eu não tenho pra onde correr
e se eu correr agora, com que postura vou dizer que sou forte e merecedora dessa generosa fatia de bolo? doce, como a vida é
sinto meus sonhos e forças escorrendo suave e lentamente com minha juventude e tenho tanto medo.
tudo isso me causa tamanha urgência de viver e de realmente arriscar caminhos incertos, mas que por algum motivo eu sempre quis, e por quê?
eu temporariamente estacionei, nesta pequena e doce vila. a paciência é uma grande qualidade. a maior qualidade. é difícil esperar. mas aí é que está a questão...
do fundo do meu coração, o que é que estou esperando?
como se estivesse guardando um segredo de mim mesma e mais tarde, bummm! uma surpresa.
e nem vou falar sobre o pesadelo da consciência de classe, as dificuldades da vida adulta - de um adulto pobre - lutando dia após dia, subindo degrau por degrau pra alcançar um céu azul limpo, não visto antes por trás do grande muro.
também não vou falar sobre a solidão da nova geração, sobre a superficialidade das relações, sobre as máscaras sociais, sobre nossa constante espera... pelo quê?
só se vive uma vez realmente. e como deveria ser? por que insistem em dizer como deveria ser? por que um vida que só se vive uma vez tem de ter um script pronto feito por sei lá quem? uma grande e longa confusão.
"Tive vergonha de mim próprio quando percebi que a vida é uma festa de máscaras, e participei com o meu verdadeiro rosto"
e esqueci de dizer que nem disfarçar a tristeza eu aprendi.
eu estou talvez, numa busca constante, de descobrir o que é que eu quero, afinal? quem eu quero ser afinal?
suspiro longo, durmam bem.