Há poucos meses me deparei com uma situação interessante onde pude constatar como que através de uma “epifania”; que esses termos embora muito parecidos possuem significados profundos muito distintos. É como se houvesse uma linha tênue que separasse essas duas palavras. Parece algo estranho mas, pude compreender melhor como funcionam.
De acordo com o dicionário o termo amar significa: ter apreço, gostar muito, ter estima e tantos outras analogias. Já gostar, aparece com os seguintes significados: achar bom, deleitar-se, demonstrar carinho, afeto e assim mais um tanto de outros sinônimos.
Mas seria apenas isso? Quanto mais eu mergulhava nessa busca, mais eu percebia que havia muitas distinções entre si embora muitas das vezes, extremamente sutis. Percebi que amar e gostar não são a mesma coisa, mesmo que muitos tratem como sendo parecidos ou até mesmo iguais. Amar tem haver mais com aceitação, empatia, respeito mesmo que de forma distante. É procurar entender mais profundamente ou compreender como o outro se sente, se comporta e aceitá-lo tal como é sem precisar forçar a sua mudança, respeitando o seu espaço e para isso se colocando no seu lugar, procurando perceber através dos olhos do outro como pensa, imagina, sente ou age; algo até certo ponto, intangível. Já gostar seria mais no sentido de prazer seja físico, emocional ou mesmo mental que o outro proporciona, algo mais material. Sendo assim, eu pude perceber que existem quatro formas de parear esses termos nas relações que temos no nosso cotidiano. Ou seja, existe o amar e gostar, o ideal para qualquer relação interpessoal; nesse tipo de relacionamento, há o respeito, compreensão mútuas, uma busca numa mesma direção, onde também há o prazer emocional, físico e de idéias. Já na correlação amar e não gostar, existe o respeito, aceitação, empatia mas não há prazer de convivência próxima com o outro ou de estar perto. No terceiro tipo onde o não amar e gostar acontece, existe o prazer da conversa, da companhia, ou até mesmo físico, mas não há respeito, aceitação, empatia; um sempre querendo que o outro mude ou se adeque à força aos seus próprios interesses ou interesses da outra parte. E já no último tipo, há o não amar e não gostar onde decorre o desprezo total até mesmo pela própria vida. Parece estranho pensar assim ou mesmo até achar que possa existir tantas diferenças que passam despercebidas. Mas creio eu que isso decorre principalmente da sociedade que vivemos onde se convencionou que amar e gostar partem do mesmo fruto e que assim devemos aceitar, engolir tal como é. Mas ao dar espaço para reflexões mais profundas, é possível fazer distinções e até mesmo procurar se questionar se o tipo de relacionamento em que vivemos se baseia em amar e gostar, ou somente amar ou gostar. Isso, no meu ponto de vista, abre uma margem maior para o autoconhecimento, que em muitos casos é a chave para o entendimento. Como já diziam os filósofos da antiguidade: “conheça-te a ti mesmo.”Se conhecendo verdadeiramente, evitamos cair nas armadilhas provocadas pela falta de conhecimento individual que ocasionam em muitas vezes relacionamentos disfuncionais com os outros ou consigo mesmo. Uma vez que, o amar, a princípio deve partir dentro de nós mesmos, para assim ser externado.