emma Vanity. A própria havia feito o convite, para sua surpresa, e demonstrou ser uma ótima companhia em relação ao tópico. Ela e a sonserina pensavam de maneiras parecidas: não possuíam paciência para aturar uma multidão de garotas eufóricas pelas compras, buscavam algo sofisticado e estavam dispostas a fazerem isso o mais rápido possível, sem comprometer o resto do dia. Os planos eram que após as compras, Daphne pudesse se encontrar com Nicolai para resolverem seu problema com a autora das cartas anônimas que andava continuamente recebendo e pudessem se encontrar de novo no Três Vassouras para que pudessem se divertir bebendo um pouco, quem sabe na companhia de rapazes dispostos a cooperar com a causa? A loira não gostava de ser subjugada como mulher e categorizada como feminista, porém a confundiam como alguém que não estava disposta nem a trocar beijos para não se envolver com homens - o que era diferente. Daphne não tinha nada contra relacionamentos, portanto que fosse com alguém que lhe respeitasse. E tinha muito menos algo contra quando se tratava de trocar beijos, portanto que o rapaz não fosse um completo babaca, a história de que boca fechada compensa pelo corpo não colava muito com a ravina e em Hogwarts haviam muitos exemplos de babacas que evitava.
Tudo saiu do seu controle com as revelações feitas pela mulher no encontro que acompanhou entre ela e Nicolai. Se ela própria encontrava-se desnorteada, imagine o amigo. Perdeu qualquer vontade de diversão pós-encontro, mesmo que necessitasse mais do que antes. Preferiu servir de apoio para o rapaz, pois ele precisava de alguém naquele momento delicado e sabia o quanto o moreno confiava nela, assim como o conhecia bem o bastante para saber que provavelmente manteria aquela informação privada por algum tempo, não somente para absorver por completo como para conseguir a comprovação de sua vericidade com o pai dele. Era uma situação delicada e estava disposta a ajudá-lo, não importava as informações descobertas, Nicolai continuaria sendo o mesmo para Daphne.
Foi dificil para a garota dormir logo de começo e, por isso, acabou levantando-se tarde como atrasando toda a sua rotina no domingo que se iniciou. Passou mais um tempo na presença de Nico e acabou não vendo a hora passar, lembrando-se posteriormente que estava em cima da hora de se encontrar com Septima. Havia combinado com a mesma de tentarem trazer bebidas clandestinas para a escola. Daphne realmente estava precisando de um pouco de firewhiskey dentro de si. Correu para o dormitório para que pudesse se arrumar e encontrou Septima já sentada no salão comunal a sua espera. “Desculpa, S, eu tive um imprevisto. Sabe que não sou de atrasar. Quem tem que responder essa pergunta é você, não eu. Por algumas bebidas, quebro regras por prazer e eu estou realmente precisando.” Deixou seu incomodo transparecer por um momento, queria poder desabafar com sua melhor amiga, mas o segredo não era seu para compartilhar, teria que contentar com a tentativa de contrabandear bebidas e com a ideia de beber o líquido para lhe animar.
Septima sentia-se realmente exausta com relação ao baile só pelo fato de ter sido a única coisa que ouvira nas últimas semanas. Não aguentava mais os colegas falando sobre vestidos, pares, cabelo. Na noite anterior quase atirara almofadas nas garotas que ficaram até madrugada fazendo ajustes nos vestidos no quarto, afirmando que não poderiam ir para o salão comunal fazê-lo pois os garotos poderiam ver antes da noite especial. Todo mundo ia acabar vendo, Septima não entendia esse drama todo com relação a roupa. Havia entretanto guardado o seu próprio dentro do malão e nem sequer desembrulhado direito, para a possibilidade de comparecer ao evento. Possibilidade essa que era remota até então, embora as idéias de Daphne a haviam feito reconsiderar. Poderia passar a noite no dormitório ou até mesmo dormir, entretanto ainda sentia um apresso pelo Halloween. E aquele como sendo o último que passaria na escola (finalmente) achou que era uma boa ocasião para celebrar. Se o vestido não servisse iria de jeans, já estava dando a mínima para a regra do par mesmo. Na verdade costumava dar a mínima para a maioria das regras. Desde que fora expulsa do time de Quidditch não tinha muitos prazeres na escola, exceto talvez livros e o clube do duelos, embora este último sempre resultava em alguma detenção. Aquele como sendo o último ano parecia um alívio para a morena que já havia colecionado desavenças