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hayley williams — photographed by elise joseph james, makeup by brian o’connor
Autumn Sonata (1978) dir. Ingmar Bergman
TR-10 analog computer by Electronic Associates, 1966.
(National Archives)
Mês passado, durante um encontro, ouvi uma frase que continuou ecoando muito depois de a conversa acabar.
"Eu não estava preparado para a autenticidade que você transmite. Você é tudo o que eu dizia querer. E, quando acontece, eu realmente não sei como agir."
Na hora, sorri.
Depois fui embora carregando essa palavra como quem leva uma pedra no bolso.
Autenticidade.
Durante muito tempo achei que autenticidade era simplesmente mostrar quem se é.
Não é.
Autenticidade é sobreviver ao que acontece depois.
É descobrir que algumas pessoas não se afastam porque você mudou.
Se afastam porque você deixou de ser familiar.
Nem todo mundo suporta encontrar exatamente aquilo que dizia procurar.
Passei mais de quinze anos alisando o cabelo.
Quando voltei ao meu cabelo natural, achei que estava mudando apenas a aparência...
Não estava.
O corpo também guarda biografias.
E existe uma violência silenciosa em olhar para o espelho e perceber que ele chegou antes de você.
Foi isso que mais me assustou.
Foi a sensação de que algumas pessoas começaram a enxergar uma mulher que eu ainda não sabia sustentar.
Como se ela tivesse saído de dentro de mim antes que eu pudesse alcançá-la.
Como se o mundo acreditasse nela antes de mim.
Talvez crescer seja exatamente esse atraso.
Entre quem você já é...
e quem ainda consegue bancar ser.
Entre a previsibilidade de controlar a percepção do outro...
e a afrodisíaca aventura de voltar para a própria vulnerabilidade.
Soltar.
Existe outra parte dessa história que ninguém conta.
Autenticidade também é suportar que algumas pessoas prefiram a sua antiga versão.
E continuar mesmo assim.
Talvez a coragem não seja descobrir quem você é.
Talvez a coragem seja sustentar quem você é quando já não existe mais caminho de volta.
[10dec16] 044\365: nacht und träume (12o film, moersch se5 lith prints on fomaspeed)
Há anos eu não tocava num giz de cera. Hoje meu corpo desistiu das palavras. Então minhas mãos continuaram a conversa.
.JeDanSe. ..................................... .. .
marina sena & johnny massaro by gabriela schmidt
Diane Givry
Anna
Marina Abramović - Balkan Baroque (Bones), 1997
composites 030626
old images reworked
by Luo Yang
from Let’s Sit Down Before We Go by Bertien van Manen (1991–2009)
-no credits-