The next morning... | Flashback
No dia seguinte ao “passeio de carro com Griff” Lydia acordara com os ânimos revigorados, e embora não quisesse admitir os acontecimentos da tarde anterior tinham algum mérito com relação a isso. Talvez toda adrenalina que percorreu o seu organismo após ter sido ameaçada de morte por tantas vezes e de maneiras tão diferetes a fizera sentir uma tensão tão extrema que, após ter chegado a sua casa naquela noite, tomado um bom banho e ido direto pra cama, a tensão tenha se esvaído de uma só vez, fazendo com que ela pudesse relaxar completamente. O resultado disso era que a recepcionista acordara com um ótimo humor no dia seguinte, e aparentemente todos os hospedes do hotel também haviam notado tal mudança na moça.
Porém, apenas um hospede do hotel não deveria estar compartilhando do mesmo bom humor. Um que Lydia chegara a conhecer um pouco mais de perto e, por vezes, até perto demais para o seu próprio gosto e que se a essa altura do campeonato não tivesse retornado para recuperar as chaves do seu carro esporte – um Toyota Supra vermelho que estava estacionado logo a frete do hotel – só poderia significar que, ou ele havia desistido de pegar o caminho de volta para Chester’s Mill, ou havia sido atropelado por um caminhão, ou devorado por coiotes no deserto. Para Lydia, qualquer das opções era aceitável desde que a morte dele não recaísse diretamente nas suas mãos.
Antes que houvesse a necessidade de arquitetar um plano para se livrar daquele carro, além de todos os indícios de que aquele rapaz sequer existira em Chester’s Mill antes que o seu desaparecimento acabasse colocando Lydia na lista de suspeitos responsáveis pelo seu desaparecimento, ouviu alguém chegar a recepção do hotel um tanto ofegante. Sem dúvida algum hospede que havia saído logo de manhã cedo para praticar o seu jogging matinal. No entanto, assim que ergueu os olhos, fora quase incapaz de prender o riso diante da visão de niguém menos que o próprio Griff, suado da cabeça aos pés e com as roupas, antes alinhadas, agora completamente sujas e amassadas sobre o seu corpo. Dessa vez, Lydia tinha certeza de que qualquer resquício de charme que ainda existisse no rapaz não poderia ser suficiente para superar a imagem de sua aparência.
— Seja bem vindo. Sou Lydia, recepcionista aqui do hotel. Posso ajudá-lo em alguma coisa? — Ela cumprimentou-o com cinismo. Porém antes que ele se acomodasse com aquele jogo de palavras e provocações, ela corrigiu a receptividade de sua expressão trocando-a por uma com um caráter mais severo. — Senhor, me desculpe mas vou ter que pedir para que se retire. Aqui no hotel Hotel Reichskuchenmeister nós temos uma política muito rigorosa em aceitar a estadia de mendigos. Sabe como é, não somos nenhuma instituição de caridade. — Ela assinalou com a cabeça, como se pedisse a compreensão do rapaz, embora tudo não passasse de uma fachada para provocá-lo. Fachada a qual ela não conseguiu sustentar por muito tempo. — Espero que a caminhada de volta para a cidade tenha servido para você pensar um pouco nas suas atitudes, Griff. — O som daquele nome, apesar dele ter expressado veementemente que se tratava mesmo do seu apelido, ainda não lhe soava como algo verdadeiro e, por isso, Lydia tinha sempre um certo desgosto em pronunciá-lo.









