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Sex is beautiful !
Tradução
Que teoria hermenêutica ensina a interpretar seus olhos? Minhas interrogações percorrem com pressa cada detalhe Nada parece passar despercebido, me sinto lida, livro aberto (toda aberta)… Mas o que dizem seus olhos quando me veem? O que dizem quando estão dançando em minha frente? O que dizem quando piscam lentamente? Que teoria hermenêutica ensina a interpretar tão fascinante belez? Que idioma foi capaz de traduzir seu olhar? Busco desesperadamente um resposta para o enigma mais fascinante: suas pupilas dilatadas
Aryelle Almeida
Sophia de Mello Breyner Andresen João César Monteiro (1969)
“No que ao meu filme diz respeito, suponho que, antes do mais, ele é a prova, para quem a quiser entender, que a poesia nao é filmável e nao adianta persegui-la.”
Na foto, entre outros: Alexandre O'Neill, Eugénio de Andrade, Andree Rocha, Sophia de Mello Breyner, Vasco Graça Moura, Miguel Torga, Francisco Sousa Tavares, Alberto Pimenta, Pedro Tamen, Helena Vaz da Silva.
“Abraço é coisa tão séria que não se empresta, se dá. E quando os corpos se encostam, todos os chakras se tocam. Abraço é coisa tão séria que junta os dois corações: pode ecoar para sempre ou esvaziar por inteiro. Pois quando a gente abraça, traz para dentro a pessoa: com bagagem, passado, infância, viagens e o principal: seu perfume espiritual. E o que recebemos nem sempre é o que damos, por isso alguns são afagos que nutrem por um longo tempo e outros, desespero pra matar a fome, um devoramento. Recuso abraçar levianamente, abraço com meu enrosco de afeto demais, amor puro, corpo colado para o abraço ser sentido, ter sentido. Abraço que é de verdade pode até ser dado de longe, pois ultrapassa as esferas e desconhece distâncias, é todo feito de encontro. Abraço é coisa tão séria que há de ser doce, leve, divertido, espontâneo, mesmo quando acalanto, colo ou celebração. A gente agarra por impulso de carinho porque a sintonia é a mesma. E quando o abraço termina, quando ele é dado de graça, fica a cosquinha no peito, uma brisinha na alma e a harmonia instalada.”
— Marla de Queiroz.
tem um pouco de azul em tudo que eu amo
Me faz tua e me deixa nua veste meu corpo com seu amor enche meu mundo de cor.
E te olhar
Sorrindo assim Sem querer regar Essa flor que brota aqui Eu que nunca esperei Existir tanto em alguém Como só você existe em mim.
Que a poesia me cubra
Que a poesia me cubra o corpo
me cubra os ossos, me cubra a alma
e me proteja da completa insanidade.
eu tenho medo de amar você. eu tenho medo de me jogar do precipício e você não me segurar quando eu chegar lá em baixo eu tenho medo de isso me consumir inteira ao ponto de chegar no meu coração, minhas veias, meus pulmões e me sufocar eu tenho medo porque geralmente eu não atendo as expectativas e eu não sou muito boa em lidar com decepções. eu tenho medo de amar você porque… e se você não me amar de volta?
“Doença é Adolf Hitler Donald Trump e Jair Messias Bolsonaro. Doença é Benito Mussolini Eduardo Cunha e toda aquela cúpula de salafrários. Doença é o cinza nos muros de São Paulo e João Doria com a sua cara de quem engana sorrindo descaradamente em um programa de TV. Doença é ônibus lotado e gozo no ombro da pessoa ao lado. É a impunidade aos governantes do nosso Estado. Doença é Fome na África. Pastor Waldomiro Santiago. É ser negro e pobre e por isso ser sempre enquadrado nos padrões fracos que inventaram. Doença é encher as meias e cuecas de dinheiro e a reforma da previdência. Doença é querer curar amor.”
— Sobre “Cura Gay”
Da via à láctea 946 - poesia
Se eu encostasse
meu ouvido
no seu peito
ouviria o tumulto
do mar
o alarido estridente
dos banhistas
cegos de sol
o baque
das ondas
quando despencam
na praia
Vem
escuta
no meu peito
o silêncio
elementar
dos metais
Ana Martins Marques