Amar requer muita coragem. O problema é que sou medrosa pra caralho.
Thiara Macedo.
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Amar requer muita coragem. O problema é que sou medrosa pra caralho.
Thiara Macedo.
As vezes abro a geladeira pra passar o tempo, tem gente que faz a mesma coisa com meu coração.
Thiara Macedo.
Não acho que a gente tem química. A gente tem um laboratório inteiro.
Thiara Macedo.
Você me devora, me arrota, me cospe, me vomita. Quando é que você vai me degustar hein?
Thiara Macedo.
Meu lado de dentro faz qualquer lado de fora se assustar.
Thiara Macedo.
Hoje é um daqueles dias que você sente vontade de gostar da vida mas não gosta.
Thiara Macedo.
Você não pode fazer da pessoa o mundo e depois ir embora. Mundo não se reconstrói do dia pra noite.
Thiara Macedo.
Saudade dá e arrasa.
Thiara Macedo.
A gente passa a vida toda querendo pertencer a alguém e esquece de se pertencer.
Thiara Macedo.
Hoje voltando pra casa, passou um cara do meu lado que tinha o seu cheiro. Tá que eu nunca fui fã desse seu perfume barato e adocicado, até te dei um importado de presente de aniversário, só que você insiste em passar essa colônia nojenta para me irritar. E irritava. Como irritava. Hoje, pela primeira vez na vida, eu gostei de ter sentido esse teu cheiro. Ao invés de ter corrido atrás do cara, eu corri foi do cara. Vai que ele era mais um prepotente que queria esbarrar na minha vida e deixar esse fedor virar “two one two”. Quase fui atropelada. Filho da puta! Procuro um lugar urgente pra estacionar essa minha vontade de ser de alguém. Cafeterias e livrarias não, esses lugares estão sempre cheios de pessoas vazias. Vazias de amor. E eu não quero um amor, eu quero me livrar dele. BARES! Há sempre uma boa bebida, uma boa música e uma boa pessoa para nos escutar. Cerveja não moço, hoje eu quero uma bebida mais quente pra aquecer o que há de melhor aqui dentro. Um, dois, no máximo três caras me olhando, o do canto até que não é feio. Olho pro celular, não toca, vejo a hora, não toca, olho pra hora de novo porque na primeira vez eu nem tinha prestado atenção no que eu estava olhando. São 20h. Finjo que estou esperando alguém pros babacas ao meu redor perderem o interesse. Ninguém chega. O cara do canto que até que não é feio se aproxima com aquele papo mole de “E ai?” E ai que eu não tô aqui, não tô afim, dou um gole na minha bebida e a vida começa a se tornar menos agitada e mais simples. “Eu nunca te vi por aqui, é nova?” Papo chato, cara chato, bar chato. Será que se eu deixar o dinheiro da bebida e sair correndo, eles vão me achar menos humana e muito insana? Não corri como planejado, mas deixei a grana e sai como se tivesse me libertado de algo que eu não sabia exatamente o que era. Andar me faz bem, mas andar sozinha me parecia solitário demais. Contei todos os gatos que passaram por mim na rua. Foram 12, juro. E ai me lembrei o quanto você odiava essa minha mania de contar a quantidade de animais abandonados. Quis chorar. Não pelos gatos, quero dizer, por eles também. Ai meu Deus, tô chorando. Peguei o celular e disquei seu número. Chamou, chamou, chamou e você atendeu com uma voz de cansado de quem tinha feito sexo o dia inteiro com a primeira puta que esbarrou por ai. Desliguei. Me odiei por quase uma eternidade, e te amei por umas 5 vidas. Cadê a chave do meu carro? Santo Deus, quando foi que minha casa esteve