A moda começa a ser mais determinante na sociedade, como forma de construção de identidade, pois ao decorrer da história, temos uma intensificação da chamada globalização, com isso, etnia, religião, gênero e fronteira começam a entrar em detrimento na composição da identidade, principalmente na sociedade Ocidental. A busca pelo individualismo é algo constante e intrínseco, na busca pela identidade, logo, alocando o cidadão em seu devido grupo social
No período do século XVI até meados de XX, a moda resumia-se ao Haute Couture, moda para poucos, objeto para a aristocracia, cujo principal propósito era autoafirmação social, a evidenciação da estratificação existente, com pouquíssima mobilidade entre as classes sociais, sempre privilegiando o passado, o que tornava imutável.
“A legitimidade inconteste do legado ancestral e a valorização da continuidade social impuseram em toda parte a regra de imobilidade, a repetição dos modelos herdados do passado, o conservantismo sem falha das maneiras de ser e de parecer.” (Lipovestky, Gilles – Pág 9)
A belle époque e as mudanças do início do século XX, serviram como motores para as mudanças, a oxigenação da moda. Em resposta as guerras, tornou-se inviável manter o modelo de moda até então vigente que era de haute couture. A realidade da guerra e principalmente do pós-guerra mudaram a lógica, e iniciaram um processo de maior democratização da moda, começaram a lógica industrial de produção, onde em 1949, por J.C Weill foi rotulada primeiramente como “prêt-a-porter” ou no inglês “read-to-wear”.
Essa nova lógica, inicialmente mergulho no conceito industrial, perdendo qualquer valor criativo e de inovação, logo, obrigou os industriais a se alinharem a estilistas capazes de entender as metamorfoses sociais da época. A mudança não foi repentina, e sim gradualista, aos poucos a alta-costura foi perdendo seu papel vanguardista, e cada vez mais os industriais buscavam criação de roupas agregando moda nelas, se posicionando com relação as tendências, e alinhando-se a estilistas.
Um exemplo desse tipo de aliança, podemos citar o estilista Pierre Cardin, arquiteto formado, com experiência em nada mais, nada menos que um período significativo na Maison Dior, ao lado do próprio fundador, participando da equipe criativa da coleção “New Look”. Cardin por posicionar-se a favor do “rtw”, acabou sendo expulso pelo sindicato de alta-costura francesa, e acabou mostrando sua primeira coleção em 1959. As mudanças citadas acima, na primeira metade do século XX, culminaram na base da reformulação constante, da mulher moderna.
Constituição de Identidade
A identidade do sujeito é formada por diversos fatores, onde se resumem na interação do sujeito com a sociedade. Com advento das tecnologias, os resultados da globalização, ou seja, detrimento das fronteiras, etnias e religião, temos maior transitoriedade e acesso a informação-conteúdo. Hoje com os avanços na comunicação, acaba-se unido regiões distantes no globo, promovendo até choques culturais, ao meu ver benéficos como forma de enriquecer o diálogo.
As grifes carregam intrinsicamente, seus valores-proposta, a cada desfile atenha-se a um legado, mas que não foge de sua vertente histórica, ou seja, cada casa de costura, tem seu DNA, e seus clientes se identificam com isso, ou querem inserir-se a um grupo social que se identifica.
Essa dinâmica publicitária também é influenciadora, neste processo de construção de identidade. Ao avançar dos tempos, Diana Vreeland e Anna Wintour, foram visionárias na indústria, ao terem o astuto olhar e unir celebridades do cinema e socialites, com moda, estampando as capas das revistas as quais dirigiram (American Vogue). Com elas, nasce a importância das revistas, na formação de opinião, e interferindo fortemente na construção da identidade, nas variações de gosto ao promover tendências.
Uma das formas de confirmação de supremacia de um Estado, podemos destacar a exportação de cultura, logo, a indústria de cinema americano, a “old-hollywood” foi estratégica na construção da supremacia norte-americana, ainda mais em tempos difíceis, como a bipolarização do mundo. O cinema da época implicou nos gostos, valores-costumes e até expressões da época. Somado a indústria cinematográfica, temos o apogeu da música norte-americana e britânica, angariando fãs pelo mundo, dispostos a comprarem o American Way of Life. Em concorrência com os britânicos, a hegemonia estadunidense, garante qualquer ganho Ocidental, representado pelo capitalismo. Civilizações fora deste eixo Europa-Estados Unidos, é visto como primitiva.
Os reflexos deste imperialismo cultural norte-americano, são sentidos até os dias de hoje, na forma como atores de Hollywood são idolatrados pelo mundo. O Estados Unidos, em meados de 60-70, adquirindo seu posto de mainstream, era visto como o modelo de sucesso, por isso a grande busca e desejo pelo estilo de vida americano, uma vez usufruindo de roupas, escutando músicas, tinha-se status social, alocando-se em grupos sociais, ditos descolados, assimilados ao sucesso.
Twiggy in red and white striped jersey
Atenta a esse movimento, Diana Vreeland, foi a primeira a inaugurar a saída de modelos nas capas de revistas de moda, e colocar atrizes, seja na Harper Bazar, quanto na Vogue Americana dos anos 60. Com olhar ao público jovem, a qual apelidava de youthquake (“terremoto jovem”), por conta das rebeliões de jovens em todo mundo em 1968, somado a tsunami consumista que ganhava o mundo, dando origem a outros movimentos jovens, contrário a tudo isso, sendo os de maior destaque, o movimento Hippie e Punk, o qual servindo de berço para uma das maiores estilistas da atualidade, Vivienne Westwood, a britânica apelidada carinhosamente como Rainha do Punk. Diana foi responsável por tornar a revista mais atrativa, sexy e criativa, com grandes ensaios e produções.
Anna Wintour, reforça essas mudanças e abrange o time de celebridades da Vogue Americana, como Primeiras-Damas e atualmente candidatas a presidência, socialites, cantores etc. Posiciona a Vogue Americana, como supremacia as demais, como um modelo a ser seguido pelas demais. A revista possui seguidores por todo o mundo, presente nas plataformas de redes sociais, como twitter, facebook, instagram, youtube, além de seu próprio site. De óculos preto, Anna tornou-se um ícone, chegando a ser levado para as telonas, como Miranda Priestly, interpretado pela Meryl Streep, inclusive o filme em questão The Devil Wears Prada, completa 10 anos nesta semana. É responsável Vogue Americana, a número 1 do mundo, como revista de moda, ou seja, consolidar a revista internacionalmente.
Através do documentário The September Issue, é nítido que as reais celebridades presentes nos desfiles-semanas de moda, são o time de editores da Vogue Americana, por tamanha importância na formação da opinião pública. Vogue é o grande arauto de comunicação da moda, chegando a ser nome de uma música de prestígio da Madonna, participação em séries e filmes como Sex And The City. Com isso, a supremacia da revista está ligada a supremacia norte-americana.
A Moda Que Concebemos!? A moda começa a ser mais determinante na sociedade, como forma de construção de identidade, pois ao decorrer da história, temos uma intensificação da chamada globalização, com isso, etnia, religião, gênero e fronteira começam a entrar em detrimento na composição da identidade, principalmente na sociedade Ocidental.