para o longo da vida. E embora não demonstrasse sentiria falta de algumas coisas, provavelmente uma delas era a companhia de Daphne Rosier, a amiga fora alguém que surpreendera a morena, talvez por ter esse esteriótipo da garota bonita de família tradicional, entretanto com o passar dos anos fora se mostrando a mais sensata da linhagem que tivera notícia. Septima nunca falara aquilo diretamente para a loira, mas sabia que de alguma forma a amiga tinha conhecimento. - Sabe o que eu digo, regras existem para serem quebradas. - Os passos eram lentos. Domingos eram dias que a maioria dos alunos pareciam ficar do lado de fora do castelo. A garota tentou parecer o menos suspeita possível, quando passaram pelo zelador que as olharam com uma cara de se-eu-pegar-vocês-aprontando-vai-ter-detenção. Septima era talvez um dos piores pesadelos de Filch, provavelmente por ter colecionado passeio nas suas salas nos últimos anos. Talvez fosse a pessoa mais aliviada pela sua formação afinal. - Juro que se essa noite eu não conseguir dormir novamente por causa de vestidos, amanhã vou está na detenção de novo. - Reclamou a garota cruzando os braços novamente, referia-se ao fato da noite anterior envolvendo as colegas de quarto e muito barulho para arrumar uma roupa. - Vou ver se recorro a algum feitiço silenciador se for a caso. - Concluiu enquanto passavam por algumas alunas do terceiro ano que desviaram do caminho para não toparem com as corvinas que agora desciam as escadas. - Sabe, acho que as pessoas ainda tem medo de mim, só não sei se é pelo meu humor ou se tem medo que eu lhes atire um balaço na cabeça. - Refletiu a garota ainda que pouco se importasse com a resposta. Na verdade estava cem por cento nem aí para o fato de algumas pessoas terem medo de si ou de não a suportarem, entretanto sempre gostava de relembrar do incidente do quinto ano, fora sem dúvida uma das coisas que mais a aliviaram ali, e embora aquilo culminara na sua expulsão do time, não voltaria atrás.
You hold it, in your hands and let it flow, this cruelty - S. Vector and A. Dolohov - Dueling Club (small para)
dolohov-a:
Em dois anos no clube de duelos, Antonin havia perdido uma vez (uma que ele particularmente não gostava de se lembrar). Não que ele fosse de se gabar por aí sobre sua habilidade, mas essas estatísticas haviam realmente ajudado a construir uma reputação sobre ele: Antonin era sanguinário, violento e não poupava ninguém que duelasse com ele. E fazia isso com muita classe. Esse era o propósito, afinal, de ter entrado no clube. Seu humor de teor duvidoso - como dizia Evan - precisava ser satisfeito e ele não tinha tempo de ficar sorrateiramente saindo para a floresta proibida para se divertir com Mafalda Hopkirk semanalmente (e não é do jeito que a maioria imagina). Então, escolheu o clube de duelos para relaxar em doses homeopáticas. A maioria ali havia entrado para aprender a se defender de algum tipo de mal, e Antonin sentia algo perto de pena de seus companheiros. Porque aquelas aulas não protegeriam nenhum deles de absolutamente nada. Mas ele preferia guardar aquele pensamento para si e focar em satisfazer sua quota de humor. Antonin estava terminando um segundo duelo naquela tarde, vitorioso mais uma vez. O professor não parecia nada interessado em monitorar sua aula, e seria capaz de designar qualquer um para duelar com ele… Até mesmo uma garota. Quando, ao fim de seu segundo duelo e pronto para começar o terceiro, o professor chamou Septima Vector, Antonin caminhou até ele e protestou - Não é uma boa ideia, professor - Disse em alto e bom tom, ainda que bastante polido - Duelar com uma garota.
Bom, ele já havia machucado garotas. Algumas vezes sendo mais agressivo do que o necessário entre quatro paredes, por exemplo. Ou, a melhor prova pra isso, Mafalda Hopkirk, ainda que ela não se lembrasse. Mas Antonin nunca faria aquilo numa aula de duelos. Por Merlin, ele era um cavalheiro e aquilo era uma luta. Mas o professor parecia irredutível quanto a sua indecisão, e desinteressado, mandou Antonin voltar para o centro onde aquela situação desagradável se desenrolaria. Contrariado, Antonin caminhou de volta, posicionando-se austero um pouco a frente de Septima e ergueu a varinha - Good luck, miss Vector - Respondeu, e ao sinal do professor que nem se deu ao trabalho de olhá-los, Antonin calmamente estuporou sua oponente. Com a proposital lentidão com que conjurou o feitiço, Septima poderia se defender duas, talvez três vezes até.