tão bagunçada? É pra combinar com as coisas aqui dentro. Achei! Prometo voltar logo, não morre de saudade. Três copos e tá eu aqui me despedindo do meu cachorro. Dirijo por ai, sem rumo, sem direção, sentindo a brisa do vento bater na minha cara com gostinho de liberdade. Mas se tô livre e tô feliz, por que quando eu respiro sinto que falta alguma parte de mim? Até sendo inteira eu sou metade. Ligo o rádio. Tá tocando Oasis. Começo a cantar em voz alta como se você fosse ouvir do outro lado do mundo “BECAUSE MAYBEEEEEEEEEE, YOU’RE GONNA BE THE ONE THAT SAVES MEEEEEEEEEEEE, AND AFTER AAAAALLLL, YOU’RE MY WONDERWAAAAAAAAALLL”. O tiozinho do carro ao lado acha graça de tudo isso e dá aquela buzinada pra chamar minha atenção. Mando o tiozinho do carro ao lado se foder. Ih, uma blitz. Eu bebi, eu bebi sim, não me prenda seu guarda, se eu te explicar a minha história até o senhor choraria. Criei todo aquele diálogo de uma mulher pobre inocente que bebeu porque teve o coração partido, pro guarda nem notar a minha presença e pedir pra eu sumir dali. Ei, eu disse pra você que eu bebi? Foram 3 copos. 3 não, foram 4. Isso, 4 copos de uma bebida que eu nem me lembro qual era, ta vendo como eu tô mal? Até esqueci o que eu bebi. Não vai embora não seu guarda, eu passei o dia todo querendo ser de alguém. A gente pula essa parte da conversa e vai direto pra cama. Não, essa conversa não aconteceu. Dirigi por mais uns 10 km mais ou menos e parei, no meio do nada pra entender porque diabos eu estava indo pra lugar nenhum. Mas ir pra lugar nenhum não é ir pra algum lugar? Já nem sei mais o que eu tô pensando, o que eu tô fazendo, e a porra do meu celular nem pega aqui. Vou voltar pra casa. Merda. A gasolina. A gasolina acabou. Por que diabos deixei a gasolina chegar ao fim? Eu tô perdida. Apavorada. Insetos, bichos, escuridão, frio, carros… Cadê os carros? Eu vou morrer. Algum serial killer vai aparecer aqui, com uma faca na mão querendo me estuprar tipo esses filmes de terror hollywoodianos. Tô sentindo. Ouviu isso? Ah, é a árvore se mexendo. Tô paranoica e a culpa é sua, seu filho da puta, maldito, cretino de merda. A culpa é toda sua. Coloca ideia na minha cabeça de que andar dirigindo por ai faz bem, e faz, e não faz, e não sei a porcaria que faz. EU NÃO TÔ BEM! Tô chorando de novo, e dessa vez é de desespero, e de ódio, e de saudade, e por você. CHEGA! Me encolhi dentro do carro como quem quer um abraço de abrigo, e fiquei lá, em posição fetal. E me senti tão culpada, tão estúpida e tão menos mulher por ter fugido mais uma vez sem saber pra onde. Porque eu queria ir de casa em casa procurando alguém mais adulto, mais responsável e mais homem que você, só pra entender que mais isso e mais aquilo continuaria me deixando presa pelas metades. Porque é desesperador demais chegar em casa e encontrar apenas meu cachorro na poltrona a minha espera sem ter que ouvir os gritos do seu futebol, e nem ver as cervejas espalhadas por cada canto da casa… CHE-GA! Olho para meu celular, 1 pauzinho de rede, 10 ligações, 5 mensagens de voz, 20 mensagens de texto. Obrigada meu Deus! Envio minha localização para JP com um pedido desesperador de socorro. 10 minutos. Foram exatamente 10 eternos minutos de espera, mais uns 15 minutos pra contar a história toda, e uma vida pra poder esquecer tudo isso. Entrei no carro rumo a minha casa, era hora de ir embora pra sempre.
