Mudança de faixa
Mais uma vez estive em São Paulo, na sede da FEPAI, onde fui submetido e aprovado só exame para 2 kyu, faixa azul, de Aikido.
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Mudança de faixa
Mais uma vez estive em São Paulo, na sede da FEPAI, onde fui submetido e aprovado só exame para 2 kyu, faixa azul, de Aikido.
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Nova promoção
Neste dia (11/06/2017) estive em São Paulo mais uma vez para ser submetido a exame de faixa/kyu, junto com meus colegas de treino. Tudo ocorreu bem, e todos nós fomos promovidos. Desta forma alcancei o 3*Kyu (Faixa Verde) de Aikido, junto a Fepai! Mais um passo rumo ao aperfeiçoamento de meu Budô!
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Vídeo de ataques do Aikido Uma das minhas primeiras postagens foi de ilustrações de técnicas básicas de Aikido, incluído aí os ataques que o Uke executa sobre o Tori/Nage.
Ne waza no Judô Existe todo um mimimi de que o Kodokan Judô não tem Newaza, ou de que ele é pouco eficiente, incompleto, falho, coisas assim.
Promoção
Neste último domingo (dia 11/09/2016) estive na sede da FEPAI, em São Paulo, prestando exame para o 4º kyu de Aikidô (faixa roxa). Fiquei um BOM tempo na faixa amarela, por diversos motivos não pude fazer o exame antes, o que foi uma pena. O lado bom é que tive bastante tempo para treinar e pude realizar uma boa apresentação para a banca de examinadores. Aparentemente eles gostaram do que viram –…
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Sokaku Takeda, o demônio dos Aizu
Sokaku Takeda, o demônio dos Aizu
Nascido em 10/10/1859, em Fukushima, membro do clã Aizu, clã samurai famoso por sua valentia e técnica marcial, era o segundo de quatro irmãos. Seu pai, Sokichi Takeda, possuia conhecimentos em lança, bastão longo (Bo) e espada, além de Sumô, e ensinou o que sabia aos filhos. Depois vira Uchi deshi de um mestre de armas em Tokyo, chamado Kenkichi Sakukibara, do Jikishinkage Ryu, que lhe ensina…
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Oss? No Karatê é bem comum que os praticantes cumprimentem-se com um Oss. Mas até tempos atrás, nunca tinha visto isto fora do Karatê.
Poema de O-Sensei
Sinceridade! Cultive essa virtude e compreenda a verdade profunda de que o oculto e o manifesto são um
(more…)
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Jita kyoei desenhado, pra quem não entendeu ainda
Jita kyoei desenhado, pra quem não entendeu ainda
Me acusem de radical a vontade, mas o fato é que se uma pessoa diz praticar Judô e não sabe o que é Jita-kyoei, para mim ela não pratica Judô; é preferível não saber o que é O-soto-gari! Jita kyoei é, nada mais, nada menos, que, segundo o próprio fundador do Judô (palavras dele!), o objetivo final da prática do Judô. Sei que é chocante, mas não é ganhar competições o objetivo do Judô. Muitas…
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Jigoro Kano era filho de Jirosaku Mareshiba Kano, funcionário da Marinha Japonesa, e Sadako Kano, filha de um rico fabricante de sake. Tinha dois irmãos e duas irmãs. O sobrenome Kano vem da mãe: seu avô materno não teve filhos homens para herdar seus bens e continuar a familia, por isso Jirosaku consentiu em se tornar membro da família da esposa – um costume comum no Japão antigo, especialmente quando a família da noiva era mais influente ou mais rica.
Jigoro nasceu em 28/10/19860, em Mikage (hoje parte de Kobe), prefeitura de Hyogo. Diz-se que em seus primeiros anos de vida tinha uma saúde debilitada, e nunca cresceu muito, sendo que adulto chegou a apenas 1,50 m e cerca de 48 kg. Quando tinha 9 anos de idade sua mãe faleceu e no ano seguinte seu pai resolveu enviar ele e o irmão para estudar em Tokyo, afim de assegurar uma boa educação aos jovens. Tornou-e um aluno destacado, e estudou em vários e importantes colégios de então, mostrando um desempenho soberbo em idiomas (Kano viria a se tornar poliglota futuramente).
