mad n’writer
-S-sim - deixou suas coisas em cima de uma cadeira no canto da sala, e fez o que lhe tinham mandado, pegou um jaleco e um par de luvas, se arrumou e voltou para perto do maior. Um nervosismo tomou conta de Demian e se segurou para não passar mal quando foram abrir seu primeiro corpo, o cheiro de formol era forte, levava as costas da mão para o nariz, a fim de bloquear o odor, mas era impossível. Mas não iria desistir, foi até o final do horário, ajudando o mais velho, e teria certeza de que daqui a alguns dias se acostumaria com a rotina.
Quando tinha dado sete da noite, Dem estava exausto, e se largou no chão encostado na parede, olhando agora para as mesas vazias, suas luvas com marcas de sangue seco e com certeza seu cabelo bagunçado e fedorento. A experiencia em si, foi muito interessante, o menor estava acabado por fora, mas por dentro se sentia como uma criança sorrindo, pensando em como seu livro seria recheado de detalhes, graças ao Kyein. Com as últimas forças se levantou e procurou o outro, pensava se poderia ao menos lhe pagar um café, só não contava encontrar o mesmo falando sozinho, não que achasse estranho, mas ele estava dormindo e fez com que o menor soltasse um riso baixo.
A tarde foi bem mais produtiva do que esperava. Claro que tudo se tornava mais fácil quando se tinha uma ajuda, embora Kyein ainda tivesse a preferência por ficar sozinho em seu próprio Mundo cheio de fantasmas. Mas Demian havia se saído... Excepcionalmente bem. Lhe ajudou a carregar alguns corpos algumas vezes, depositá-los na gaveta. Percebeu seu incômodo com o odor local e com todo aquele sangue, ir embora aos poucos, como uma criança acostumando-se com os primeiros dias de aula. Chora no início, mas acaba se adaptando, certo? Quando enfim terminaram, soltou um suspiro fundo, retirando-se alguns segundos para a outra sala. Ao contrário do rapaz, queria sentar em uma cadeira ao invés de sentar no chão frio.
-Parece que o garoto foi de grande ajuda. -X
-E você pareceu gostar dele! -Y
As vozes sussurravam acima de sua cabeça, mas tudo o que fazia era esfregar as têmporas lentamente, enquanto as mandava ir embora. Estava realmente exausto. Sempre ficava, mas ensinar tudo a alguém novo exigia um pouco mais de sua paciência. Sem perceber, acabou pegando no sono. Ali mesmo, sentado. Um cochilo breve. Tão breve que nem mesmo lhe permitiu ter um sonho e o mínimo ruído (no caso, a risada do mais novo) serviu para acordá-lo. Piscou algumas vezes, fitando-o com o cenho franzido e as bochechas levemente quentes. -Você está liberado por hoje. Fez... Um bom trabalho. -Murmurou enquanto levantava. -Eu vou ficar o resto da noite para checar se mais corpos irão chegar. Manterei tudo organizado para amanhã. Boa Noite.














