hipnotizado por aqueles olhos, a cada segundo q passava apetecia-me arranca-los, guarda-los preciosamente na minha mala, aqueles olhos que atravessavam de maneira tão singular a carcaça de pose e palavras, aqueles olhos, lembras? aqueles olhos que um dia também te trouxeram paixão, sabores, trocas de línguas, aqueles olhos que tu lembras, que tu ainda choras aos sábados. aqueles olhos! aqueles, aqueles olhos que tu ainda sentes faltas queria guarda-loa, sufoca-los, abraça-los, para que não saíssem não me abandonassem, não andassem com outros, com outras olhassem outros corpos, olhos deveria guarda-los, isso! guarda-los só para mim, mestre da minha própria escravidão, a cada segundo apetecia-me baixar as suas pálpebras discretamente pintadas e beija-las, covarde e guerreiro, hipnotizado pelas palavras e mãos, paralisado pela batalha entre o dever e o querer, paralisado pelo subconsciente ainda suficientemente agonizante, castrando as a impulsividade mórbida do desejo e da liberdade da liberdade, de não mais olha-los, não mais ama-los. o que deveria fazer? continuar, desistir de querer? deveria abandonar aquilo que gosto, cansar de sofrer? me diga você.
I.