Existiam duas coisas que irritavam Septima ao extremo. A primeira eram pessoas de um modo geral. A segunda, e a que a irritava ainda mais, era ser subestimada pelo simples fato de ser uma garota. Sério, em pleno século XXI era comum ouvir comentários machistas por aí. E se vocês pensam que no mundo bruxo isso não acontecia, não poderiam está mais errados. Desde pequenina a morena tinha de ouvir do próprio pai o que era coisa de garoto e de garota. E por Merlim, ela não poderia ficar mais irritada. Ter de se esforçar mais para provar que poderia fazer a mesma coisa que um homem parecia a coisa mais estúpida do mundo, entretanto tinha se mostrado uma triste realidade. Naquela ocasião a colocação de Dolohov não poderia tê-la irritado mais. Duelar com uma garota. Era isso que o slytherin tinha falado: Duelar-com-uma-garota. Como se Septima fosse alguém incapaz ou algo do tipo. Aquele comentário havia sido suficiente para fazê-la revirar os olhos. Não era o tipo que aceitava ser subestimada pelo seu sexo. E aquilo parecia tirá-la ainda mais do sério. Não que tirar Septima Vector do sério, fosse uma tarefa árdua, só para constar.
Definitivamente a ravenclaw sentia-se no dever moral de levar aquele duelo ao nível mais elevado de sua capacidade. Não só queria mostrar para o rapaz o quão estava errado em subjugá-la por ser uma garota, como queria que ele se lembrasse que garotas podem ser ótimas duelistas sim. Quem vai precisar vai ser você. Sussurrou quando Antonin lhe desejou sorte, mais para si mesma. 1, 2, 3. Esperou o primeiro ataque, sabia exatamente o que poderia fazer mas deveria saber o que o slytherin faria primeiro, defesa ou ataque. O primeiro feitiço do garoto fora um tanto quanto fraco, e aparentemente o mesmo não parecia mostrar esforço algum, o que deixou a morena ainda mais irritadiça. Desviou sem muito esforço, olhando para o lado antes reclamar. - Come on, Dolohov! - Suspirou baixo. Sua vez de atacar e não ia levar aquilo da mesma forma que o rapaz. Não iria começar com algum feitiço de defesa, não. Apontou a varinha exatamente na direção de Antonin. Stupefy! Um jato vermelho saiu da ponta da varinha da garota, indo de certeiro na direção no qual o garoto se encontrava. Havia atacado-o diretamente sem nem pensar.
Don’t let what they say keep you up at night | Greta Cacthlove; Septima Vector
gretacathlovegreta:
Andando pelos corredores cabisbaixa, Greta não havia tido um bom dia. Havia se cansado demais na sua corrida matinal porque tinha acordado uma hora mais cedo que o normal para queimar toda a gordura que havia adquirido com o bolo de chocolate que havia comido na noite anterior com Peter. Correu com mais intensidade, tentando aproveitar todos os minutos daquelas duas horas. Quando chegou no castelo, não comeu nada que não fosse uma barra de cereal de morango e aveia. Estava faminta, contando as horas para o almoço finalmente chegar e ela poder comer tudo que visse pela frente. Em alguma parte de sua mente uma voz gritava coisa como “se controle ou você vai explodir ”, mas essa voz era abafada pelo alto som de seu estômago roncando. Passou as duas primeiras aulas mais pra lá do que pra cá e suspeitava de que estava parecendo um zumbi de tão pálida que deveria estar. Havia deixado Amélia um pouco para trás com a desculpa de que queria falar com o professor Avery, porém na verdade sentia que podia desmaiar a qualquer hora. Greta não tinha certeza sobre o porquê de fazer o que fazia, o que ela sabia era que odiava a pessoa que via no espelho de manhã e que faria de tudo parar muda-la. Alguns dias eram melhores do que os outros, tinha aquelas manhãs que ela não estava tão para baixo e nem tão pessimista, eram manhãs boas onde ela conseguia se sentir até que bem, entretanto aquela não era uma dessas manhãs. Greta havia acordado pior que o normal, sentindo uma necessidade horrível de quebrar cada espelho e cada pedaço de vidro que permitisse que ela visse como estava sua aparência de verdade. Sua insegurança só havia aumentado desde que seu pedido para ir ao baile foi recusado. Sendo apaixonado por Peter Pettigrew desde sempre, a loira havia depositado todas as suas esperanças do garoto e, mesmo que negasse, tinha esperanças de poder ir a festa com ele. Quando ele disse, afirmando que já tinha outra garota e que portanto não poderia ir com ela, foi como se o mundo tivesse caído sobre a cabeça da hufflepuff. Sentiu, além de vergonha, a incrivelmente vontade de enfiar a cabeça dentro da terra e não sair de lá com vida. Fora isso, também tinha o sentimento de raiva. Raiva por não ter conseguido ser boa para ele e por saber que provavelmente nunca seria.
