Benjy tinha o péssimo hábito de ser extremamente curioso, o que constantemente entrava em conflito com seu instinto de autopreservação. Devia ser sua natureza corvina em sempre querer estar por dentro das coisas, e quando um dos quadros lhe contou sobre uma sala encantada escondida no castelo, decidiu investigar por conta própria. Após tentativas frustradas, a única coisa que ele encontrou foi uma sala abandonada com um armário que estremecia. Sentia o suor frio descendo pela sua nuca, e sua varinha estava empunhada firmemente. Não era um grifinório para se jogar na frente do perigo, mas também não era idiota. Imaginava o que poderia estar dentro de um armário daqueles, em uma sala que provavelmente só devia funcionar na época de Binns. Foi saindo da sala sem quebrar o contato visual com o armário, até que o armário se abriu com força e um grande vulto escuro saiu de dentro.
Um bolo de carne se amontoava no chão, com sangue saindo por todos os buracos, e a figura vagamente humana. Tinha uma teoria que explicava porque alguns insetos se mexiam após serem esmagados, e foi o que o lembrou. Sem perder tempo, o corpo se multiplicou, e ele percebeu que não era só um bicho-papão. Dois bichos-papões estavam presos no armário. Sua respiração ficou presa na garganta, vendo seu pior medo se retorcer e multiplicar diante dos seus olhos.
Veja bem, Benjy não era o tipo de pessoa que gostava de mostrar todo seu potencial, não era algo esperto a se fazer. Mas ele era bom, e ele sabia que magia ia muito além da relação entre o bruxo e a varinha. Seu medalhão com runas protetoras e combativas amornecia seu peito, o feitiço Riddikulus irrompeu de sua varinha e o corvino sentia a energia luminosa sair de si, obliterando os boggarts. Não perdeu tempo, e os prendeu novamente no armário. Em um minuto, ele achou que poderia dar um suspiro aliviado. No outro, viu uma vulto parado da na porta, e mas não conseguiu ver quem era pela falta de iluminação da sala.
— Tá fazendo o que aí paradx, esperando sua vez de enfrentar o boggart também? — Perguntou retoricamente, com sua típica expressão de deadpan.
“Estava me perguntando porque a porta dessa sala estava aberta, na verdade. Me lembro de dizer a professora Bones trancar bem para que alunos não fossem... curiosos demais.” Hécate disse cautelosa, sabendo o que realmente havia naquela sala, já que ajudou Amélia a trancar o boggart ali, só não esperava que ela fosse esquecer de trancar. A professora conjurou um chocolate e entregou para o aluno, que estava extremamente pálido, isso vindo de uma vampira. Os olhos azuis, graças a lente de contato, vagaram pelo rapaz e a morena franziu o cenho. “Parte de mim quer muito te perguntar o que você viu, mas acho que não seria legal para uma professora fazer isso com um aluno... Seria abuso infantil?” Questionou, rindo levemente pensando consigo que o rapaz a sua frente não tinha nada de infantil. “Bom, espero que isso sirva de lição para você, não deve entrar a onde não foi convidado. Sorte que era apenas um Boggart e você deve ter aprendido sobre eles em seu terceiro ano, se o currículo não mudou muito desde que eu era uma aluna...” a voz de Hécate agora era mais serena, sabendo que ele já deveria estar assustado demais e não tinha vontade de piorar a situação. “Bom, não vou tirar pontos ou dar detenção, acho que o ocorrido aqui já basta como castigo, o que me diz?”














