❝ cold as the weather but beautiful as snow ❞
flowersinherhead:
Ouvia seu nome constantemente, fosse na escola ou em casa, todo mundo soando agradado ao pronunciar as letras de seu nome e quase era como se sussurrassem, um segredo. Ela nunca entendeu por que os coleguinhas de escola costumavam rodeá-la para fica falando seu nome, oferecendo uma flor a ela de cada cor diferente. Ela adorava, é claro, quem negaria presentes tão lindos? Com o passar dos tempos, porém, ela foi entendendo o motivo daquilo ter acontecido. Sua mãe dizia que era devido à sua beleza, que ela era exatamente como uma flor desabrochando, o momento mais importante na vida da flora. Chohee não acreditava que sua beleza fosse algo além do costumeiro, afinal de contas, ela se via como uma garota regular, que sim, gostava de se arrumar em algumas ocasiões, era meiga e doce e procurava sempre fazer a bondade com outras pessoas. Por isso, ouvir seu nome sendo dito pelo outro, não chegou a impactar a florista como muitos teriam presumido. Devolveu seu olhar com um carinhoso, sabendo que, por mais que fosse um sonho trabalhar numa biblioteca, o cargo de ficar ali dentro o dia todo e apenas falar com as pessoas, sem sentir o ar livre ou o cheiro de flores durante o dia era extremamente cansativo. Não estava com pena, porque sabia que um rapaz como ele podia simplesmente largar o emprego e ir a procura de um outro, um melhor, se assim quisesse. Não, ela estava sendo solidária. Suspirou aliviada com o veredito final, a apreensão de antes, de não poder emprestar seus livros por ter o cadastro suspenso evaporando. ❝ Isso é realmente adorável, agradeço sua compreensão. ❞ Talvez fosse exagero dela, mas quando ele se levantou, Chohee praticamente teve de dobrar o pescoço para fitá-lo.
Como ela própria não era tão alta, mas não baixa também, se viu desconfortada ao continuar encarando-o, o que era difícil devido à altura do rapaz. Não podia ser mais velho que ela, mas como deve ter crescido tanto a tal ponto? O pensamento a fez sorrir, seus olhos quase fechando enquanto eyesmile era formado. Aquela era uma de suas melhores expressões e não se surpreendeu ao ver o sorriso no rosto do rapaz. Fosse ou não em resposta ao dela, Chohee não perguntaria. Olhou ao redor, apenas para confirmar que ele ainda estava falando com ela e não outro funcionário, já que nunca haviam lhe pedido aquele tipo de ajuda antes. Mas como a florista não era de recusar ajudar, em hipótese alguma, Chohee se viu assentindo, pegando nos braços a pilha restante, fazendo seu caminho atrás dele, em direção à seção que conhecia bem. Em todos seus vinte e cinco anos, ou menos, desde os quatro anos, quando aprendeu a ler, Chohee tinha como meta ler tantos livros quanto podia, quanto fosse possível. E foi quando descobriu seu gosto pendendo mais para o romance, que ela passou a se empenhar mais, absorvendo os livros como uma esponja absorve água. Quando por fim pararam na primeira estante, onde o livro Mrs Dalloway seria guardado, ela olhou em sua pilha, vendo que o mesmo estava ali e o entregou a ele. Já tinha ido lá tantas vezes que havia memorizado em qual das estantes estaria cada livro. ❝ Desculpe, eu não sei seu nome? ❞ Gostar de romance podia ser algo extremamente ruim, se Chohee fosse uma sonhadora cega. Mas ela era consciente de que o que lia, era mais fantasia do que realidade, ela mesma provou da dura e amarga realidade antes. O diferencial era que tinha escolhido acreditar no amor porque… algo ruim havia acontecido com ela apenas uma vez. Enquanto aquilo não mudasse, sua visão sobre o amor seria a mesma, mas é claro, com alguma precaução. ❝ Realmente, acredito que isso tenha ficado bastante óbvio, não é mesmo? Sim, é um de meus pecados proibidos. ❞ Disse, sorrindo ao sentir as bochechas esquentarem devido à confissão embaraçosa, ou talvez fosse a escolha de palavras.
Faltou muito pouco para Jaebum sentir-se tonto com tamanha a doçura que brilhava nos olhos da garota. Sim, aquilo era um ponto ruim, no entanto, a beleza dela ainda continuava prendendo a si cada vez que se atrevia a passear o olhar por ela. De repente, por piedade, Jaebum desejou que ela notasse logo agora que ele não era o cavalheiro que ela devia estar esperando, desejou que ela fugisse, porque dificilmente a deixaria em paz agora que havia provado o verdadeiro sabor da beleza caótica. Enquanto andava, ele também a imaginou sob o escuro absoluto, sendo iluminada por suas fogueiras. Parecia ainda mais bonita. Quis pintá-la, desenhar a garota. Quis muito fazer dela eterna, bem como Mona Lisa. Suspirou, aproveitando para guardar um livro de sua pilha que ficava na mesma fileira que o livro alheio. — Im Jaebum. ― Respondeu em um tom até desinteressado. Os mesmos sobrenomes continuavam a lhe prender, era muita coincidência, o destino deveria estar brincando consigo, mas sempre gostou de desafios. ― Romances sempre parecem prender as pessoas, não é? ― Talvez, sim, aquilo fosse verdade. Mas as pessoas eram sonhadoras, aquelas que tinham esperanças eram as que gostavam de ler romances. Jaebum não os suportava. Romance adolescente então. O enojava de tal forma. Mas nada era pior que livros infanto-juvenis com as suas séries ridículas e enjoativas. J. K. Rowling quem o diga. Era difícil confiar na autora depois que ele descobrira ser ela a escritora de Harry Potter. Cada vez que um adolescente imbecil aparecia em sua mesa, devolvendo algum livro dela e dizendo que ele deveria MUITO ler, Jaebum sentia desgosto do tipo de leitor as pessoas pensavam que era.
― Confesso que li poucos romances e gostei de um número ainda menor. Romeu e Julieta é um deles. ― Continuou o assunto, desviando para a próxima prateleira. ― A verdade é que eu me foco muito em livros de cunho filosófico e político. ― Ler O Príncipe, de Maquiavel, era um belíssimo exemplo de sua estranhava obsessão por livros do tipo. Também adorava reler A Ética Protestante e o Espírito do Capitalismo e outros parecidos. Mas ela não tinha cara de quem lia esses livros por puro prazer de ler. Mordeu o lábio ao passar por uma fileira inteira de livros de Sociologia. ― O último livro que li que não fosse algo do tipo foi Madame Bovary. ― Verdade, em partes. O livro não era um dos melhores, mas parecia ser um clássico. Era bom a medida de contexto histórico e como colocava a igreja e toda a moral da época para queimar. Sorriu de canto, os lábios se repuxando em um sorriso discreto ao lembrar do hype com apenas aquele livro. ― Se pudesse me recomendar alguns livros. Seu favorito talvez? ― Então voltou a fixar o olhar nela, fazer-se de interessado no que ela dizia quando na maior parte do tempo estava interessado por sua beleza. Era até mesmo difícil se concentrar. A sua posição ganhou a visão alheia na lateral e ele suspirou. ― Você realmente faria bem mais sucesso que a Mona Lisa como um quadro meu. ― Suspirou meio bêbado, sonhando acordado. No entanto, continuava a guardar o próximo livro.