Com os pensamentos ainda em Peter, Greta virou o corredor, pegando o caminho mais longo para a aula. O que todas aquelas garotas tinham que ela não tinha? Talvez fosse ao contrario. Talvez ela que tivesse defeitos demais para poder ganhar a atenção de alguém como o gryffindor. Na cabeça dela, não tinha ninguém na escola tão bom quanto ele, via o modo que o tratavam e isso a irritava. Não iria ligar se ele não a amasse, se eles nunca passassem a ser algo mais, o que importava para ela era ele estar bem. Peter parecia não entender, ou não acreditar, no quanto era bom e brilhante enquanto ela via esse lado dele com uma clareza tão grande que parecia brilhar. Achava o menino engraçado, inteligente, bonito, real e sentia que eles poderiam ser perfeitos juntos, caso ele deixasse e ela tivesse coragem suficiente para tentar alguma. Não diria que era obsessiva, possuía dezesseis anos e nessa idade era perfeitamente normal ter crushs em lindos garotos de olhos azuis que nem ao menos conhecia direito, via o que sentia pelo menino mais como um grande prato de admiração com uma sobremesa de vontade de ser mais. O problema era que ela não se achava boa o suficiente para ele e por isso estavam naquele ciclo vicioso horrível.
Faltando apenas alguns passos para chegar a aula, Greta foi surpreendida por dois corpos parando em sua frente. Ergueu seus olhos para os garotos que bloqueavam sua passagem, não sabia quem eles eram e isso vez com que ela ficasse ainda mais nervosa. Não era o tipo de garota que chamava atenção por onde passava, normalmente recebia alguns olhares quando conversava com alguma amiga e sua voz se levava para um tom um pouco alto demais, entretanto nunca passou disso. Apertou os livros que carregava nos braços. - Vocês podem me dar licença? - pediu. Sua voz saiu mais assustada e incomodada do que ela gostaria. Odiava sentir-se fraca e exposta, não queria que eles vissem que ela estava nervosa por ter sido barrada. Sentindo um desconforto maior do que já havia sentindo em toda sua vida, Greta tentou passar pelos dois, mas o gesto foi em vão devido ao tamanho que os dois possuíam. - Eu tenho que ir para aula, por favor, licença. - pediu novamente, ao invés de conseguir o que queria, o que ela recebeu foi um carinho na bochecha que só a deixou ainda mais nervosa. Hey coisa linda. Com uma respiração funda, a garota se encolheu um pouco mais do que gostaria. O que esses garotos iriam querem com ela? Catchlove não era nem ao menos tão bonita para que isso acontecesse. Tomando para si uma coragem que certamente não era sua, ela tentou passar novamente, dessa vez usando mais força, e de fato conseguiu ultrapassar a barreira dos dois. Ouviu um barulho forte e olhou para trás, um dos meninos havia caído no chão com seu ato apressado e um pouco forte demais. Ajudando o amigo a levantar, o outro garoto olhou feio para a hufflepuff. Você deveria estar lisonjeada por isso. Estávamos fazendo um favor vindo falar com uma esquisita igual você. A menina respirou fundo novamente, pensando que talvez aquilo fosse o maximo que ela poderia conseguir na vida.
