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Apesar de manter um sorriso em seu rosto, o humor de Laurel pareceu mudar rapidamente quando o assunto era Erik - seu tom de voz quase assumindo um ar melancólico. ❝ Hawk? I don’t know him. ❞ Fox forçou um sorriso, mesmo sabendo que a amiga estava correta. Se ela estivesse no papel de Christensen, ela também tomaria conta de seu ex. ❝ Mas você sempre foi uma pessoa melhor que eu, Laurel, fico feliz em saber que o Erik está bem. Acho que eu tenho esperado receber notícias negativas ultimamente. ❞ Fox estava se arrumando melhor no sofá, quando sentiu um objeto bater em seu torso. Soltando um gritinho involuntário, a garota rolou os olhos quando percebeu que era apenas um pacote de biscoito. ❝ God damn, Poe, não se joga as coisas sem avisar antes. ❞ Se estendendo um pouco, Hayward recuperou o pacote de biscoito rapidamente, antes de deitar-se confortavelmente no sofá mais uma vez. ❝ Duas vezes my ass. ❞ Fox murmurou, enquanto abria o pacote e escutava o amigo contando suas fantasias.
O barulho repentino a assustou e, pulando do sofá, a garota jogou a coisa mais próxima em direção do som - o pacote de biscoito. ❝ HOLY- Hawk? ❞ A mutante correu em direção do recém chegado, antes de perceber o que estava fazendo. ❝ Uh.. meus biscoitos. ❞ Explicou, apontando para o pacote caído perto de Radburn antes de se abaixar e pegar sua comida. ❝ Será que você pode arrumar água pra mim, ou algo do tipo? ❞ Perguntou, analisando o garoto de cima a baixo discretamente, voltando para seu lugar no sofá uma vez que estava satisfeita com a aparência de seu ex. Fox negaria até a morte, mas o alívio que sentiu ao perceber que Hawk ainda estava bem era grande.
Seu coração tinha parado completamente de bater. Ou será que batia rápido demais? Não saberia dizer, pois em um momento um pacote de biscoitos o acertava e uma dor incômoda se espalhava por pontos variados que não saberia dizer onde e no momento seguinte não sentia mais nada com Fox vindo rapidamente em sua direção. Seus braços abriram-se instintivamente, mas ela logo parou e pegou o objeto aos seus pés enquanto Hawk ficava preso em um abraço não dado. Abriu a boca em um bocejo e fingiu se espreguiçar, tentando recuperar-se da vergonha o mais rápido que podia. Esperando um abraço? Não, não. Seria um absurdo dizer isso. – Porque eu sou o mestre da discrição, Laurel my dear. Quer dizer… Tirando todo esse lance da escada, mas é, é sempre bom ser recepcionado com palavras tão gentis e… – encarou Edgar que se matava de rir e ergueu uma das sobrancelhas – isso. – suspirou e fechou os olhos, uma lata de cerveja ainda gelada saindo da palma de suas mãos. Todo objeto começava como uma pequena bolinha e conforme ia o deslizando entre seus dedos sua massa se expandia e sua forma ia se alterando. Sua especialidade com toda certeza eram bebidas e armas, objetos mais complexos ou diferentes requeriam uma alta dose de concentração. Atirou a lata para ele e fez um cumprimento rápido de cabeça. – Cacete, eu devo estar com muita cara de barman de apocalipse mutante. – disse reclamando, mas não achando ruim de verdade fazer os objetos. Fazia tempo que não criava algo pelos outros. Fez surgir uma cidra de maçã em uma pequena garrafa plástica e a estendeu para Fox. Encarou Laurel e mordeu o lábio. – Laurel, o Erik… Você… Viu ele? – seu coração se apertou esperando a resposta. Erik era forte, disso tinha certeza, mas haviam tantas pessoas morrendo lá fora e em nenhum segundo deixou de se preocupar com seus amigos.
A brincadeira de Poe entrou por um ouvido e saiu pelo outro. As coisas definitivamente haviam ficado tensas entre Hawk e Fox e Laurel não precisava saber que não era só pelo pacote de biscoitos. Direcionou seu olhar para Fox, depois para Hawk, depois para Fox de novo e enfim para Hawk. Se a situação não fosse lamentável e ela mesma não tivesse se acertado com seu ex, até riria de Radburn, mas não estava em posição para isso. — Você se fez odiado pela cidade, não é nossa culpa reagir assim — deu de ombros. — Mas se quer saber, é bom ver mais um conhecido respirando e com todos os membros do corpo no meio disso tudo. — Com a menção de Erik, voltou a se encostar no batente, os braços cruzados. — Vi, nós estamos escondidos na sinagoga. Erik levou uma facada e eu o encontrei quase morto, mas ele tá bem agora, não precisa se preocupar — garantiu, no tom de voz mais calmo que conseguia expressar, embora não houvesse tanta tranquilidade em seu timbre assim. Se havia uma coisa que Laurel nunca seria, com certeza era calma. Atenta, observou Hawk criar os objetos que Poe e Fox pediram e algo estalou dentro de sua mente. Aquilo era ótimo para que pudessem sobreviver. Não, não ótimo. Perfeito. A ideia que surgiu em sua mente a agitou e a telepata descruzou os braços. — Radburn, você é mais útil do que eu imaginava — começou, dirigindo-se até o centro do cômodo, com a expressão pensativa. — Vocês sabem que temos mais chances de permanecermos vivos se nos juntarmos, não sabem?
Enquanto os outros conversavam sobre Erik, o irlandês manteu-se quieto mais uma vez, usando a bancada como impulso para sentar no parapeito da janela. Precisava admitir que o silêncio era bem out of character para Poe, que nunca perdia a oportunidade de irritar Laurel e Hawk com piadinhas, mas com todo o caos que os rodeavam agora, era impossível manter seu humor imaturo; ainda assim, sempre deixava escapar um ou dois comentários carregados de sarcasmo. Dessa vez, apenas olhou para Fox com o sorriso torto e uma sobrancelha arqueada, tentando não rir do abraço que a garota rejeitou. Sustentou o sorriso por alguns segundos e então, novamente com o olhar vazio, voltou a observar enquanto o “amigo” criava uma lata de cerveja com as palmas das mãos, secretamente invejando o controle que ele tinha sobre seu poder. Olhou de relance para Christensen, desconfortável com o fato de que a telepata podia ouvir tais pensamentos, e quase não notou a lata de cerveja voando em sua direção até que esta estivesse a alguns centímetros de distância. Com dificuldade, agarrou a bebida e tomou dela um longo gole. “Laurel está certa, Radburn. Eu achava que você era inútil, mas agora vejo que cervejas de graça contam como uma utilidade.” comentou, ainda com o alumínio tocando os lábios. Não conseguiu evitar fazer uma careta com a continuação da fala da morena. “Sabemos? Porque eu tenho quase certeza que juntos não aguentaríamos dois dias sem estrangular uns aos outros. E quando digo ‘nós’, estou me referindo a você e a Acid Betty aí.”












