DEFORMIDADES FLEXURAIS ADQUIRIDAS
Seguindo a partir do post relativo às deformidades congênitas, falaremos sobre as deformidades flexurais adquiridas!
As deformidades flexurais adquiridas ocorrem desde os primeiros dias até os dois anos de idade do animal. As principais articulações acometidas são: articulação interfalangeana distal, a articulação metacarpo-falangeana e rádio-cárpica-metacárpica. As deformidades adquiridas são as mais frequentes e os sinais costumam aparecer depois do desmame. Na maioria das vezes acomete os dois membros anteriores dos potros e causa quadros graves, impossibilitando a movimentação normal.
Geralmente é desenvolvida a partir de situações relacionadas à dor, como ferimentos, infecções nas articulações, nos ossos ou nos cascos. A dor provoca um reflexo para evitar que o membro toque no solo, o que resulta em contração dos músculos flexores e posição alterada da articulação. Alterações alimentares também são importantes no desenvolvimento das deformidades, seja por superalimentação quanto raçoes não balanceadas. Fatores genéticos que influenciam no crescimento rápido também estão envolvidos.
O diagnóstico é feito a partir dos sinais clínicos e das estruturas atingidas, e na identificação de fatores predisponentes. Nos casos mais graves, radiografias e ultrassonografias são úteis para avaliar o nível de comprometimento das estruturas, informação importante para determinar o tipo de tratamento que será feito e acompanhar a evolução dos animais após o tratamento.
1. Deformidades flexurais interfalangeanas
Este tipo de deformidade envolve o tendão flexor digital profundo e pode ter muitas causas presentes no mesmo animal. Os principais sinais clínicos incluem alterações de tamanho e posição dos talões. As deformidades flexurais interfalangeanas podem ser classificadas entre grau I, grau II e grau III, que variam entre discreta elevação do tendão, até o apoio completo da região cranial das articulações no solo.
Imagem - Deformidade flexural interfalangeana
O tratamento clínico deve ser baseado na associação de terapias e mudanças de manejo, como correção da dieta, baixas doses de anti-inflamatórios para aliviar a dor do animal, exercício controlado, proteção dos cascos, imobilização com gesso e extensão da pinça. A aplicação de extensões nas ferraduras é uma das formas mais efetivas de tratamento, pois protege a pinça e evita seu o uso excessivo. Além disso, distribui o peso do animal para as porções posteriores do casco.
Imagem - Extensão do casco utilizando material acrílico.
O resultado do tratamento para cavalos jovens com deformidades leves ou moderadas é bom. Se após 3-4 semanas de tratamento não se observar nenhuma melhora relevante, indica-se a cirurgia. Geralmente se realiza o corte do ligamento, mas em casos mais graves se realiza o corte dos tendões, nesses casos os animais só devem ser utilizados para trabalhos leves.
2. Deformidades flexurais metacarpo / metatarso-falangeanas
As deformidades flexurais metacarpo-falangenas podem ser causadas por um encurtamento do tendão flexor digital superficial ou do tendão flexor digital profundo, o que limita o retorno da articulação à posição normal. Esse tipo de enfermidade também pode ser classificada em grau I, II ou III, a depender do quanto a articulação estiver desviada.
Quando apenas o tendão flexor digital superficial encontra-se envolvido no processo, o cavalo terá emboletamento (projeção cranial da articulação). Esta apresentação proporciona sobrecarga na articulação, predispondo a região a graves traumatismos. O animal apresentará claudicação variável, tendendo a um forte movimento da articulação. O principal grupo acometido é dos potros que são submetidos à superalimentação e exercícios para serem vendidos precocemente.
O tratamento consiste na associação de mudanças de manejo, utilização de fármacos, casqueamento e ferrageamento corretivos, ferraduras com barras verticais e fisioterapia. Os resultados dos tratamentos cirúrgicos nas deformidades flexurais da articulação metacarpo-falangeana são menos previsíveis que nas deformidades interfalangeanas distais. Tanto o corte de ligamentos, quanto o corte de tendões podem ser realizados. Nos casos de deformidades graves, dificilmente consegue-se a corrigir a lesão, porém as deformidades leves tem resolução que veria de acordo com a resposta ao tratamento escolhido.
Imagem - Fisioterapia em equino.
3. Deformidades flexurais cárpicas
Deformidades flexurais cárpicas adquiridas costumam ser resultado de trauma com posterior desuso ou não sustentação do peso sobre o membro acometido. O carpo, com o tempo, se torna restrito à posição flexionada.
Imagem - Deformidade flexural cárpica compensatória por lassidão tendínea nos membros pélvicos.
O tratamento para as deformidades flexurais cárpicas em potros é baseado na eliminação da causa primária, e se o problema for reconhecido precocemente, o tratamento conservativo geralmente é efetivo. As deformidades podem demorar semanas ou até meses para serem corrigidas. Talas, bandagens ou a utilização sistêmica de antibióticos podem auxiliar o tratamento. Em casos que não respondem à terapia clínica, o corte cirúrgico de tendões específicos pode ser realizado com bons resultados.
Imagem - membros corrigidos após cirurgia (secção de ligamentos e tendões).
No nosso próximo post vamos abordar as Deformidades Angulares dos Potros! Clique AQUI para conferir.
CORRÊA, Rodrigo Romero; DE ZOPPA, André Luis do Valle. Deformidades flexurais em eqüinos: revisão bibliográfica. Ensaios e Ciência, v. 5, n. 5, p. 37-43, 2007.