Quando Seunghyun apareceu pela primeira vez em sua vida, Jaehwan não achou nada demais no amigo de seu irmão, na verdade, chegou até a considerá-lo alguém normal ou sem graça nas primeiras horas ao seu lado graças a sua falta de assuntos e excesso de timidez, todavia, não demorou mais de duas semanas para que a amizade com Kyungsoo se fortalecesse e um pouco menos de três meses para se ver preso em um grande erro. O moreno não sabia explicar exatamente como se deu o processo para que o mais jovem se tornasse o protagonista de seus devaneios e de seus momentos individuais mais impuros, era frustante ser incapaz de ter conhecimento da “receita” que despertou seu coração dormente depois de tanto tempo, mas não tinha para onde correr e sua conclusão foi rápida: não podia ter o Seunghyun. Era o melhor amigo de seu irmão, quase um membro de sua família, e tentar qualquer coisa poderia trazer riscos irreversíveis ao relacionamento tão querido pelo caçula. Não queria ser o responsável por algo que não conseguiria corrigir. Entretanto, era inevitável se desgastar depois de tanto reprimir os próprios sentimentos e foi exatamente em um segundo de fraqueza que sua oportunidade surgiu.
Estar aos beijos com o Seung e poder senti-lo exalar desejo era uma experiência que o Jaehwan de meses atrás consideraria inalcançável, então estar vivendo aquele sonho era difícil de acreditar por mais que seu tato comprovasse a vericidade de cada estímulo. Não era uma alucinação. Hipnotizado pelo beijo que se desenrolava, o mais velho se concentrava em cada toque trocado e em cada som manifestado, mas nada se comparava ao segundo em que recebeu movimentos de vaivém do garoto em seu colo e, à medida que o estímulo se prolongava, sua respiração pesava ao sentir o membro do Seunni cada vez mais rijo. A falta de pudor se intensificava e suas mãos apenas colaboravam com aquela movimentação tão prazerosa, curtos gemidos escapando de seus lábios. O quarto era preenchido pelo som do atrito de suas roupas e por suas respirações harmonicamente descompassas, mas a extinção de palavras foi desfeita com a fala do mais novo que mais soava como música. Jaehwan estava estupefato e, se a iluminação colaborasse, seria capaz de ver o rubor em suas bochechas devido à revelação. Aquilo era exatamente tudo o que desejava ter ouvido durante todo aquele tempo em que Seunghyun esteve em sua cabeça e cada sílaba pronunciada por ele quebrava as correntes invisíveis que ainda o prendiam.
Com a testa colada na dele, o moreno não foi capaz de esconder sua respiração trêmula, mas inspirou e expirou fundo a fim de permanecer com o próprio senso mesmo após se sentir livre para continuar com a íntima interação. Desejava-o, desejava-o tanto que podia sentir seu peito arder. Sem interromper o contato visual, voltou a envolvê-lo com os braços para deitá-lo sobre o colchão da cama e permaneceu por cima do corpo magro do garoto, sentando-se no colo alheio para ser capaz de remover a própria camiseta. Seu interior já estava quente demais para permanecer vestido. Suas mãos invadiram brevemente a camiseta do pijama de Seung, passeando pelo abdômen e sentindo o calor dele sob suas digitais, mas não demorou para seu alvo se tornar o cós da calça dele. Inclinando-se para frente a fim de aproximar suas faces mais uma vez, Jaehwan mordiscou o lábio inferior do garoto — Me deixe ver o quão te deixo duro — pediu com um sorriso sacana, pois conseguia sentir o quão rijo estava por debaixo do tecido, mas esperava a desejada aprovação para se livrar daquela peça. — Você me deixa louco…— revelou sem nenhum pingo de arrependimento depositando um novo selar em seus lábios — Eu quero realizar todos os seus desejos.