Um fato sobre Septima Vector era sua capacidade de permanecer com o mesmo humor constantemente. No caso, mal humor. A morena não era de longe um poço de simpatia, e tampouco desejava ser. Não existia exatamente uma razão para que a ravenclaw passasse a maior parte do seu tempo evitando as pessoas ou dando-lhes respostas que para muitos eram inadequadas. Não era uma forma de ser diferente ou algo do tipo, era apenas a forma de ser quem se é. A garota nunca sentira a necessidade de agradar os outros. Para Septima se as pessoas quisessem se arriscar a se aproximar iam se deparar justamente com o que ela era de verdade, pavio curto, teimosa e com a paciência quase que nula. Septima por um tempo tentou o Quidditch, fora inclusive membro do time da Ravenclaw, infelizmente em seu quinto ano se exaltou e acabou por derrubar um Slytherin da vassoura, resultando na sua expulsão do time. Ela não se arrependera pelo único fato de Montague ser um completo imbecil que merecia aquele balaço na cabeça, mas não ia mentir que sentia falta do esporte para canalizar um pouco da raiva que acumulava tão rapidamente dentro de si. Ainda tinha o clube de Duelos, no qual ocupava o tempo livre, e algumas detenções, que não procurava na verdade, entretanto não fazia muito esforço para evitá-las, era quase que comum vendo-a tendo de fazer alguma coisa para compensar suas desavenças. Mas Merlim, porque era culpa dela se estava cercada de idiotas? Bem, isso é o que as pessoas sabiam sobre a garota, a megera. Talvez por isso era difícil de acreditar que Septima Vector tinha dias bons sim. quer dizer, quando ninguém lhe perturbava ou podia fazer suas coisas sem ser atrapalhada. As vezes na companhia dos amigos (sim, ela tinha amigos, não muitos, porém tinha), e em outras vezes sozinha, afinal fora o pai, e mais tarde a irmã caçula, Septima nunca fora exatamente o tipo de pessoa que apreciava a socialização. Em alguma tarde, estava aproveitando um corredor vazio para poder terminar um livro que havia adquirido em seu último passeio a Hogsmead. Para leituras, a garota costumava escolher um lugar mais afastado inclusive. Não tinha muito barulho e podia depositar toda a atenção no que estava a fazer, sem pescoços se virando toda outra. Outro problema de Hogwarts era esse, todo mundo se enfiando na vida de todo mundo, era impossível fazer algo no castelo sem que ninguém comentasse. Desejava poder permanecer ali por algum tempo, sentada no parapeito de uma janela aproveitando os dias agradáveis. Até ficaria se não tivesse detenção para cumprir. Só iria ler mais uma página e iria. Bem, era o que iria fazer mas algumas vozes cortaram o silêncio comodo e consequentemente o bom humor da morena que continuou a tentar focar-se na leitura. Infelizmente as vozes pareceram se elevar. Não se poderia ter paz naquela escola? A garota logo colocou a mochila sobre os ombros, deixando seu refúgio e se dirigindo até o corredor que ligava o seu, de onde vinha os barulhos. Por Morgana, qual o problema de vocês? Reclamou consigo mesma. Enquanto seguia o trajeto para a detenção, ainda que, fora surpreendida pelo o que encontrara. A cena não poderia ser mais estranha. Um garota acoada por dois rapazes no mínimo duas vezes o seu tamanho. A loira usava uniformes que a identificavam como um Hufflepuff. Septima nunca tivera nada contra as casas, exceto talvez a slytherin com seus idiotas e a gryffindor com seus exibicionistas. Entretanto sempre reparou a indiferença que os lufanos eram tratados. Ela mesma não fazia muita distinção de casas, uma vez que sua própria ravenclaw também tinha lá seus idiotas. Mas naquele momento sabia que os outros dois não estavam bem intencionados. Não que fosse problema dela, mas a garota parecia assustada para fazer qualquer coisa. Não que Septima fosse o tipo que se metia em brigas alheias, colecionava suas próprias, entretanto naquele momento sabia que deveria fazer algo. - Mas que diabos está acontecendo aqui? - A ravina parou a pouco mais de um metro do grupo. Analisou os dois rapazes, levando uma das mãos a um dos bolsos. Fora a varinha que procurara, sabia que, apesar de não ser popular, algumas pessoas se lembravam de si e do acidente do quinto ano, ou de suas discussões no clube de duelos. Septima era aquela pessoa que nasceu exatamente para brigar. Parecia útil num momento como aquele. - Se eu fosse vocês dois dava o fora. Eu não sei se sabem mas Montague nunca mais foi o mesmo depois que me irritou. - A morena estreitou os olhos, numa ameça a real. Ela não estava brincando, sabia que poderia alegar que estava defendendo uma aluna se algo acontecesse. Septima sabia o que era aquilo, sororidade, eles falavam, o sentimento de que mulheres devem se ajudar, não que sentisse o dever moral de fazê-lo, mas a outra parecia muito fraca para tentá-lo naquele momento. - E eu ficaria feliz em levar mais alguns idiotas para a enfermaria... ou devo dizer o St Mungus? - A garota foi se aproximando. Odiava ver pessoas encrencando com aqueles mais fracos para se defender. Até ela sabia o quão repulsivo era. - E se eu fosse vocês eu corria antes que eu faça suas bolas de pano de chão. Agora-dêem-o-fora. - Falou por fim. Na verdade se eles insistissem em ficar ali, era fácil usar alguma habilidade em feitiços, o que Septima sempre fora boa. Mas a julgar pela cara dos idiotas não parecia necessário. Afinal as vezes ter uma fama um tanto quanto duvidosa pode ser útil, mas ela não ligava, pra falar a verdade.
