A testa franzida denunciava a preocupação em seu rosto, e os olhos observando cada parte do corpo alheio em busca de algo que poderia dar a resposta de Eunseo estar daquele jeito, de estar tão vulnerável a sua frente. Sentiu seu coração pesar assim que essa colocou uma certa distância entre seus corpos, e por um momento achou que estava a incomodando, até mesmo pensou em se sentar nos bancos da lateral da limousine para a dar mais espaço, para que ela não se irritasse com sua preocupação excessiva naquele momento. Mas a única coisa que fez foi continuar parado, esperando alguma ação dela para aliviar sua alma pesada de preocupação.
“Eu não preciso de um hospital”, Woobin não sabia se ficava aliviado ou mais preocupado com essa afirmativa. Queria sim levar a mulher para um profissional que faria uma anamnese e descobriria o problema, mas talvez a negação de seguir em direção ao hospital poderia indicar que a mulher já sabia do que se tratava tudo que acontecia com ela. Algo que foi confirmado quando a mulher tirou um frasco de remédios da bolsa, fazendo Woobin arregalar os olhos puxados, tendo sua angústia aumentada mais ainda, principalmente com as palavras que saiam da boca de Eunseo. O pedido de desculpas, a confissão, era demais para Woobin processar de uma vez, e acabou se sentindo um idiota por sua única ação no momento foi continuar calado com tudo aquilo. Não podia acreditar que tal coisa acontecia com Eunseo, nunca tinha ouvido falar de tal doença assim e provavelmente faria questão de fazer uma grande pesquisa sobre, somente para entender por completo tudo o que acontecia com o corpo de Eunseo quando a crise a atacava.
Woobin também tinha estresses, principalmente com o trabalho, já que tinha consciência de que muita coisa estava em suas mãos e que pessoas contavam com ele para fazer a magia acontecer, mas mesmo assim conseguia lidar com isso muito bem. Conseguia se livrar do estresse somente com 10 minutos de descanso e uma xícara de café forte que seus estagiários preparavam muito bem. Mas mesmo assim conseguiu imaginar o quanto ruim seria para Eunseo, principalmente em ter visto com os próprios olhos todo o esforço que tinha colocado em suas pesquisas sobre a empresa de seus pais, “deve ser difícil para ela” pensou, fechando os olhos, se sentindo um pouco culpado pela estresse da mulher. Deveria ter terminado o jantar muito mais cedo, evitado a brincadeira que poderia ter sido ruim para ela. Deveria ter feito mais, queria fazer mais, se sentia tão impotente que doía, e ver Eunseo naquele estado fazia Woobin querer cuidar dela, ajudar de qualquer forma.
Viu o corpo magro da mulher se curvar para frente e sentiu sua consciência pesar. Odiava aquela hierarquia que acontecia ali, e como Eunseo o tratava como se fosse um ditador perigoso onde precisaria andar em uma corda bamba. Não se importava com isso naquele momento. Levemente, segurou os ombros de Eunseo a erguendo novamente, fazendo seu tronco ficar ereto, e a abraçou. Um abraço que demonstrava toda a sua compaixão naquele momento, um abraço que dizia que ela não estava sozinha, mesmo que não a conhecesse sabia que foi difícil para ela contar sobre sua vulnerabilidade, ainda mais para um cliente que queria fechar um negócio a minutos atrás. Mas Woobin se sentiu agradecido, agradecido por ela ter colocado sua confiança nele, mesmo que talvez o momento presente a tivesse a obrigado a explicar.
Escondeu seu rosto no pescoço da mulher que exalava um doce perfume, murmurando logo em seguida. ——— Eu sinto muito por isso. —– Disse antes de se separar do abraço e olhar a mulher nos olhos. Estavam mais próximos agora, e sabia que tinha quebrado o espaço que a mulher tinha colocado entre eles, mas isso não parecia errado no momento. Pensou em como seria a beijar, será que ela esqueceria de sua dor assim ou somente iria piorar? Um dilema estúpido que logo foi esquecido quando Woobin se afastou e se esticou para pegar uma garrafa de água no frigobar ao seu lado, entregando para Eunseo em seguida. ——— Tome seu remédio, vai melhorar. E vou te levar para a casa. —- Disse compreensivo, pegando seu celular e mandando uma mensagem para Himchan, “Descubra onde a senhorita Eunseo mora e quando achar o endereço mande para o motorista do carro e peça para seguir o caminho”. Bastou 4 míseros segundos para Himchan responder um pouco desesperado, perguntando o que tinha acontecido, algo que Woobin logo o cortou, reforçando o que tinha o pedido.
Guardou o celular, voltando sua atenção para a mulher. ——— O motorista está indo em direção aonde mora. Tem alguém que possa chamar para ficar com você? Para não ficar sozinha? —— Deixar Eunseo sozinha era algo que não estava em seus planos, mas sabia que não poderia se oferecer para dormir em sua casa, até mesmo porque não se conheciam direito e isso somente iria deixar a mulher mais envergonhada ainda, mas não recusaria se caso ela pedisse, isso tinha certeza.
