Lembro das noites surrealistas de Panchigua
Dos carros flutuando sob a noite, em volta da montanha
e me sentir diante de um quadro em movimento
um lindo quadro surrealista
e ter que lembrar que ali naquela escuridão havia uma montanha
porque naquele ambiente parecia tão natural que aquelas luzes pudessem flutuar pelo céu
toda magia era possível
lembro do afeto, da simplicidade
do silêncio da noite, do carinho da noite, do calor da presença
de me sentir tão em mim estando com os outros
de me sentir em família
acolhida.
Minha primeira e mais deliciosa maça colhida do pé
Da beleza da cerejeira que sempre me dava bom dia e me fazia sorrir
De sorrir e brincar
e ter em volta milho, espinafre, cidrão
foi lá que eu vi como é possível viver sem plástico,
viver do que se planta.
E descobri, numa linda e pequena flor com cheiro de mel, um grande e verdadeiro amor.
Também vi uma linda montañita ser devorada por máquinas em busca de pedra.
vi a solidão do campo
e a exaustão da cidade que deseja o campo.
dancei, toquei, cantei e fui feliz no carnaval de Guaranda,
Foi lá que a solidariedade me abriu portas, mais uma vez, pelos instrumentos que eu carregava.
Me recebeu de braços e sorriso aberto.
Tortilha de trigo, de maíz,
pipoca, plátano maduro e muitos caldos.
Cozinhava amor buscando entregar gratidão.
O banho na mata com a água que vinha do chão.
Ver a importância e a potência de cuidar desse chão.
Como me senti acolhida em Panchigua,
Sai de lá com lágrimas nos olhos, mas sorriso no rosto e no coração.
Vi a montanha se movimentando conforme eu avançava na estrada,
mas sabendo que não era ali que a história acabava.
Panchigua foi um divisor de águas.











