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@nottheeviltwin
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assiti ao s04e10 de the bear e fiquei me perguntando se seria possível chegar ao ponto onde escrever deixaria de ser prazeroso e se tornaria apenas uma obsessão vazia de apreço real. eu precisaria publicar algo e ganhar o mínimo de reconhecimento profissional pra isso ou seria o peso do ostracismo que me levaria até esse ponto?
assustador.
sábado de plantão, trinta de agosto, diante de the bear na tevê do repouso, cansado depois de uma manhã cheia de pacientes trabalhosos
oi querido diário. long time no see.
uma lista-resumo do que tem rolado na minha vida desde a nossa última conversa:
1. eu recaí na cocaína;
2. recaí na pornografia;
3. recaí na tentativa de evitar procurar sexo vazio com pseudoheteros nessa minha incessantemente busca por autopreenchimento, ou quem sabe como forma de insegurança por achar que eles só vão querer meter em qualquer buraco e não ligar a mínima para os meus defeitos corporais, o que é estranho porque a assiduidade da academia foi uma das poucas coisas em que não recaí e continuo perdendo peso e definindo meu abdome e bíceps e me tornando a minha versão mais gostosa pelos padrões socialmente aceitos do que é ser gostoso (caramba, o que aquele guri falou sobre tamanho mexeu mesmo comigo, e puta que pariu nunca fez diferença antes - e eu tô um puta de um gostoso);
4. recaí no abandono aos estudos.
muitas recaídas, hein?
em minha defesa, não é como se eu tivesse voltado a usar cocaína como antes. não é como se eu fosse a rue. mas o que me fez parar de usar cronicamente foi justamente ver que todo mundo a minha volta acaba se estragando de um jeito ou de outro, especialmente em relacionamentos e na profissão, sem contar que naquele último surto eu usei desesperadamente por um fim de semana inteiro com medo de parar e ter toda a minha felicidade sugada pelo pós, esse maldito dementador que é o pós cocaina, e quanto mais eu usava mais ansioso eu ficava pelo pós e me senti infeliz até no ato de usar, e se eu usava para evitar a tristeza, então what’s the point? eu uso para transar com pseudoheteros de indole duvidosa, o sexo nunca é bom e ainda deixa um rombo na minha conta bancária. desregula minha rotina, me deprime por dias, me deixa sem vontade até das coisas que eu gosto, decepcionado comigo mesmo. what’s the point? chega a ser burro. mesmo que eu ainda não tenha atingido um ponto crítico no uso (o que todo viciado alegaria, mas eu realmente penso assim) e mesmo que todo esse autoflagelo seja mais um efeito da culpa cristã intrínseca a mim, ainda assim whats the point. buro burro burro.
menos mal, você pode até dizer, meu querido diário indulgente. todos esses questionamentos são sinais de que sua terapia tá fazendo efeito, você pode dizer. mas não. acho que não estou avançando na terapia. e a culpa é toda minha, por hesitar em me abrir, em me deixar decifrar, por não me permitir pensar nos porquês dos traumas, só nas consequências deles. preciso melhorar. não quero abandonar o joão.
sonhei com ele hoje. éramos amigos? namorados? o primeiro caminhando para o segundo? não sei, mas a sensação era boa. ele era baixinho e tínhamos um amigo baixinho também, com características semelhantes a ele, só que menos alternativo (ele estava de suéter kk) e não tão magro, fortinho até, e tinha uma garota com fenótipo árabe, e nós quatro éramos próximos e felizes e tínhamos uns aos outros em algum lugar de arvores grandes e cabanas, e mesmo no meio do nada não estávamos sozinhos porque tínhamos uns aos outros, e nem lembro o que estávamos fazendo mas estávamos felizes porque tínhamos uns aos outros. acordei feliz.
querido diário, pelo menos eu continuo escrevendo. isso está dando certo. é toda a minha fé.
post scriptum: estou vendo the bear e tocou essa musica e só me deu mais vontade de ir morar em uma capital grande onde eu não conheço ninguém e onde eu não sinta que já vivi tudo o que tem pra viver naquele lugar. novos relacionamentos. talvez bem sucedidos.