Difícil acreditar-se que em poucas horas, tantas coisas já haviam acontecido com a presença do homem. Sentia que, o mundo muitas vezes gostava de pregar peças, sendo aquela a única explicação para a causa de todos aqueles infelizes eventos. Ainda era de grande dificuldade, aceitar que em poucas horas, a mulher já havia causado tantas coisas. Talvez não tivesse sido a melhor das alternativas, em contar todo o motivo dos últimos acidentes, temia que tais fatos pudessem mudar a visão do executivo sobre o que aquele achava sobre a capacidade profissional da mulher, ela sentia medo, principalmente por ser uma figura com tanto poder como ele, mas já não sabia se aquele realmente era o feitio do homem.
Mesmo com todas as situações, ele manteve-se sempre compreensivo e prestativo, o que era uma surpresa. Eunseo, acostumada com executivos arrogantes, achava curioso o comportamento do mesmo, não só relação a tudo o que passou e como aquele lidou com os infortúnios, mas principalmente, como ele vinha tratando ela desde do começo da noite. Tudo era muito fora do comum para a coreana, especialmente como ela permitiu-se abrir com alguém que mal conhecia e como ela encontrava-se sentindo aquela mistura de ansiedade e nervosismo, afetando seus batimentos — esses que agora eram acelerados — e a forma como seu estômago reagia. Era apenas a sua doença, não era?
Ela sabia que, suas palavras não seriam o suficiente para recompensar tudo o que ele havia e estava a fazer por ela naquele curto espaço de tempo, apenas podendo contentar-se por demonstrar todo o seu devido respeito a figura masculina, contudo, sabendo a peculiaridade do comportamento do mais velho, esse mais uma vez a surpreendeu. O enlaço de seus braços tão subitamente a assustaram, fazendo-a paralisar em susto, chamando o homem um tanto confusa. “Vice-presidente, o que...” A sentença deixou-se incompleta após os vocábulos vindos do homem terem sido completamente ouvidos e entendidos. Era a primeira vez que, escutava tais palavras saírem de alguém, em particular sendo referidas a ela. Mesmo que questionasse a veracidade dessas, ao fundo, ela queria acreditar que essas haviam significado e intenção, pois mesmo que tão abruptas, condescendeu-se em reconfortar-se com elas.
Em sua normalidade, Eunseo não pensaria se quer duas vezes em finalizar e colocar barreiras em um contato íntimo como aquele, mas, ela sabia que aquela noite já não havia nada de normal e não seria aquele momento que tentaria mudar com tal atitude. Em hesitação, a destra feminina encontrava-se ao dilema em conceder contato, aquela que poucos centímetros estava para tocá-lo em retribuição a aquela ação, portanto, assim como rápido tudo começou, o seu final também surgiu ao mesmo passe.
Desnorteada mais uma vez naquela noite, faltou-se palavras para responder aquele que já estava a providenciar tudo para ela, antes mesmo que ela pensasse em pedir ou até mesmo impedir. Ela aceitou e agradeceu muda a garrafa entregue, não demorando para seguir as instruções dadas por ele. Encarou em segundos o pequeno comprimido, suspirando frustrada e a contra gosto o ingerindo junto a água, engolindo a contragosto. Estava feito, ela finalmente havia cedido a própria doença. Era para seu bem, certo?
O observou o quão concentrado ele estava ao telefone, com os dedos ágeis e olhos focados, ele era com certeza muito esforçado a tudo o que fazia, era admirável. Quando questionada, a secretária apenas sorriu fraco em melancolia. Queria responder que: não, ligar para os pais nunca era opção para ela, já sabendo que esses estariam ocupados com os próprios problemas ou até mesmo ocupados trabalhando para juntar mais dinheiro para seu irmão mais novo, esses que apenas a diriam: você sempre virou muito bem sozinha. “Eu não tenho realmente ninguém que possa chamar, mas, não tens que se preocupar. Tenho facilidade de lidar com tudo sozinha, e com o remédio, não acho que mais nada de ruim irá acontecer.” Pronunciou-se tentando ao máximo evitar que ela o incomodasse com mais alguma coisa.
Com o período de sua resposta e mais um par de minutos, ela já pode visualizar o prédio que tão bem conhecia, e a forma como o automóvel já diminuiu a velocidade. Morosamente, ela retirou o paletó do coreano de seu colo, o limpando com pequenas batidinhas, alisando-o e dobrando para que entregasse ao dono com seu último sorriso de despedida, junto a ele, essa encontrou tempo para retirar o cartão de visitas da própria bolsa. “Eu espero que possa-me permitir recompensá-lo algum dia vice-presidente. Caso queira qualquer tipo de ajuda ou favor, por favor sinta-se livre em me contatar.” Ditou ela, com o sorriso certamente tímido, já preparada para que saísse do carro. “És realmente uma boa pessoa, vice-presidente, eu realmente estou grata, encontro-me contente em saber que és com esse tipo de pessoa que estamos a assinar uma parceria.” Droga, Eunseo, o que estava falando? “Me desculpe por tantos problemas.” Com um último curvar, ela culpava-se por não saber mais o que propriamente dizer a ele, talvez nunca soubesse. Foi mesmo uma noite e tanto.