“As pessoas são mais bonitas quando lidas. Ultimamente tenho percebido isso. As palavras escritas carregam um poder a mais. É como sentir o verdadeiro valor do sentimento imposto nas frases formuladas. Ninguém fala em forma de metáfora sem parecer louco. As palavras ditas são cruas. Escritas, são um mar aberto a interpretações. Uma história contada só tem um caminho. Uma história lida é espaçosa, ramificada, infinita. Ontem, conversando com alguém eu percebi que nos limitamos quando desabafamos olho a olho, é como se a dor dita em voz alta soasse patética. Por isso existe tantos escritores deprimidos que não conseguem prolongar um diálogo: eles têm medo. É assim que me sinto, percebi. Eu me sinto totalmente eloquente quando preciso falar de mim, é como se as pessoas acreditassem em tudo que falo, mesmo estando estampado nos meus olhos meu desespero e ânsia de choro. Não tenho audácia de falar desesperadamente tanto quanto escrevo. Não diluo minhas falas em dramas e hipérboles. Eu só falo, falo, falo até parecer um idiota e decidir ficar calado. Por isso escrevo. Porque viajo, me eternizo, me reconheço, me conheço, me esqueço e, quando percebo, não sou mais eu. Sou um pouco de todo mundo que se atreve a me ler.”
— Jadson Lemos.