devia ficar aqui. casar com uma das técnicas de enfermagem, ter filhos, ficar velhinhos…
as vezes eu acho que o que me impede não é nem uma questão de sexualidade, mas de insegurança física. e tem outra coisa também, mais importante:
ainda haveria arte na minha vida? ler, escrever… ainda seriam importantes pra mim? melhor ficar sem mulher nenhuma. até sem homem nenhum.
ainda sobre lixo: tem uma cidade entre a que eu vivo e a que eu trabalho, a cidade da serenata. música no ar.
meio dia, na claridade mais intensa, o sol reflete nos plástico jogados a beira da estrada. parece um céu estrelado, só que de dia, e no chão. um caminho entre as estrelas.
também tem uma orla bonita lá. dá vontade de sentar em uma mesa de plástico com um litrão e um brega ruim.
(quero essa camisa pra mim)
tudo aqui me é tão empoeirado e sujo. no gramado, os pontos vermelhos que de longe parecem flores são apenas sacos largados de doritos ou rótulos de cervejas vazias. dá pra acompanhar esse rastro de imundice com os olhos fechados, seguindo o fedor de mijo dos bêbados.
minha terra natal não é assim.
ou talvez até seja. provavelmente é. mas o lixo de lá é mais familiar.
Tenho quebrado copos
Tenho quebrado copos é o que tenho feito raramente me machuco embora uma vez sim uma vez quebrei um copo com as mãos era frágil demais foi o que pensei era feito para quebrar-se foi o que pensei e não: eu fui feita para quebrar em geral eles apenas se espatifam na pia entre a louça branca e os talheres (esses não quebram nunca) ou no chão espalhando-se então com um baque luminoso tenho recolhido cacos tenho observado brevemente seu formato pensando que acontecer é irreversível pensando em como é fácil destroçar tenho embrulhado os cacos com jornal para que ninguém se machuque como minha mãe me ensinou como se fosse mesmo possível evitar os cortes (mas que não seja eu a ferir) tenho andado a tentar não me ferir e não ferir os outros enquanto esgoto o estoque de copos mas não tenho quebrado minhas próprias mãos golpeando os azulejos não tenho passado a noite deitada no chão de mármore estudando as trocas de calor não tenho mastigado o vidro procurando separar na boca o sabor do sangue o sabor do sabão nem tenho feito uma oração pelo destino variado do que antes era um e por minha força morre múltiplo tenho quebrado copos para isso parece deram-me mãos tenho depois encontrado cacos que não recolhi e que identifico por um brilho súbito no chão da cozinha de manhã tenho andado com cuidado com os olhos no chão à procura de algo que brilhe e tenho quebrado copos é o que tenho feito
Ana Martins Marques
no sonho eu mordo (de leve, mas mastigando) sua nuca como de brincadeira, mas ele alega dor. digo que não foi nada, que não machucou, mas logo vejo o contrário. há um talho de pele faltando, pequeno e delgado; cria casca e depois descasca, e fica preso em seu pescoço apenas por uma pontinha.
estamos no burned creek, acho.
complexo fraterno?
28/07
27 de julho, seis e trinta e oito da noite, sozinho em casa sujo de porra enquanto minha família está na igreja
se eu realmente escrever essa história (drogas que paralisam o mundo, ranger de dentes, anjos de pixels, eu, tão nu quanto o virgin), qual será o final feliz - a.k.a. o evento que marcará o fim dessa era de vícios e de luto e de incertezas a respeito da carreira, do amor e de tudo mais quanto é futuro?
será a publicação do meu primeiro livro? ou quem sabe eu, quebrado por dentro, ossos em farelos, encontrando o amor da minha vida? ou talvez só fazendo um sexo que não é bom apenas no campo das ideias, com o ideal perfeito de homem másculo e carinhoso que olhe nos meus olhos e me beije enquanto goza?
na real: alguma dessas coisas tem a mínima possibilidade de acontecer (de novo)?
atualização: indo embora de orocó de vez, quem sabe?
heteros are weird.