Seunghyun não possuía muitos amigos, mas já havia escutado muitas coisas na escola. Os rapazes não pareciam perder tempo, e as rodinhas formadas para espalhar as “informações quentes” sempre pareciam acabar nos ouvidos de Seunghyun. Nunca tivera interesse em garotas, então apenas sentia-se desconfortável ao escutar tantos detalhes sobre os corpos de colegas de classe. O que lhe incomodava mais, porém, é encontrar-se sendo tão inexperiente em frente à Jaehwan; seu primeiro amor, primeiro beijo, e sua primeira vez, ao que tudo indicava. Queria agradá-lo, embora seu jeito tímido fosse um grande empecilho, uma mescla de ansiedade e certa curiosidade bagunçando seu estômago. Nunca havia desejado alguém daquela maneira: a cada novo toque, sentia-se um pouco mais próximo dos céus; embora seu baixo ventre queimasse em desejo. O roçar de seus lábios lhe causavam arrepios gostosos, seu corpo se contorcendo. Sentia certa vergonha de sua sensibilidade, e esperava que Jaehwan não fosse rir de si, ou de seus gemidos constantes à cada mero encostar entre suas peles. As luzes escuras sobre seus corpos adicionava certa magia às expressões do amado e, por vezes, Seunghyun se pegava apenas acariciando seu rosto, traçando suas expressões com a ponta de seus dedos, memorizando cada detalhe daquele momento que compartilhavam.— Você é realmente... Encantador, hyung.— murmurou entre suspiros, abraçando-o de modo a puxá-lo para mais um beijo.
As mãos do Myo se arrastavam sobre o corpo alheio com devoção, suas carícias delicadas ao ponto de poderem ser comparadas às de um anjo. Sexo poderia não ser visto como algo puro mas, nos braços de Jaehwan, o garoto apenas via aquele contato como a forma mais autêntica de amor. A respiração pesada dele contra seu rosto, os afagos gentis, os beijos cristalinos... para si, era a imagem perfeita da serenidade que o amado lhe transmitia. Embora ainda sentisse a vermelhidão em seu rosto, a vergonha se esvaía de suas veias aos poucos, o prazer provocado graças ao atrito de seus corpos preenchendo sua mente, de modo a não deixar espaço para quaisquer considerações pessimistas. O que lhe importava era sentir Jaehwan, conhecer seu corpo, registrá-lo em suas memórias, e amá-lo. Os gemidos alheios levaram um sorriso aos lábios de Seunghyun, que não hesitou em beijá-lo, quadris ainda se movimentando em um ritmo lento, satisfeito ao perceber o que conseguia provocar no outro. Conseguia sentir-se sendo envolvido pelo perfume do maior, sua boca apenas saboreando o gosto dele, e suas mãos apenas sentindo a pele dele. E, durante toda sua vida, tais sensações foram as únicas a lhe prover com tamanho sentimento de segurança. Estava protegido ali; amado da maneira mais prazerosa que podia imaginar. Seu peito parecia ser comprimido, mas era uma sensação viciante, que pareceu agilizar o deleite que lhe invadia a cada contato insistente entre ambos. Aquilo era o amor.
Sorriu ao ser deitado sobre a cama, o colchão macio fazendo maravilhas com suas costas, enquanto suas narinas afundavam-se no aroma característico de Jaehwan. Chamou-o pelo apelido ao vê-lo retirando a blusa, suas palavras se dissolvendo em um meio gemido enquanto seus dedos tateavam o abdômen alheio, querendo sentir cada centímetro do físico do mais velho. Gemeu ao sentir seu lábio sendo mordiscado, lutando para que conseguisse um beijo, desistindo ao escutar as palavras tentadoras dele. Sua mente já encontrava-se entregue, e seu corpo era um belo reflexo daquilo: fios bagunçados, o suor escorrendo por sua testa, suas pernas se abrindo para acomodar a figura de Jaehwan... Não conseguia formular nenhuma palavra, mas também não tinha a coragem para simplesmente se despir. Ainda assim, queria obedecê-lo. Agradá-lo. Tomando uma das mãos do moreno entre as suas, guiou-a até sua rigidez, enquanto seus quadris se movimentavam em um vai e vem provocante. Masturbava-se sem qualquer pudor, seus lábios entreabertos permitindo que uma variedade de gemidos se perdesse em sua boca e na de Jaehwan, enquanto tentava corresponder aos seus beijos.— Jaehwannie... Eu preciso de você.— implorou, suas costas se arqueando em busca de mais contato, enquanto seus olhos buscavam seus semelhantes. Queria ver as reações dele; vê-lo perdendo o controle ao ter Seunghyun tão maleável em suas mãos.