Jigoro Kano quando jovem…
…e mais velho, em uma imagem clássica.
Devido à sua baixa estatura, era frequentemente alvo de chacotas e brincadeiras maldosas dos alunos mais velhos (hoje em dia seria usado o termo bullying). Sentia-se incapaz de se defender de alunos mais velhos e mais fortes, o que feria sua honra. Começou a praticar esportes desde cedo (o Basebol, remo e ginástica, todos esportes ocidentais que foram introduzidos nas escola de elite em que ele estudava), visando se fortalecer, mas ainda não conseguia fazer frente aos colegas das escolas onde estudava em regime de internato. Certa vez, quando tinha 15 anos de idade, ouviu de um frequentador habitual da casa de sua família, Baisei Nakai (que fora membro da guarda dos Shogun anteriormente) que o Jujutsu que era antigamente praticado pelos Samurai era um ótimo exercício físico, e que dava condições de um homem mais fraco defender-se de um mais forte. O sr. Nakai fez uma pequena demonstração das técnicas para Jigoro Kano, e este pediu para ser seu aluno, ao que o sr. Nakai recusou veementemente, dizendo que Jujutsu era uma coisa antiquada e que não deveria interessar a alguém do status de Kano. Acontece que Kano lembrava-se que o antigo porteiro da casa de seu pai (Ryuji Katagiri), assim como um homem chamado Genshiro Imai eram conhecedores de Jujutsu, e visitou ambos buscando este conhecimento, e ambos disseram o mesmo que o sr. Nakai. Jigoro Kano falou então com seu pai, que ficou surpreso pelo interesse do filho, e lhe contou um pouco sobre a história do Jujutsu, sobre as escolas e sobre seu surgimento, mas tentou desestimular o filho da prática, igualmente.
Jigoro Kano gostava de roupas e costumes ocidentais, mas sempre foi enfático quanto à necessidade de preservar os costumes antigos japoneses, como o canto, o teatro e também do Budô.
Decidido a encontrar um professor por conta própria, Kano começa a pesquisar por Tokyo, enquanto continua seus estudos. Em 1877 ingressa na Licenciatura de Literatura da Universidade Imperial de Tokyo. Nesta época ele ouviu falar que muitos dos antigos mestres de Jujutsu haviam se tornado osteopatas, e ele passa a procurar em clinicas de osteopatia por mestres de Jujutsu. Sempre que encontrava uma, entrava e perguntava sobre o Jujutsu, mas era sempre mandado embora. Em uma das clínicas que visitou, porém, logrou resultado: o osteopata que ali atendia chamava-se Teinosuke Yagi, e informou que havia aprendido o estilo da Escola Tenshin Shinyo de Jujutsu com o Mestre Isomata Emon, e que tinha inclusive licença (e vontade!) de ensinar, mas que não dispunha de espaço para isso, sendo que estava apenas tratando as pessoas com osteopatia. Mas escreveu uma carta de apresentação para o único mestre que ele conhecia que continuava na ativa, Hachinosuke Fukuda.
Fukuda também trabalhava com osteopatia em sua clínica, mas possuía um espaço maior, e ali Jigoro começou a treinar Jujutsu, após dois anos procurando um mestre que o aceitasse como aluno. Seu pai não ficou contente com a insistência do filho, mas deu a sua benção à prática, desde que Jigoro lhe garantisse que aprenderia bem a Arte. Naquela época Fukuda tinha 7 alunos regulares, sendo dois considerados avançados, mas todos os alunos treinavam juntos. O método de ensino de Fukuda desprezava explicações e apelava para a prática: assim, para ensinar um aluno, Fukuda o derrubava dezenas de vezes, até que este conseguisse entender o funcionamento da técnica. Acostumado com o método de ensino ocidental, Kano estranhou essa metodologia.