“heteros” are weird.
será que o hábito de sempre dormir enrolado no cobertor, mesmo nos dias de calor (a maioria, claro) tem relação de alguma necessidade intrínseca de sempre se sentir abraçado, nem que seja pelo toque do pano??
da pra tirar outras metáforas também. autoproteção. mudança. uma lagartinha enrolada em um casulo de linha ou algodão. talvez a borboleta esteja demorando demais.
fun fact: lena dunhan está me tirando da fossa onde a lorde me jogou (mentira lorde vc não tem culpa de sempre lançar um album que vai acabar virando a trilha sonora daquela fase da minha vida seja triste ou feliz e geralmente é triste logo você também não tem culpa de ser triste e na verdade eu adoro você por mais que você tenha traído a lena dunhan - foi mal lena dunhan mas acho que nem você odeia a lorde porque as vezes eu acho que na vida real você é do jeitinho das suas personagens).
uma lista de séries recentes para escalar com as unhas as paredes lamacentas da fossa.
agora como pode uma musica que começa falando sobre uma experiência que certamente nunca terei mexer tanto comigo?
…
surra de lorde e lena dunhan.
Nossa esqueci o quanto a lana dunhan pode ser intragável (julgando que a hannah e a jessica são de fato expressões da personalidade dela)
fun fact: lena dunhan está me tirando da fossa onde a lorde me jogou (mentira lorde vc não tem culpa de sempre lançar um album que vai acabar virando a trilha sonora daquela fase da minha vida seja triste ou feliz e geralmente é triste logo você também não tem culpa de ser triste e na verdade eu adoro você por mais que você tenha traído a lena dunhan - foi mal lena dunhan mas acho que nem você odeia a lorde porque as vezes eu acho que na vida real você é do jeitinho das suas personagens).
uma lista de séries recentes para escalar com as unhas as paredes lamacentas da fossa.
agora como pode uma musica que começa falando sobre uma experiência que certamente nunca terei mexer tanto comigo?
…
surra de lorde e lena dunhan.
segunda-feira, 14 de julho, em um quarto da segunda pousada menos balada de orocó (e a mais bonita, em minha opinião) pensando se convido algum pseudohetero mais tarde ou se passo a noite curtindo o prazer da minha própria companhia estudando cirurgia e escrevendo sobre acidentes de carros na chuva e lendo elvira vigna e vendo a nova da lena dunhan (e, se não ficou claro, até aqui tudo é título)
abaixo, o mesmo que aconteceu com o Stalion. só que sem a parte do banho. e sem a questão de ser uma especulação, porque eu de fato estava lá e expectei tudo (e palatei também, mas não vem ao caso da citação). ah, a bunda do garanhão ganha muito dessa aí.
ps: as vezes, quando leio elvira vigna, meus pensamentos do dia a dia ficam saindo na cadência da escrita dela. mimesis.
poderia ter sido muito pior.
mas ninguém nunca foi tão sincero comigo.
a size matter.
e tudo bem.
se em situações anteriores não foi problema, haverão futuras onde também não será.
só não preciso me submeter a qualquer cativeiro para me encaixar. hora de tirar o prazer só do campo das ideias; fazer ser tão bom quanto a fantasia.
ver onde te cabe, como disse meu anjo de pixels. olhar para esse pau.
am i ever gon’ love again?
geralmente ele vem e coloca o pau na minha boca e machuca minha garganta e me lambuza e se vai. não conversamos. hoje ele me perguntou sobre meu trabalho e se ainda uso substâncias. essa ultima foi em tom de bronca. it was kinda… cute?
sonhei com meu pai de novo esta noite. a segunda vez essa semana.
como sempre, os detalhes se perdem quando acordo. havia uma casa estilo colonial e o filtro do sonho era quente como as cenas de cem anos de solidão. só eu e meu pai estávamos na casa. ela era empoeirada, e a entrada da frente era íngreme feito uma rampa, mas não como se tivesse sido construída com esse propósito. era como se o chão tivesse se inclinado para dificultar a entrada das pessoas. eu precisava sair para trabalhar e comprar comida, mas era difícil voltar, escorregando no declive e na poeira.
overcompensating