Acho que eu não tenho palavras certas para descrever o que eu sinto. Na verdade, as palavras existem, a verbalização da dor existe, e há inúmeros adjetivos, mas datilografar sentimentos, nos últimos meses, está sendo horrível. Parece que eu nunca sei as palavras certas, e fico em silêncio todo o tempo em que me presto a escrever.
Ouço, choro, grito, tenho sonhos nos quais estou praticando autoflagelo. Tenho vontade de sair por aí, me libertar de correntes psicológicas que me empurram cada vez mais para o solo.
Sinto o peso de ser a pessoa que, às vezes, nunca mudou; ela apenas esteve guardada dentro de mim porque eu fugi daquilo que me fazia mal. E agora eu estou angustiada, sufocada, presa a uma vida que nunca quis, com pessoas nas quais idealizei mudanças, com momentos que se repetem, enquanto preciso me manter em pé.
E alguma parte de mim começa, desesperadamente, a buscar por alguém enquanto vivo um eterno afogamento de sentimentos, mesmo sabendo que ninguém vai aparecer. E, no fim, eu morro de novo.
Então o sol nasce, e eu estou na areia de novo. Mas, como toda maré, ela vai subir, os alertas vão emergir, mas eu vou estar fraca o suficiente para não conseguir me levantar e caminhar para longe do mar. Então serei arrastada pelas minhas próprias dores, pelas lágrimas que tanto chorei, e, mais uma vez, eu vou me afogar no mar. E ninguém vai me salvar.
Às vezes idealizo, penso, questiono se ele me vê morrer de longe, se, em algum lugar, ele está em pé vendo a imensidão me engolir até que eu pare de respirar. Se meus gritos de socorro, meu desespero em me reerguer, o assombram no dia a dia. Se, às vezes, minha morte o faz sentir melancolia ou prazer ao vê-la, afinal, eu fui tão passageira quanto a semente de uma flor que voou pelo ar em busca de um solo onde pudesse ficar.
Faltam horas para morrer. O destino é o mesmo. A dor é a mesma. Mas ele não sabe que agora o circo cresceu, o ensaio principal se tornou categórico, e a estrela nunca deixou o seu papel.