Septima Vector Moodboard [2/?] : Septima as Kat Stratford (10 things i hate about you)
Miss Atomic Bomb: Septima Vector Playlist
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i: miss atomic bomb - the killers / ii: psychotic girl - the black keys / iii: eleanor rigby - the beatles / iv: ship to wreck - florence + the machine / v: we exist - arcade fire / vi: solitude is bliss - tame impala / vii: creep - radiohead / viii: youth - daughter / ix: crystals - of monsters and men / x: every teardrop is a waterfall - coldplay / xi: nothing wrong - echosmith / xii: somebody that i used to know - gotye (feat. kimbra) / xiii: kids - mgmt / xiv: the wire - haim / xv: lights - ellie goulding / xvi: knee socks - arctic monkeys / xvii: little black submarines - the black keys / xviii: ghosts that we knew - mumford & sons
sturgis podmore and septima vector: moodboard
(septima’s point of view)
[Flashback] Don’t you forget about me | Ivy & Septima | September 10
ivyburkes:
Estava tão profundamente zangada que podia jurar que perderia o controle a qualquer momento e começaria a gritar até que suas cordas vocais se rompessem pelo esforço, tão tomada pela raiva que não duvidava caso resolvesse socar qualquer pessoa que a tirasse do sério apenas para descarregar tamanha a frustração que sentia. Mas ela era Ivory Burke e isso significava trincar os dentes e forjar um sorriso para se despedir de todos os seus amigos e colegas que deixavam o castelo para a primeira visita ao vilarejo de Hogsmeade dos alunos do terceiro ano enquanto ela era deixada para trás para cumprir uma detenção. Havia se perguntado diversas vezes porque não poderiam simplesmente ter mandado que limpasse alguns troféus ou lavado alguns vasos sanitários em qualquer outro dia que não fosse aquele sábado, o dia pelo qual tantos estudantes haviam esperado ansiosamente desde o início do ano letivo. Que tipo de cruel, vil criatura tomava proveito da destruição dos planos e da felicidade alheia? Ela jamais saberia.
A ravenclaw chegou a sala de aula indicada na coruja que recebera na noite anterior com a costumeira expressão serena e fechada, agora com ar mais ameaçador do que o normal. O dia estava morno e agradável e, por conta do leve calor, Ivy escolheu uma saia de cintura alta na altura do joelho de veludo azul marinho envolta por um cinto cor de caramelo e uma blusa branca arejada e confortável, os longos cabelos loiros arrumados numa trança. Assim que passou pela porta de carvalho e se deu conta de que outros alunos ocupavam a sala, sentiu-se ligeiramente melhor por não ser a única pessoa em Hogwarts que deixaria de ir para a vista ao vilarejo além daqueles que não conseguiram permissão no verão, mas isso não diminuiu a sua raiva. Sentou-se em uma das carteiras vazias do lado direito perto da enorme janela de vitrais, imediatamente atrás de uma garota de cabelos escuros que Ivy sabia também ser ravenclaw. “Também teve o azar de ter uma detenção para cumprir justo hoje?” Perguntou para a garota a sua frente, mais para puxar conversa do que qualquer outra coisa porque a resposta era mais do que óbvia. Todos naquela sala eram extremamente azarados, ponto final.