Os treinos eram brutais, causando constantes dores em Jigoro, mas mesmo assim ele treinava todos os dias, nem que fosse sozinho. Os treinos de Fukuda tinha Kata e Handori, e entre os alunos o que era mais difícil para Jigoro Kano derrubar era um tal de Kanechiki Fukushima, que pesava mais de 90 kg e era muito forte. Um amigo de Kano, Rysusaku Godai, sugere que ele deveria usar golpes de Sumô para tentar derrotar Fukushima, e sugere que Kano busque aprender algumas técnicas com o cantineiro da universidade, que era praticante de Sumô, um homem chamado Kisoemon Uchiyama. Uchiyama lhe ensina alguns golpes, avisando que a forma de combater do Sumô e do Jujutsu são diferentes, e Kano tenta usar estas técnicas em Fukushima no próximo treino, mas não consegue. Frustrado, Kano decide pesquisar em manuais ocidentais de Wrestling, onde vê uma ilustração de uma técnica que ele julga poder funcionar. Treina ela com seu amigo Godai, e tendo dominado o movimento, tenta por em prática contra Fukushima, logrando exito. Kano acabara de criar uma nova técnica, que ele batizou de Kata-Guruma.
Em 1879 o então ex-presidente do EUA, Ulysses Grant, visitou o Japão em sua viagem de volta ao mundo. Como parte da visita, ele assistiria uma demonstração de Jujutsu. Fukuda foi escolhido para dirigir esta demonstração, e ele escolheu dois de seus alunos, Kano e Godai, para demonstrarem Handori, enquanto ele e um outro mestre do mesmo estilo, Masamoto Iso, demonstrariam o Kata. Grant e sua comitiva se mostram entusiasmados com o Jujutsu, achando que este deveria ser mostrado para todo o mundo, e cumprimentam aos quatro com apertos de mão. Mais tarde o Mestre Fukuda diz aos alunos que os mestres do passado fizeram bem em criar e administrar o Jujutsu, mas que os jovens como eles é que deveriam levar esta arte para o resto do mundo.
Apenas 9 dias após esta apresentação, o Mestre Fukuda morre (com 52 anos), e sua viúva diz que Jigoro Kano deveria continuar a ensinar na escola, algo que ele aceita com relutância. Ele herda os pergaminhos secretos do estilo, e torna-se responsável pelo Dojo, com apenas dois anos de prática. Este fato cria muita pressão sobre ele, que decide procurar o Mestre Iso (então na casa dos 60 anos) para continuar seus estudos, pois acreditava que tinha de ter excelência para poder ensinar. Iso aceita Kano como aluno com alegria, e também se oferece para auxiliar nas aulas do antigo dojo de Fukuda. Nesta época o dojo já contava com 30 alunos.
Em 1880 o Estilo Yoshin de Jujutsu realizou uma demonstração na Universidade Imperial, e Jigoro Kano pediu para fazer Handori com Ichimon Tozuka, filho do Mestre Hikosuke Tozuka, muito famoso na época. Durante o Handori, Kano sentiu a força do estilo Yoshin, e percebeu que o futuro do Jujutsu não estava na separação em várias escolas que preservavam segredos, e sim na união das melhores técnicas de cada uma e na sua evolução. Achava que somente assim lograria sucesso na ideia que Fukuda havia plantado em sua cabeça, de espalhar o Jujutsu pelo mundo.
Jigoro Kano bolou o keiko-gi como uniforme de treino, pois considerava o Hakama que era usado até então muito desconfortável.
