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@neurose-absurda
A escrita é o que fazemos com o que sobra do naufrágio.
As vezes prostrado, outras amarrado
Outrora fora amado, depois descartado
Fora dito que jamais sofreria
De certo o faria, mas não poderia
Pois a angustia é bendita ao homem condenado
Refaz sua trilha, ao largo passo dado
A vida é sobre experiência.
É sobre sentir o vento atravessar a pele num dia quente.
É sobre ouvir Céline Dion berrando Love Can Move Mountains e você acreditar por 3 minutos que pode mesmo.
É sobre deitar com o ar ligado, música tocando, e existir sem precisar provar nada pra ninguém.
No final, é sobre conexão.
Com os outros.
Com a arte.
Com aquela versão criança sua que ainda acredita que dá pra explorar o mundo como se fosse um mapa de RPG.
É sobre se tornar quem você já era, antes do mundo começar a te dobrar.
É sobre construir sentido onde não havia manual.
Tipo pegar caos e transformar em poesia.
Tipo pegar dor e transformar em música.
Tipo pegar um estágio e transformar em degrau.
Não é sobre evitar a escuridão. É sobre aprender a acender pequenas luzes dentro dela. Pequenas mesmo. Às vezes é só um shake de aveia com banana às 7h da manhã segurando sua sanidade como um guarda-costas nutritivo.
No final, a vida é sobre presença.
Sobre amar apesar do risco.
Sobre continuar apesar da dúvida.
Sobre criar apesar do medo.
E sabe o mais subversivo?
A vida é sobre permitir-se ser múltiplo. Herói e vilão do próprio filme. Luz e sombra. Drama e ficção científica ao mesmo tempo. Meio Star Wars, meio documentário existencial indie.
Olhei a sacada.
Ela estava vazia.
Mas não era ela.
Era eu querendo estar ali.
O vazio que me incomodava não era o dela.
Era o meu, projetado nela.
Fui visto. Por mim mesmo.
O menino que ainda chora
Chorou como há muito não chorava. Não de raiva, nem por birra — mas daquele choro antigo, sem idade, o choro que nasce do nada e de tudo ao mesmo tempo.
Lembranças voltaram como vultos no corredor da memória. Ele, parado, deixava que passassem, sem força pra correr, sem vontade de lutar.
"Por que choras, oh menino que tanto já sofreu e não aprendeu?" E ele não respondeu. A pergunta era também resposta. O peito estava cheio de perguntas órfãs, dessas que ninguém responde, mas que doem só de existir.
A música tocava ao fundo, Moby – Memory Gospel — como se o mundo inteiro o entendesse, mas mesmo assim permanecesse mudo.
E ali, no escuro do próprio quarto, ele entendeu: a dor não era o fim. Era só a maneira que a esperança tinha encontrado de continuar resistindo.
Eu não entendo
Verdadeiramente, não faz sentido
Tudo foi incrivelmente orquestrado
Pelo caos que havia passado
Embora, talvez, algo tenha ficado de lado
Fora! Fora! Fora!
Ressoou fulminante no cerne do eu
Eu sucumbi
Mas me diz, o que foi que eu fiz?
Me perdoe se frívolo fui
Se falei ao teu coração espinhos sem luz
Não senti a tua dor ao falar, ou se
Não consegui segurar o ímpeto repetino de te amar
The string that passes through all things
Há um buraco no meu peito, talvez ele nunca será preenchido, talvez eu nunca consiga remenda-lo, é por ele que o vazio se expande e muitas vezes é no meio dele que eu me perco, uma falta imensa de mim mesmo e de quem eu já fui algum dia.
Algumas noites em Varsóvia.
Fragmentos de uma Amizade
O tempo passa, e os laços se tornam fios finos, mas não se rompem. Hoje, lembrei de ti – daquelas tardes em que o futuro era só uma ideia, um sonho a ser conquistado. Hoje, vejo tuas vitórias e me perco em uma saudade silenciosa.
A distância não apaga o que fomos, mas me faz enxergar o que ficou: os risos, as conversas que não voltam, os momentos em que, juntos, parecíamos imortais.
De longe, sinto o peso da saudade, mas também a leveza da certeza de que a amizade não precisa de presença, apenas de lembrança. E assim, te acompanho, mesmo que não haja mais um café entre nós.
Because nothing stands still in the damn circle of life!
Tenho percebido que minha suposta depressão é apenas o sintoma da ausência do viver verdadeiramente que me falta. Repentinamente, notei faíscas em mim, e foi lindo.
Na sala vazia, um canto brilha só,
A luz tímida enfrenta a escuridão que se espalha,
Cada sombra sussurra um eco maior,
Enquanto a luz, teimosa, se agarra à batalha.
A sala é um palco de luta e conflito,
Onde a escuridão dança ao redor da pequena luz,
Mas mesmo no canto mais restrito,
A luz persiste, recusando-se a se reduzir.
Assim é a alma, na vastidão do ser,
Com brilhos que insistem, mesmo em face da escuridão,
Pois é na luta que se encontra o viver,
E na resistência, a nossa força e redenção.
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"Love is the Devil..." by Junaid Mortimer