Muita Coisa Inacabada Porque a Gente Acabou - Part IV
Eu nunca tinha entendido a expressão “fazer de alguém uma morada”, até hoje. Não estou só falando no sentido literal da palavra, estou indo além do permitido. Eu morei em você, e tenho que concordar que foi a melhor morada que tive. Aconchegante, intenso, quentinho, e confiável. Logo eu que tenho medo do escuro, dormia com as luzes apagadas. Eu amei cada florzinha do seu jardim, e tentei ter o maior cuidado para não estragá-las. Falhei diversas vezes, você sabe, mas fiz questão de replantar flor por flor só para vê-las florindo outra vez. E te ver florir me deixava tão, mas tão feliz. As janelas da sala bate o sol das 16h, confesso que já xinguei essa janela de tudo quanto é nome, mas eu amava admirar a luz que lá entrava. Me fazia viver, me fazia acreditar que o mundo lá fora poderia ser melhor se eu olhasse com outros olhos. Ou melhor, com os seus olhos. Eu nunca fui fã da sua varanda, sempre passou pessoas demais por ali, e você sabe, eu nunca gostei de pessoas. Me incomodava, eu não queria ver ninguém além de você. Eu não precisava de ninguém além de você. O quarto foi o cômodo que eu mais me senti especial. Nele você conheceu os meus melhores detalhes, e eu pude conhecer os seus também. Foi tantas trocas de segredos que a minha vontade era de te pedir pra mais ninguém entrar. E há, eu não tranquei nenhuma porta não, mas tô levando as chaves como forma de recordação. Doe minhas lembranças, jogue fora as nossas fotografias, me exclua de qualquer contato, mas fique com meu perfume como uma doce lembrança de algo bom que um dia aconteceu. Por favor, não esqueça de molhar a grama todos os dias antes de sair de casa, te deixa mais bonita, mais viva, mais você. E se caso alguém te perguntar sobre mim, diga que fui fazer um intercambio para poder te entender melhor, e quando eu aprendesse, voltaria caso a porta ainda estivesse aberta. Obrigado por me abrigar, mas agora vai ser foda ter que viver como um morador de rua.
Thiara Macedo.
Na vida nós temos prioridades, se eu não sou uma das suas, então você não serve pra mim.
Thiara Macedo.
Ao invés de muros, por que você não se constrói em mim?
Thiara Macedo.
São 3 da manhã, estou lendo um desses romances clichês do Nicholas Sparks para poder me sentir mais amada e menos sozinha, mas não consigo prestar atenção em nenhuma palavra e acabo jogando o livro de lado. Vou até a cozinha, abro a geladeira, sinto aquele geladinho consumindo meu rosto por míseros segundos, respiro e me dou conta do que eu precisava não se encontrava exatamente dentro da geladeira. Pego uma água só para eu me sentir menos tola, e dou uma espiada na janela da sala. É lua cheia. A lua que eu mais odeio e a que você mais ama. Mas me conforta observá-la, é como se alguém me pegasse no colo e me colocasse pra dormir enrolada em um edredom. Sinto vontade de escrever, e faz 6 meses que eu não sei o que é pegar num lápis e sentir prazer em deslizá-lo no papel. A vontade passa quando o telefone toca. É JP, o cara que eu tenho saído já faz algum tempo. Ele é aquele estereótipo de cara perfeito, se veste bem, me leva pra jantar, me manda flores, toca violão e marca viagens surpresas para lugares que eu mais desejo ir. O cara perfeito, o cunhado perfeito, o genro perfeito, a porra toda perfeita, mas que no fim das contas não fazia eu me sentir perfeita. Alias o que é mesmo ser perfeita? Eu quero sumir daqui. É isso, eu quero largar meu emprego, meus estudos, minha casa, minha família, meu projeto de namorado perfeito e simplesmente desaparecer. Sem deixar rastros e nem nada. Sumir e pronto. Ai eu ia recomeçar a minha vida do zero, conhecer novas pessoas, novos lugares, novos ambientes e finalmente tentar ser um pouco mais eu do que um dia eu tenha sido. Finalmente o telefone para de tocar, mas a campainha dispara um ruído tão alto, que eu solto um grito abafado do qual o sujeito nota de que há alguém acordada. Merda! Abro a porta, e é JP. Sorrio amarelo com aquela expressão de quem queria dizer “QUE DIABOS VEIO FAZER AQUI?”, e noto que o moleque mais uma vez estava com um buque de flores na mão