Em junho de 1881 o Mestre Iso veio a falecer, e no mês seguinte Kano obtêm seu diploma universitário. Ainda achando que precisava de um professor, Kano chega até Tsunetoshi Iikugo, mestre do Estilo Kito de Jujutsu. Este estilo era bem diferente do anterior que Kano havia estudado, e dava grande enfase ao combate com armadura e às técnicas de arremesso. Com a aprovação de Iikugo, Kano funda em 1882 seu próprio dojo, onde passa a apor em prática sua ideia de modernização do Jujutsu. O próprio mestre Iikugo visitava o dojo, fundado dentro de um templo budista, duas a três vezes por semana, a fim de dar instruções – os primeiros 9 alunos de Jigoro Kano vieram todos do dojo de Iikugo, com quem Jigoro Kano continuou treinando até 1885. Neste mesmo ano torna-se reitor de um importante colégio, passando a moderniza-lo. Seu sucesso permite que galgue diversos degraus na carreira docente, ao longo da vida. Torna-se também um diplomata por excelência, e grande entusiasta dos esporte em geral, tendo sido o primeiro japonês membro do Comité olímpico Internacional. É considerado no Japão com Pai do Judô e da Educação Física Integral. Em 1881, por exemplo, fundou o primeiro clube de Basebol do Japão, esporte este que é um dos mais praticados no país no dias atuais. É possível achar facilmente linhas do tempo com os diversos títulos, graus e conquistas que Jigoro Kano alcançou ao longo de sua vida, onde podemos ver como se dedicou à Educação, aos esportes em geral e ao Judô em especifico.
Kano treina com seu aluno Kyuzo Mifune. Um dos principais objetivos do Judô, para Jigoro Kano, era a formação do caráter!
Veio a falecer, vitimado por pneumonia, em 04/05/1938, a bordo de um navio que voltava do Cairo, onde participou de uma conferência do Comitê Olímpico Internacional. Jigoro Kano foi um dos mestres mais influentes do Budô. Sua escola, o Kodokan, era um centro de estudos marciais, na época. Se não tivesse sido por ele, muito do que que conhecemos do Budô e das artes marciais poderia ser muito diferente.
Jigoro Kano estava a poucos meses de completar 78 anos quando faleceu em alto mar. Foi um dos mestres mais importantes das artes marciais em todo o mundo, modernizou e padronizou o Jujutsu, criou o Kodokan Judô, e foi um defensor da Educação de modo integral e de uma cultura de paz.
Leia mais:
http://www.fpj.pt/o-judo/a-vida-de-jigoro-kano
https://marcosnascimento5.wordpress.com/2012/01/20/infancia-de-jigoro-kano/
http://punhodafenix.blogspot.com.br/2010/04/biografia-de-jigoro-kano.html
Jigoro Kano Jigoro Kano era filho de Jirosaku Mareshiba Kano, funcionário da Marinha Japonesa, e Sadako Kano, filha de um rico fabricante de sake.
É um cena comum ao assistirmos competições esportivas: após muito esforço e desgaste, um dos competidores (ou todos com exceção de um) perde, e outro ganha. Emocionado pela vitória, o vencedor da gritos de alegria, comemora com a torcida, se ajoelha, agradece aos Deuses, faz diversos gestos com as mãos (socos no ar, coisas assim), e, dependendo da sua índole e do respeito (ou da falta de) que tem pelo adversário, de alguma forma o humilha, o xinga, o despreza.
Tomando por exemplo o Judô, nele a vitória pode ocorrer por 4 formas diferentes: (1) o adversário é, por algum motivo, desclassificado ou fica impossibilitado de continuar a lutar; (2) o tempo acaba e você tem mais pontos que seu adversário, ou é escolhido como vencedor pelos árbitros por terem considerado que você lutou melhor; (3) você consegue fazer seu adversário desistir da luta através de uma chave de braço ou estrangulamento, o que se considera um Ippon; e finalmente (4), você consegue arremessar o adversário com força, técnica e velocidade, e ele cai com toda a costa no chão, fazendo com que você consiga marcar um Ippon. No Judô basta um Ippon para vencer um combate (noutras artes marciais esportivas pode ser necessário mais de um… no Kendô, por exemplo, é disputado pelo melhor de três). Muitas vezes, o que se vê logo após uma vitória no Judô (e em diversas outras artes marciais), são cenas como estas:
27/10/2011 – Guadalajara, México – XVI Jogos Pan-americanos – Judô – Na foto, o atleta Tiago Camilo comemorando a conquista da medalha de ouro, logo após o combate contra o cubano Asley Gonzalez, no Ginásio CODE II.
