Meu cérebro psicótico me distancia da realidade imposta pelos demais humanos. Não sei me adequar subitamente. Tenho um gênio forte que é difícil de se deixar levar por opiniões simples e inexpressivas, então não sei me manter sóbrio para as visões do mundo comum. O mundo e sua mesmice. Suas artimanhas para me deixar para baixo têm me cansado durante esses anos que venho respirando, e provavelmente continuará me infernizando durante o resto da minha vida banal e medíocre, sem propósito nenhum, tanto em terra, tanto em outra vida. Coisa que eu não acredito que exista, de fato, mas não vamos discutir sobre isso. Hoje tentei dormir à tarde depois de ouvir o meu próprio silêncio, que coincidiu com minha respiração pesada e acabou transformando tudo isso em uma sinfonia de pensamentos desagradáveis – logo mais, quando fechei os olhos. Eu não penso sobre nada interessante. Eu já nem sei mais qual a definição correta para algo interessante. O que é interessante, afinal? Ninguém consegue me responder, me deixando nessa dúvida incansável de ter que conquistar uma liberdade condicional do meu ânimo que ficou aprisionado lá no fundo do meu cérebro insano, de tanto pensar. Eu preciso dormir para descansar, e preciso descansar para dormir, porque o sono vem acompanhado de sonhos e pesadelos que tento pôr no papel no dia seguinte, depois de uma bebericada no meu café quente e de contemplar o silêncio que vaga na sala enquanto o cigarro queima sozinho no isqueiro. Me entreguei ao uso do tabaco quando era adolescente, mas só me entreguei ao uso das palavras quando meu coração foi estraçalhado e jogado no lixo. O cigarro ainda me deixará viver por alguns anos, e ainda tem a capacidade de relaxar minha mente por alguns minutos sempre que o levo até a boca e deixo a fumaça brincar com meus pulmões. O meu medo é não conseguir ressuscitar os meus sonhos e me engasgar eternamente com as palavras. Esses pequenos versos que tumultuam a minha racionalidade não me deixam ir além.
Junior Lima. (via inverbos)