e na outra chocolates. Oba, chocolates! Começo a comer esquecendo de sua presença no sofá. “Tá tudo bem? Eu te liguei.” Aham, eu vi que você me ligou umas 300 vezes e mandou no mínimo umas 500 sms. Ele me olha de uma maneira como se não me reconhecesse mais, e não conhece! “Você tá com uma aparência horrível, por que não vai tomar um banho e a gente assiste um filme qualquer? Ein? O que você acha?” O QUE EU ACHO? EU ACHO QUE VOCÊ NEM DEVIA TÁ AQUI PRA COMEÇAR E EU NÃO TÔ AFIM DE ASSISTIR PORRA DE FILME NENHUM! Alguém por favor tira esse cara daqui? Não dou a mínima pro que ele fala, e continuo comendo meus chocolates como se o fim do mundo fosse no dia seguinte. Ele se aproxima como quem quer alguma coisa em troca, é sexo, aposto, ele não trouxe esses chocolates atoa. Não tô nem um pouco a fim de trepar, transar, fazer sexo, ser comida, seja lá o que ele veio fazer aqui, mas ele alisa minhas pernas e pressiona meu corpo ao dele, e pela primeira vez na vida eu me senti a pessoa mais suja desse mundo. Me exalto. “Olha só JP, eu não to afim de ser comida hoje, amanhã eu acordo cedo e fazendo as contas com o horário de agora, eu tenho exatamente 4 horas de sono, então se você não se importar, a gente combina de trepar outro dia, ok?” Na hora ele se levantou, sua expressão de safado mudou para assustado e ele saiu da minha casa de uma maneira como se nunca mais fosse voltar. E não voltaria mesmo. Me senti um pouco mais sozinha do que eu já era. Liguei a tv como companhia e fiquei mudando de canal loucamente como se fosse encontrar algo de que tanto desejava. Não sabia mais o que estava fazendo e chorei por isso. Chorei por ter mandado mais uma pessoa da minha vida embora. Chorei porque o chocolate havia acabado e eu já não sabia onde mais ia depositar a minha ansiedade. Chorei porque eu tinha o mundo nas mãos e resolvi carregá-lo nas costas. E tudo aquilo me pesava tanto, que chorar era tudo que me restava. Ai parei num canal que estava passando “Tom&Jerry” e pela primeira vez durando 6 meses eu sorri de verdade. Foi um sorriso de dentro pra fora, uma vomitada pra vida. E tudo isso tinha muito a ver com você. Era seu desenho favorito, lembra? É claro que eu lembro, foram muitas raivas passadas enquanto eu discutia nossa relação e você dava altas risadas em meio ao gole de cerveja. “Dá pra você desligar essa merda e prestar atenção em mim?” “Ahh amorzinho, vem assistir comigo.” Como eu odiava profundamente a palavra “amorzinho”, e como eu queria ser chamada de amorzinho agora. Pego o telefone e começo a discar seu número. Desisto. A essa hora ele deve tá trepando com a vizinha ou ta tão chapado ao ponto de não saber atender o maldito telefone. Amanhã eu ligo, hoje não. Na verdade eu é quem queria ser procurada, ser achada, e ser inteira mais uma vez. Vou deitar com a intenção de encontrar a minha paz, só que faz tanto tempo que eu não sei o que é ter paz. Abraço o travesseiro com a ânsia de ser abraçada de volta, e me questiono “Quando foi que eu me tornei uma pessoa tão vazia?” E me recordei da vez que eu me senti tão cheia, a ponto de transbordar. Você me sugeriu pra pegar umas duas ou três peças de roupa, um pouco de dinheiro, minha escova de dente e só. 20 minutos depois tava você aqui em casa com o carro da sua mãe dizendo que íamos viajar. Viajar? Pra onde? Eu não posso viajar. Amanhã eu tenho uma reunião, provas e falava sobre todo o meu planejamento do dia seguinte como se fosse a coisa mais importante do mundo, e você sempre me calava com um beijo fazendo eu esquecer de todo o resto. Suas viagens nunca eram planejadas, a gente brigava 99% do tempo porque tudo saia errado, e eu odiava erros. E olha eu aqui, sozinha, no meu quarto, recordando o quanto eu queria estar errando agora.
Muita Coisa Inacabada Porque a Gente Acabou - Part I
Se você perder a sua essência, eu perco a minha. E sem isso vai ser um pouco difícil ter que enfrentar o mundo.
Thiara Macedo.
Eu nunca sei a hora de ir embora, até perceber que pra ir embora não precisa de hora.
Thiara Macedo.
É que eu sou assim, me esqueço por aí e depois te peço ajuda para me encontrar.
Thiara Macedo.