Parecem naturais, não? No futebol, no basquete, no atletismo, todos comemoram do mesmo jeito… qual o problema? O problema é que futebol, basquete, atletismo, etc., não são Budô. São esportes competitivos ocidentais, e não estão sujeitos a uma ética diferenciada, como no Judô. Para um Budô que prega o bem estar social, o uso racional das forças e a união entre as pessoas para construir uma sociedade melhor, fica meio estranho que numa competição, que deveria ser tão somente uma oportunidade de se testar em um simulacro de combate real para saber se suas técnicas são eficientes ou não, haja um desrespeito tão grande pelo outro.
Claro, pode-se argumentar que não há desrespeito, que é uma comemoração pela vitória, mas que logo depois o vencedor vai cumprimentar o perdedor, e que está tudo bem. Mas não é bem assim, no caso do Budô, ou não deveria ser. Existem vários pontos para se argumentar neste sentido, sendo os três a seguir os que considero principais:
Como dito, a competição no caso do Budô serve para emular um combate real, ou o mais próximo disso que as regras de cada modalidade permitirem, para usar as técnicas aprendidas. No caso do Judô, o fundador, Mestre Jigoro Kano, disse que numa competição não é a vitória que importa, e sim o esforço desprendido para tentar alcança-la. O que isto significa? Que você deve dar o melhor de si, manter o espirito marcial,ter treinado com afinco e usar seu conhecimento do melhor modo possível. Vencer a luta em si não importa: Se o perdedor lutou muito melhor, usou mais técnicas e demonstrou mais garra, mas perdeu por questões de regras, ou pelo uso excessivo de força por parte do vencedor, a vitória do vencedor não tem valor real, enquanto a derrota do perdedor possibilitou sem crescimento, pessoal inclusive. Este é o objetivo, não marcar pontos…
O combate numa competição é emulado, segue regras rígidas, e muitas vezes os competidores treinam pensando nestas regras, não na questão marcial. Assim sendo, um dangai de Karate pode derrotar um faixa coral e campeão mundial de Judô numa competição com as regras de Karate. A vitória numa competição é parte de um jogo, é lúdica, não tem valor real.
Tendo em vista que o derrotado é, tal qual o vencedor, um seguidor do mesmo caminho que o seu, espera-se companheirismo, ou no mínimo empatia por ele. Ambas sabem o que cada um pode ter passado para chegar ali, as centenas de uchi-komi, os treinos físicos puxados, o quanto caiu e levantou, o quanto pode ter se machucado. Porque, diante da tristeza do que perdeu, você fica vibrando? Poderia ter sido você ali, caído. Entender o que significa o Ippon pode ajudar a entender este ponto.
E o que significa um Ippon?
Nas antigas práticas do Bujutsu (artes marciais japonesas), não haviam competições – estas eram reservadas ao Sumô, que tinha um outro contexto. Até podiam haver combates mais amigáveis, mas via de regra disputas para descobrir quem era o melhor eram regidas pelo regra do Shinken-Shobu – a luta até a morte. A regra era simples nestes casos: o primeiro que morrer perde. Lutava-se com o máximo de esforço, porque ser derrotado significava que você iria morrer, e dependendo de haver armas ou não na luta (e geralmente havia), era comum que o vencedor acabasse morrendo depois, em decorrência dos ferimentos que poderia ter sofrido na contenda. Qualquer coisa era possível de acontecer em combate: jogar areia nos olhos, uso de veneno nas laminas, golpes poucos usuais ou em pontos fracos (alguém pensou em escroto? Eu sim…), etc. O perdedor não tinha como reclamar num tribunal desportivo, não havia como cancelar um ‘ponto’ concedido errado, e não havia punições por ‘faltas’. O Kenjutsu e o Jujutsu preparavam os Samurai para o Shinken-Shobu, para continuar vivo. Ia-se para a guerra ou para o duelo com o mesmo desejo: o de cortar a cabeça de um inimigo.
