A sexualidade feminina na pexpectiva psicanalitica
Enquanto Freud compreende a inveja do pênis como algo primário na menina, resultado de seus investimentos masculinos que precisou abdicar, Horney acredita que a inveja do pênis é secundária, sendo uma defesa contra a ligação feminina da menina com o pai. A menina passaria por um Édipo negativo – fálico, com a mãe – antes de um Édipo positivo – com o pai. Porém Freud discorda da autora quando esta entende que a passagem do momento negativo para o positivo dá-se somente por meio de uma troca de objeto, não enfatizando os sentimentos hostis da menina para com sua mãe.
Klein é citada, no texto freudiano Sexualidade feminina como uma autora que propõe o complexo de Édipo já nos primeiros anos de vida, o que faz em Estágios iniciais do conflito edipiano, de 1928. Freud é categórico ao não concordar com a precocidade que Klein propõe para a conflitiva edípica – e todas as modificações teóricas que resultam desse deslocamento. O fundador da psicanálise entende que ainda não havia técnicas suficientes para se delimitar o que seria de influência biológica ou do ambiente.
Masoquismo “feminino” e sua relação com a frigidez, de 1930; e A homossexualidade feminina, de 1932. Freud demarca a mudança de posição da autora, que, de 1925 a 1930, passa a ver a atividade da menina na primeira fase pré-edípica não mais como uma identificação com o pai. Deutsch tem seus textos compilados em um livro intitulado A psicologia da mulher, mas essa obra reúne trabalhos posteriores aos que aqui nos interessam. No trabalho de 1931, Freud está inteiramente de acordo com as observações feitas por Deutsch em seu artigo sobre o masoquismo feminino, que entende que a menina faz a mudança de objeto da mãe para o pai via suas tendências passivas, enfatizando a hostilidade endereçada à mãe, que se encontra nesse processo. Já na conferência de 1933, Freud comenta o trabalho de Deutsch sobre a homossexualidade feminina, informando sobre sua observação acerca das relações homossexuais entre mulheres, que reproduziriam a relação mãe-bebê.
A feminilidade como máscara (1929), de Riviere, não é citado por Freud em seus textos sobre o feminino, mas sua importância para produções posteriores – esse trabalho é retomado por Lacan (1957- 1958/1998) em suas reflexões sobre a significação do falo – e sua genialidade foram determinantes nessa escolha.










