Hey, pai
Hey, pai, eu não sei se você lembra, mas eu ainda estou aqui. Moro no mesmo lugar de sempre, naquela mesma casa que você vinha me visitar há uns anos, lembra?! Sabe, todo dia eu fico um pouco na porta de casa, tentando enganar a mim mesma e fingindo que não é por ter esperança de você aparecer. Eu olho suas redes sociais, embora eu não faça parte dos seus amigos (irônico isso, não?), eu te vejo. Eu percebo que está feliz com sua nova família, e fico animada por isso, de verdade. Mas aí eu penso e fico me perguntando se você não sente nem um pouco minha falta, porque, olha, pai, eu sinto muito a sua. Você imagina como foi para mim de uma hora para outra não te ver mais? Uma hora você me visitava, e eu imaginei que você sempre estaria ali para mim. Mas aí, de repente, você brigou com minha mãe, ou algo assim, e nunca mais apareceu. Eu fiquei me perguntando por horas o que eu tinha feito de errado, o que eu tinha falado para te magoar, mas não conseguia lembrar de nada e me culpava ainda mais. Eu fiquei triste, andei pelos cantos sozinha. A minha mãe, tadinha, tentou de todas as formas preencher esse vazio que ficou em mim, mas nunca conseguiu. Você me faz falta. Você devia saber disso. Eu sempre pergunto de você a quem eu posso, e todos me dão respostas vagas, talvez por medo que eu me entristeça mais. Mas, eu só queria saber mais de tudo, saber das suas novas histórias, da sua nova família, de tudo que você quiser dividir comigo. E eu queria te contar também que gostei pela primeira vez de um garoto, e te ver irritado por causa disso. Seria engraçado. Queria contar que eu quebrei a perna ano passado enquanto corria na escola. Queria contar que eu tô crescendo, e você não tá aqui para ver isso. Pai, eu sinto sua falta. Por favor, também sinta a minha. Um beijo, da sua filha que vive na sombra dos seus pensamentos.