Mas entre os Samurai imperava um código de honra não escrito mas muito importante: o Bushidô. Eles consideravam que seguir o Bushidô era mais importante até do que viver, colocando a Honra acima da Vida. Os Samurai se respeitavam. Se deixarmos de lado um certo romantismo que ronda estes antigos servos guerreiros do Japão, veremos que nem tudo eram flores, que haviam sim muitos Samurai desonrados, mas no mínimo a ideia que imperava era a de respeito. Quando dois Samurai se enfrentavam, tinham em mente os conceitos de justiça, coragem, compaixão, cortesia, sinceridade, honra e dever (as 7 virtudes do Bushidô). Ao vencer, o derrotado conservava respeito, quase um luto, pelo adversário derrotado. Ele valorizava o homem que matou, não a vitória que obteve. Valorizava a vida, não uma medalha. E acima de tudo, mantinha Zanshin! Ele pode ter trespassado o adversário com uma lança, mas o que garante que num ato de extrema força de vontade o ‘derrotado’ não vai se erguer e conseguir forças para cortar a garganta do ‘vencedor’ com uma faca enquanto ele comemora dando soquinhos no ar, se ajoelhando e abrindo os braços?
Claro que em tempos de paz ou na sociedade moderna algo assim seria considerado brutal. Lutar até a morte é algo que soa como ficção para a imensa maioria das pessoas de hoje em dia. Durante o processo de modernização das antigas artes marciais japonesas, surgiu o Ippon-Shobu, a luta pelo ponto (não mais pela vida). A ideia era restringir certos golpes perigosos, oferecer alguma proteção aos agora competidores e estabelecer regras mais amplas, em uma luta onde, ao se conseguir um golpe que, se fosse uma situação real, o adversário com certeza teria sido derrotado, ou ao se conseguir um golpe perfeitamente aplicado, o que o fez marcava um Ippon, um ponto. Mas, apesar disso, deveria se lutar sob as regras de Ippon-Shobu com o mesmo espirito que se tinha no Shinken-Shobu, incluído aí o respeito pelo adversário derrotado, pois é como se ele estivesse morto. Você não deveria fazer festa e ficar pulando de alegria diante de um homem recentemente morto, e mais ainda, morto por você mesmo, não? A não ser que você seja um psicopata, sei lá… Claro, ele está tão morto/derrotado quanto você foi vitorioso no Ippon-shobu, em relação ao Shinken-shobu (vish… não sei nem se eu entendi o que eu quis dizer agora! Quis dizer que a condição de vitorioso/derrotado no Ippon-shobu é tão virtual quanto as regras deste são uma emulação de um combate real de vida ou morte, o Shinken-shobu).
Imagina cair assim no asfalto? Dava pra rachar a cabeça… Isso é Ippon.
