Eu me esqueço do blog porque a imagem de Diara preenche minha cabeça mais do que eu gostaria de admitir.
Bem, não a imagem. Mas a ideia dela.
Eu imagino que ela seja uma pessoa de personalidade forte, pois, ao inverter o jogo depois que se recusou a mandar coisas que ela não gostava dentro da caixa, dessa vez era ela que tinha que estabelecer um tema para o que trocaríamos.
E foi um tema um tanto quanto desafiador, digno de uma pessoa de personalidade forte, como eu imagino que ela realmente seja.
Junto vieram recortes de revista. Imagens de pessoas, dando a entender que ela falava de aparência, mas sem ser terrivelmente especifica a ponto de eu conseguir, digamos, apontá-la numa lista de fotos dos meus vizinhos.
Mas ainda assim, é um risco. Eu entendi o que ela queria, e era o meu medo: querer que a gente se conheça de modo convencional, com olho no olho e conversando normalmente, coisas na qual não sou bom.
Eu sei que não é certo esperar de um estranho as mesmas coisas que eu, mas ainda assim, eu não sei se estava pronto para isso. Iria contra meu projeto.
Isso foram coisas que eu debati por alguns dias até decidir contornar o tema de Diara e enviar a caixa com recortes confusos que atendiam o pedido sem atendê-lo por completo. Era o melhor a se fazer, ao meu ver.
Coloquei a caixa no elevador na sexta, e não tirei fotos. Como disse antes, foi a ansiedade e o pensamento em Diara e o jeito que ela está pegando a experiência e tornando-a parte dela também, o que, suponho, faz parte. Mas a caixa está com ela, e eu aguardo o retorno. Não sei do que, mas aguardo.