Se passaram três verões e eu continuo sentindo sua falta.
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@notoriouswhiteman
Se passaram três verões e eu continuo sentindo sua falta.
ultimamente minhas palavras tem sido simples, é terapêutico escrever dessa forma também. escrever sempre será terapêutico para mim. é legal também experimentar as rimas, apesar de eu sempre ter sido contra elas. talvez eu pare novamente, porém tudo o que precisa ser dito, precisa ser dito. brinque, experimente, desabe. faça o que quiser entrelinhas para se sentir bem.
parada em americana,
pensei em você como nunca.
rio paraná e cantos de sabiá,
uma distância e uma linha a pensar
de alguém que não soubera
não talvez na hora certa.
distante da brasa,
mas ainda longe de casa
toda clareza sobre você
se perdeu em um intervalo:
os primeiros dias de volta a são paulo.
as palavras tão duras,
toda violência da cidade ainda me captura,
sem consciência ou ajuda
nada entre nós foi exemplo de candura,
mas meu peso, fé e palavras até aqui
são puras.
a fossilized keyboard in norwich city centre
foi-me dito que viver é um ofício sagrado, tarefa árdua com recompensas no fim. virar-me contra janelas para o barulho do mundo, perceber a doçura de não produzir nada. passageiros de uma embarcação, construídos pela ironia ou pela graça; se o acaso nos jogou nesta dança, que dancemos com a languidez dos dias longos. perdoo o ontem pelo que ele não soube entregar. olhar o horizonte e não ver ameaças, apenas o fértil onde tudo recomeça: viver, afinal, é o único milagre que não precisa de explicação.
linhas largas e generosas talvez eu não precise procurar justificativas para o compasso sereno que hoje ganhei uma dignidade imensa em permitir-se o repouso, olhar o teto e ver apenas o nada, sem abismos. a vida é o desenho que o destino não traçou na pressa, descubro o prazer de colorir as margens. o peito leve, livre do peso das antigas preces; reconciliado com o tamanho do meu passo. a claridade invade a sala sem pedir licença, e percebo que a beleza não exige esforço, ela apenas se deixa fixar na pele sol de inverno que cura e aquieta.
ruído suave no fundo dos quartos
uma canção que se ouve através da parede.
rostos do passado perdem-se a nitidez do contorno,
são aquarelas borradas pelo próprio tempo.
seguro o cansaço como quem segura vidro,
esperando que a noite decida o rumo. não há esforço no amor que se desfaz em fumaça,
as coisas terminam sem o alarde de um trovão.
caminho devagar pelas calçadas úmidas,
onde a luz dos postes imita o brilho das estrelas frias.
se fomos feitos pelo sopro da sorte ou do capricho,
deixo que o vento decida a direção.
é bonito não pertencer a lugar nenhum
quando se aprende a flutuar na penumbra.
Deus me fez matéria que respira,
Sou um susto biológico, uma imensidão como todos
que tenta decifrar o luxo de presenciar tudo que a vida
Dizem-me que sou humano, e isso basta para tudo
mas a santidade reside no que não sei.
Olho para as mãos e vejo o mistério do barro;
não há culpa na criação, apenas o acaso do traço.
Se Ele me fez para os Seus próprios pecados,
renego a penitência e aceito o dia puro.
Amanheço sem moldura,
na audácia de ser apenas a coisa que sou:
o bicho que pensa, uma ausência que ama,
a criatura livre que o próprio silêncio formou.
Topiramato
Ele aumenta a atividade do GABA (o principal neurotransmissor calmante do cérebro, que diz para os neurônios desacelerarem) e também reduz a ação do glutamato (o excitatório).
Risperidona
Ela atua principalmente bloqueando receptores de dois neurotransmissores muito importantes: a dopamina e a serotonina. No TPB, picos de dopamina podem causar aquela sensação de paranoia, reatividade exagerada, desconfiança e impulsividade agressiva ou autodestrutiva.
Lamotrigina
No cérebro, as células nervosas conversam liberando substâncias químicas. Às vezes, há um excesso de sinais excitatórios (principalmente de um neurotransmissor chamado glutamato), o que causa tempestades emocionais e pensamentos acelerados. A lamotrigina age bloqueando suavemente os canais que liberam esse excesso de excitação.
Se para ser “apresentável” é preciso se esconder, quem é esse estranho que deixamos caminhar em nosso lugar?
Se o amor exige que sejamos um mapa desenhado por outros, quem sobra de nós quando a fronteira apaga?
Se a luz só nos toma quando não visamos objeto algum, por que a pressa em dar nome a tudo o que brilha?
Se a reza é o contato com o que não tem explicação, por que insistimos em pedir apenas o que a palavra alcança?
Se o silêncio é o que nos permite nascer, por que tanto pavor de finalmente ficar mudo?
Se a borboleta é uma pétala que aprender a trair a raiz, por que ainda tememos a fragilidade do voo?