A ideia básica, na verdade, é que seu ‘adversário’ só tem este nome dentro do Shiai-jo, apenas por alguns minutos. O tempo todo ele é um companheiro, mesmo que seja de outro time, e merece respeito, na vitória e na derrota. Existe um simbolismo no Ippon-shobu, não é algo sem significado. Os golpes antigos do Kito-ryu Jujutsu não visavam derrubar o adversário de costas no tatame, e sim de cabeça no chão para que ele quebrasse o pescoço – ter domínio de jogar o adversário de costas mostra que você poderia, se treinado para isso, joga-lo de cabeça; a imobilização por 25 segundos garante vitória porque é um tempo estimado para, após imobilizar um inimigo, alcançar uma faca e matá-lo com ela, enfiando-a em pontos fracos da armadura, articulações, etc. Chaves de braço e estrangulamento garantem uma submissão atualmente (três tapinhas), mas antes iam até o fim… Seja como for, a adversário derrotado é alguém para respeitar, tanto quanto se respeita um Uke. Foi a derrota dele que garantiu sua vitória, ele está simbolicamente morto aos seus pés, sua vitória é uma emulação de vitória em um simulacro de combate e ambos são companheiros na jornada de aprendizado do Budô. Há mais a aprenderem juntos do que separados por rixas ou desavenças. E você e a sociedade crescem mais com respeito e solidariedade do que com a humilhação de outrem (mesmo que seja uma humilhação não intencional).
E termino a postagem com uma citação do Dr. Jigoro Kano que gosto muito:
“Nunca te orgulhes de haver vencido a um adversário. Ao que venceste hoje poderá derrotar-te amanhã. A única vitória que perdura é a que se conquista sobre a própria ignorância.”
Leia mais:
Decapitação de chineses por Japoneses durante o Massacre de Nanquim (tenha certeza de ter estomago para ver isso…)
A Vitória Total dos Japoneses, sobre inimigos capturados ou não (mais leve que o anterior, pode clicar a vontade!)
Chiaki Ishii, um dos maiores nomes do Judô no Brasil, repreende comemorações após vencer um adversário
Texto de um praticante de Kendô, outra visão sobre o assunto
Respeite seu adversário! É um cena comum ao assistirmos competições esportivas: após muito esforço e desgaste, um dos competidores (ou todos com exceção de um) perde, e outro ganha.
Jiu Jitsu Brasileiro
Já falamos sobre o Jiu Jitsu japonês (ou Jujutsu, como preferirem), o sistema de combate que os Samurai desenvolveram para situações onde uma espada não estava disponível ou não era suficiente. A fama do Jiu Jitsu japonês era mundial, isto já no século XIX. Existem explicações: O Japão foi até pouco depois da metade do século citado uma nação fechada, com uma cultura pouco conhecida pelos…
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Judô, Jiu Jitsu e Defesa pessoal O Judô ou Jiu Jitsu vem sendo considerado uma arte marcial eficaz para defesa pessoal há muito tempo.
As grandes escolas do 'Boxe' de Okinawa
As grandes escolas do ‘Boxe’ de Okinawa
Por Helton dos Santos
Nota: O termo Te, que compõe a palavra Kara-Te, costuma ser traduzido como Mão. Neste artigo, usando uma licença poética, resolvi traduzi-lo como Boxe, para nomear os estilos antigos de Karatê, quando a arte ainda se chamava simplesmente Te ou Tode, mas mantenho a tradução ‘mão’ quando compõe a palavra Karatê moderna. Meu raciocínio é o seguinte: Algumas escolas de Wushu…
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Levantando!
por Helton dos Santos
Às vezes, durante o treino, levantamos apenas para receber um novo golpe, para cairmos de novo… E de novo, de novo e de novo, até que ficamos cansados. Mas não podemos deixar de levantar. Por mais forte que tenha sido o último arremesso, devemos nos levantar e estarmos prontos para cair mais uma vez. Se cairmos 7 vezes, devemos nos levantar 8.
Até seria mais fácil ficar no…
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Os poderes do Ki
Os poderes do Ki
por Helton dos Santos
Son Goku com seu filho Son Gohan, ainda criança, no colo.
Quem curtia ver desenhos animados japoneses invariavelmente viu alguns personagens realizando façanhas incríveis com o poder do ‘Ki’. Em Dragon Ball os personagens davam muita importância à esta ‘fonte de energia’, que era até mesmo possível de quantificar e assim mostrar quão poderoso um personagem era. Son Goku e…
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Beleza Acho que não há quem não concorde que o Budô tem uma beleza intrínseca à sua prática.