Just a little scar // M.T
Fiddio já havia retornado a cidade duas vezes, desde que se estabelecera na cabana com Lydia. Na primeira encontrara Aaron e salvara Tiffany. na segunda, apenas encontrara algumas pessoas, mas conseguiu se ver livre dos problemas, de modo que teve tempo para conseguir reunir alguma comida e kits médicos.
- Lydia! - Gritou, do lado de fora. - Cheguei! Não precisa me apontar o rifle! - Disse, com uma mochila jogada nas costas. Quando entrou na cabana se deparou com Aaron, e levou um susto. O rapaz já havia levado um tiro, cinco dias antes - o mesmo dia em que ele levara as facadas -, no ombro. Mas agora parecia ter levado mais um, dessa vez na barriga e estava mal. - Que merda é essa? - Fiddio apertou a cabeça do homem. - Ei! Vocês ingleses são todos uns imbecis. Aaron! Acorda! - Então tinha que dar um estimulante nele. - Seu filho da puta!
Acenou para Lydia, apontando as coisas no chão. - Ali tem kits de primeiro socorros descentes. - Apontou para ela. - Eu posso ir buscar um médico na cidade, o que acha? - Perguntou, visivelmente preocupado. Naquela situação já não sabia muito vem o que fazer.
Não era que Aaron estivesse completamente desmaiado. Ele apenas não conseguia abrir os olhos ou falar alguma coisa, no entanto, ele ainda conseguia escutar tudo com exatidão. Ele queria poder falar alguma coisa para fazer parecer que estava bem, mas, a verdade era que apenas não conseguia. O sangue escorria pelo corpo dele em uma certa proporção. Talvez um tiro não fosse exatamente muita coisa se você comparasse com filmes de ação, no entanto, uma veia tinha sido atingida, ou pelo menos era isso o que Aaron imaginava.
Então ele tentou puxar o ar com o máximo de força que conseguiu. Queria poder dizer algo, ou apenas anunciar que podia escutar. – A cauterização…Faça. – ele falou com uma certa dificuldade e com os olhos ainda fechados. Não era a toa que aquele homem era um sobrevivente, ele usava em sua mente, todas as coisas ruins que já havia passado para se segurar naquilo. Algumas pessoas lutam pelas pessoas que amam, algumas pessoas lutam por seu medo de morrer, mas, Aaron K.Crawford lutava pela sua própria dor. Isso era o que o mantinha vivo.
Não que ele tenha visto Griff chegar, mas, pode escutar a sua voz se aproximando. – Fique quieto, deixe ela fazer o que tem que fazer. Srtªa Roberts…faça as honras, por favor. – falou soltando o ar pela boca e voltando a ficar calado.
Como se já não tivesse o bastante pra se preocupar com um Aaron – “quase” – desacordado, a chegada de Fiddio como sempre trouxe mais comoção àquela situação. Naquele momento, não tinha certeza de quase nada, mas algo lhe dizia que ficar apertando a cabeça de Aaron daquele jeito não iria ajudar em muita coisa no que dizia respeito a fazê-lo voltar a consciência. Só um palpite.
Ao ouvir a voz de Aaron novamente, Lydia pôde respirar mais aliviada. — Ele tá vivo... — Verbalizou enquanto suspirava menos preocupada e já se encaminhava para guardar as provisões que Fiddio havia trazido e para checar o fogo. — Fiddio, você acho que você pode parar de apertá-lo agora. — Quando Aaron falou novamente, Lydia compreendeu o que ele estava tentando dizer. — Tudo bem. — Ela procurou entre os objetos esquecidos dentro da cabana algum feito de metal que ela pudesse esquentar um pouco no fogo. Acabou encontrando uma faca de pão que serviria perfeitamente.
Após esquentá-la até fazer sua ponta praticamente brilhar, a mulher voltou para perto de Aaron. — Talvez seja melhor você colocar alguma coisa na boca, porque vai ser uma dor e tanto... Fiddio, ainda sobrou alguma peça de roupa limpa. — Em seguida, ela encarou o ferimento que estava praticamente babando sangue. — Ok, primeiro eu vou cauterizar por dentro e tentar parar esse sangramento. Tente... não se mexer. — Ou acabaria penetrando aquela faca muito mais do que deveria.
Enfiou a ponta da faca com cuidado, ouvindo um som característico enquanto sentia aquele cheiro de carne queimada sair em forma de fumaça de dentro do ferimento. O sangue que havia por fora havia evaporado ou então coagulado em volta da ferida. Aos poucos Lydia foi puxando a faca para fora do ferimento e limpando-a com o tecido do lençou que havia usado antes para ter certeza de que o sangramento havia parado. — Pronto, agora é só fechar. — Ela foi de novo até a fornalha e trouxe a faca brilhando novamente. Em seguida, pediu para que Aaron fizesse um esforço para contrair o abdome para aproximar as bordas da ferida e, por fim, encostou a faca sobre a fenda do corte, fazendo-a queimar a pele do local de modo a colar suas bordas.


















