𝓱𝓪𝓿𝓲𝓷𝓰 𝓯𝓾𝓷?
nxeunseo:
Na dimensão do imaginário, em mercê das divergentes memórias, os dígitos percorriam pela leitosa derme, gotas de suor deslizavam, a respiração desregulada e a mente entregue a concupiscência solitária. Os toques cálidos ás paredes meladas e sensíveis, chamando em manha de sussurros, o nome responsável dos pensamentos pecaminosos. Quando esta cama se transformou em água? Afundava-se crescentemente em sua cobiça. Ábdita da sanidade, tomada pela lascividade, necessitada por sua satisfação. Movimentos ágeis, a sensibilidade aumentando cada vez mais. Ela estava perto, muito perto.
As vigorosas batidas a assustaram ao seu momento íntimo, fazendo com que em um pulo, os dedos molhados deixassem de trabalhar para que agora, arrumasse a roupa usada para o seu devido lugar. Vestida e em pé, aquela xingava á todas as divindades, sentindo o peso da culpa e constrangimento a abater, em tempo que ela escondia o corpo com o grande hobby e não demorasse para que respondesse o chamado a porta. Merda, merda, merda.
As mãos trêmulas em desajeito abriram aquela, revelando a figura que aquela mais do que conhecia. Não poderia ser real, apenas um pesadelo. Ver em sua frente, o motivo para todos os recentes sentimentos e pensamentos repletos de libertinagem e fantasias. Sim, seu rosto havia tomado todos os tons de vermelho, e sua mente não mais analisava nenhuma possível palavra. Apenas rezava para que o homem nada tivesse escutado ou suspeitado. Inocente ela, que foi recebida com a pergunta maliciosa, apenas querendo correr para longe e nunca mais vê-lo. O que dizer? Como reagir? Ela não sabia, não tinha ideia.
“S-sim, claro! Pode entrar sim.” Ela exclamou em total e puro desespero, rindo nervosa, mais desejando chorar. Aquele era o melhor que conseguia pensar no momento em dizer, logo abrindo espaço para que ele entrasse.
O homem era a sua punição divina, e ela tinha quase completa certeza daquela afirmação. Apenas estando ao mesmo cômodo que ele, a mulher já podia ver todas as lembranças a atropelarem como um grande ônibus desgovernado, que deixava-a atordoada. A secretária, morosamente criou uma certa distância do vizinho, sorrindo sem graça, agarrando o tecido do hobby em ansiedade. “Você veio se desculpar apenas, certo?” Ela perguntou apreensiva e tímida, se quer conseguindo o encarar por mais de dois segundos.
Hongbin mordeu o lábio inferior, tão forte que pode sentir seu dente causar uma injuria tecidual em sua boca. Estava controlado, o remédio fazia questão de o manter assim, porem uma parte de seu cérebro ainda estava atenta que Eunseo estava se tocando, e que sua surpresa em o ver deixava tudo pior para o lado dela. Estava nervosa, isso ele conseguia ver. Será ele o motivo de tantos gemidos da mulher? Sorriu de lado confirmando com a cabeça a pergunta da de cabelos escuros. ——– Sim. —— Voltou com sua feição séria. Tinha se esquecido por um momento que estava ali para falar sobre o que tinha acontecido e o quão arrependido estava pelo o que aconteceu. A tratou mal, isso não era de se duvidar, e o prazer que sentiu ao ter a sensação que ela cairia por sua causa ainda o perturbava, pois sabia que não tinha melhorado nada desde aquela noite e o remédio era somente uma falsa sensação que estava tudo bem, algo que durava só algumas horas.
——– Pensei um pouco depois daquele dia, e sinto que preciso me desculpar com você. Eu saí sem nenhuma explicação e não te tratei como deveria. Espero que me perdoe, pois não está sendo fácil vir aqui, e dizer isso... na sua frente... ——– Ainda mais do jeito que está, a surpresa em seus olhos, o cabelo bagunçado junto com suas roupas, eu deveria estar te beijando agora, sabia? Não completou sua frase, como quis, porém, seus olhos em chamas a encaravam com desejo, queria a tocar, a beijar igual aquele dia, sentir seu corpo ofegante contra o seu, mas não estava na posição de tentar mais alguma coisa. Ou estava?
Se aproximou, em passos leves, da mulher que continuava parada. A cada passo, sentia a adrenalina correr em suas veias, algo que gritava para ele a pegar no colo e a prensar na parede mais próxima possível, somente para sentir o que estava querendo sentir. Se aproximou o bastante para colocar uma mecha do cabelo da mulher atrás da orelha, para observar seu rosto de maneira melhor. Sua mão agora segurava em seu rosto delicado e macio, com seu dedão acariciando sua bochecha. Um ato cuidadoso que trazia emoções e intenções mais profundas do que já estava na superfície. ——– Quero recompensar, de alguma forma. ——– Seu rosto se aproximou mais um pouco, mas não a encostando. Sabia que estava invadindo o espaço pessoal, mas não conseguia evitar. Faria o que Eunseo pedisse, se ela quisesse que ficasse, ficaria, se quisesse que fosse embora, iria. A decisão muda estava nas mãos dela, novamente. ——– Se tiver macarrão posso fazer um Jjajjangmyun pra você. ——– Riu anasalado, mas não se distanciou nem um pouco da mulher. A brincadeira foi feita somente para que a mulher soubesse que ele não tentaria nada que ela não quisesse, e que estaria disposto a passar uma noite com ela, somente conversando e comendo um pouco.
Algo até mesmo a se estranhar de uma pessoa como Hongbin, já que esse nunca se voluntariou em ficar com uma mulher somente para conversar, nunca ligou para isso e até mesmo hoje não liga, mas faria esse esforço se isso fosse o que Eunseo quisesse, apesar de que iria querer a beijar a cada segundo que se passasse. E ele esperava que ela soubesse disso. ——– Pode me mandar ir embora, se quiser, e voltar ao que estava fazendo, mas te garanto que com companhia tudo é melhor. ——– Seu comentário com duplo sentido tinha voltado somente para a provocar, e era isso que queria realmente fazer, mesmo que não admitisse para si mesmo.









