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180627 - football game. Não era novidade de que Marisol estava animada para o jogo daquela tarde, havia treinado e conhecido a equipe alguns dias antes, e surpreendentemente havia gostado de todos. Ela andava pelo campo, sentia algumas dores no corpo, poderia dizer que era mais dor do que imaginava, mas havia feito sua promessa de aguentar até o fim partida, e mesmo que dolorida, iria dar tudo de si. Perder estava fora de cogitação. A poção que havia feito com Yeonseok havia funcionado, o capitão sentia as dores mais amenas e ele provavelmente sentia-se mais revigorado para jogar. Era apenas isso que precisava, estava satisfeita.
O jogo estava ocorrendo bem. O time jogava, marcava o adversário e Marisol sempre que encontrava uma oportunidade, chegava em cima, era objetiva. Mas em vários momentos sofria falta da outra equipe, por serem maiores, os russos talvez estivessem pensando que a garota não fosse tão forte para permanecer de pé. Ela estava até calma, mas em um momento que ela havia pegado a bola, uma das jogadores lhe fez uma falta severa. O pé da adversária havia chutado seu rosto, de modo que a espanhola foi ao chão e sentiu o gosto de sangue em sua boca, logo percebeu que seu nariz estava sangrando. O russa riu, e lhe ofereceu ajuda para levantar, foi nesse momento que o sangue da canis ferveu de puro ódio. Ela se levantou sozinha, cuspiu o sangue no chão e no momento que a russa se aproximou, ela apenas disse: “Don’t touch me.”
Ela saiu brevemente para receber atendimento até o sangue parar de escorrer de seu nariz, logo voltou. A expressão fechada era clara, ela não se importava com machucados, mas se preocupava com o amigo que também podia sentir sua dor. Olhou de relance para Yeonseok que lhe passou a bola, quando veio a marcação para cima, Marisol deixou seu lado de boa competidora e mudou seu posicionamento, aplicou dribles, empurrou quem precisava empurrar e passou por cima de quem se metesse no meio. Se posicionou e chutou. Um chute certo, bem no gol. Bola rápida e forte, era exatamente assim ela jogava.
Após o gol, ela correu e gritou para os torcedores da escola, estava feliz e animada. Mas ainda estava completamente irritada com ocorrido, e seu modo de jogar durante a partida mudou, quase levou um cartão amarelo pelas entradas agressivas, mas ao fim, havia jogado bem e mostrado que apesar de ser baixa e aparentemente frágil, era uma pessoa forte e que sabia o que fazia. Jogar pela órion havia sido, acima de tudo, divertido.
“let me introduce our team”
20/06, Órion — Campo de futebol, 13h17.
(with: @or-marisol)
O clima estava ameno; agradável em Órion naquela tarde, porém quem olhasse para Yeonseok diria que ele estava com frio, muito frio. Os óculos de sol cobriam o olho roxo que ganhou na madrugada do fim de semana. Tentou esconder como conseguiu com maquiagem - ainda que não soubesse a diferença entre todas aquelas variedades. Se alguém perguntasse, apenas iria dizer que a vista estava sensível demais. Sentido? Nenhum. Mas também usava uma mascara cobrindo boa parte da face machucada, o pano era usado para cobrir uma parte dos cortes que ganhou nas bochechas e nos lábios. Mais uma vez a desculpa, estar usando mascara para evitar passar o falso vírus - que ganhou - da gripe para alguém. Usava roupas de moletom mais largas que o normal cobrindo os braços e pernas, tudo para esconder os demais machucados que conseguiu de presente de seu pai. Caso alguém perguntasse, apenas diria que treinou e estava com o corpo dolorido - pela gripe, claro e o treino. A roupa larga ajudava uma vez que não roçava na pele ferida. As poções de cura ajudavam cicatrizar mais rápido, mas não poderia abusar, era perigoso. Teve a sorte de ser achado e resgatado quando teve sua tortura, não iria arriscar mais uma vez colocar sua vida em risco. Teria que ser curado naturalmente.
Ainda precisava honrar seus compromissos e não permitir que todo aquele furdunço que ocorreu afetasse até seu time. Precisava jogar, as olimpiadas estavam chegando, o jogo seria em dois dias. Teria que dar um jeito nas suas limitações logo. O combinado alguns dias atrás foi de apresentar o time para Marisol, não iria voltar atrás com sua palavra. O cabelo de fogo combinou de esperar a novata na quadra depois do almoço e foi para lá que se encaminhou. Era a primeira vez que estava saindo de seu quarto depois de chegar a escola e apesar de alguns terem visto ele na noite passada, estava de noite; escuro. Agora na luz do dia era um pouco mais complicado, não poderia simplismente disfarçar tudo, por isso o visual diferente do que costumava usar. Sentado no banco da arquibancada, esperava pela garota e encarava o campo de futebol pensando numa maneira de sair da situação que se enfiou sem prejudicar o time.
Marisol também fosse a garota mais animada que se tivesse conhecimento na escola durante o dia, havia conhecido algumas pessoas, conhecido a escola e agora estava indo para o motivo de sua felicidade, conhecer o time de futebol. A garota não apenas gostava do esporte, como também tinha um talento nato. E ficar sem jogar era completamente inaceitável, mesmo que para outra equipe, que provavelmente era muito diferente da sua em Amet. Após o almoço, tomou banho e trocou de roupa; o dia estava quente e ela jurava que naquele país a temperatura fosse um pouco mais amena.
Estava um pouco atrasada, mas novamente perdido seu tempo tentando achar o direcionamento certo. Já estava levemente irritada quando chegou ao campo de futebol e avistou o rapaz sentado na arquibancada. Andou até ele estranhou suas vestimentas, ele estava todo coberto, enquanto ela vestia a coisa mais leve que havia achado em sua mala. Finalmente, sentou-se ao lado dele, sorrindo de forma simpática, ainda que sem jeito. — Oi Yeonseok, espero que não tenha chegado tão tarde. Vamos, me fale tudo que eu preciso saber sobre a equipe, estou curiosa pois o jogo se aproxima e quero estrear da melhor forma possível. — Marisol estava longe de ser alguém tagarela, mas quando se tratava de competições, era a primeira a dar palpite. Ela olhou para ele, notando a fina camada de maquiagem na pele de seu rosto, franziu o cenho, mas achou melhor não dizer nada. Hábitos coreanos poderiam ser diferentes, ou talvez Yeonseok só fosse alguém que gostasse de andar maquiado, quem sabe fosse até gay, nunca havia conhecido um coreano gay, seria interessante.