Quando Septima Vector despertou na manhã do sábado em que teoricamente faria a primeira visita ao povoado de Hogsmead, seu mal humor matinal alcançara um nível alarmante. Não pelo fato de que as garotas com quem dividia o dormitório faziam mais barulho naquele dia do que o normal para um final de semana, ou pelo fato que fora forçada a despertar mais cedo do que costuma fazê-lo em dias nos quais não precisava assistir as aulas. Septima estava com tudo em ordem para fazer a sua primeira visita de lazer ao único povoado totalmente bruxo da Grã-Bretanha, assim como os demais colegas que, a partir do terceiro ano portando autorização do responsável tinham permissão para deixar a escola em determinados finais de semana. A morena conseguira com que o pai assinasse o formulário, havia combinado com alguns colegas da equipe e se programado para visitar algumas lojas que a breve passagem ao vilarejo no embarque ou desembarque do Expresso Hogwarts não lhe permitiam. Tudo parecia em ordem, até a tarde da sexta-feira que antecedera o final de semana, quando, retornou ao dormitório e encontrara uma coruja orientando-a sobre a detenção pendente que havia sido agendada para o sábado em questão. Seu passeio havia ficado na teoria afinal. Quando por fim as demais habitantes do quarto deixaram o dormitório, a garota com certa dificuldade levantou a cama. Se trocou. Inicialmente ponderara vestir jeans, entretanto o clima estava agradável naquele dia, optando por shorts, uma meia calça cinza e uma blusa azul celeste. Tinha experiência suficiente em detenção para saber que iriam ter de limpar poeira do castelo ou algo mais nojento. Penteou os cabelos para trás, fixando-os com uma tiara e finalmente deixou o dormitório, com a mesma disposição de quem iria presenciar um acasalamento de trasgos. O café da manhã fora silencioso, provavelmente a maioria dos colegas já havia rumado para o vilarejo. Septima serviu-se de algumas torradas enquanto folheava o jornal. Quando fora abordada pelo zelador, avisando que deveria se dirigir para a sala de detenções e aguardar orientações. Deixou o desjejum por terminar e rumou para seu destino entusiasmante daquele dia. A sala estava ocupada por pouco mais meia dúzia de alunos, a maioria provavelmente resmungando mentalmente o motivo pelo qual agendaram a detenção para aquele dia em especial, o que para Septima provavelmente seria um castigo duplo. A morena dirigiu-se para uma cadeira mais afastada, sentando-se próximo a janela, apoiando o rosto nas mãos enquanto observava o quadro negro a frente. As pestanas pareciam querer fechar, e estavam de fato o fazendo quando uma voz na mesa de trás despertou-a do breve cochilo. A julgar pelo fato de estar afastada dos demais tivera a impressão que estavam falando consigo. Virou o rosto se deparando com a figura de uma colega de casa. Haviam trocado algumas palavras nos últimos dois anos, nada muito relevante, mas sabia que eram da mesma casa, Ivy era o nome da menina. - Eu estou aqui por livre e espontânea vontade. Pra quê ir pra Hogsmead se posso passar o dia limpando vômito nos banheiros? - Respondeu a pergunta um tanto quando óbvia da loira. As vezes, ou quase sempre, era rude com as pessoas. Aquele comportamento era involuntário, um traço de personalidade adquirira nos últimos anos. Mas talvez tivesse pego pesado, provavelmente a garota só queria puxar assunto. Aquilo era uma detenção, não precisava discutir com ninguém para ter uma segunda, ou no caso de Septima, algum número na dezena do quatro ou cinco. - Na verdade acho que o garoto que mandei pra ala hospitalar no último treino do clube de duelos é quem tem azar. - Suspirou baixo, dando de ombros. Septima não se orgulhava do comportamento impaciente ou das detenções, entretanto também não se envergonhava de agir por impulso as vezes. Para falar a verdade o motivo da detenção foi um acumulativo de coisas, mas provavelmente o descuido no clube de duelos fora o estopim para a situação na qual se encontrara. - Vai ser um longo e entediante dia. - Revirou os olhos quando o zelador entrou mancando na sala. A ravenclaw acabou apoiando as costas na cadeira e cruzando os braços, quando Filch por sua vez começou a falar, falar, falar, distribuir as atividades e dar as instruções do que deveriam fazer a seguir, enquanto que a maioria resmungava.