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#ficaadica
Desenhei esta HQ para um fanzine em São Paulo (Abril de 1992) e que acabou gerando uma série. ECOS conta a história do “Mago Ectoplasma” (um cara ganancioso, nem aí com o próximo) e de sua fiel bola de cristal amarela, intitulada “Fifi” (magicamente viva, com instintos animalescos). Ambos vivem em uma caverna que sempre recebe as mais diversas visitas de gente querendo levar vantagem. Boa leitura. :-)
Fui entrevistado pela revista MSX Clube, especializada no sistema de computadores que fez tanto sucesso entre as décadas de 80 e 90. Leia em https://www.ovidio.com.br/msx/
Esta ilustração foi criada para um artigo onde o assunto tratava das ameaças virtuais e os antivírus mais adequados. Veja que o médico dá a vacina em um disquete de 5 ¼”, algo que para a época demonstrava alta tecnologia, e detalhe, nem existiam tantas viroses assim, e elas somente atacavam se você fosse muito desatento. Bons tempos, onde não existiam sequestros de dados, formatação de discos, bitcoins e nem cyber crimes.
Qualquer semelhança com a realidade é mera coincidência.
Para ilustrar um artigo sobre DEMOS (demonstrações gráficas computadorizadas) decidi ir para um caminho totalmente inusitado, desprezando pixels e formas alucinógenas, afinal, o que se mostrava na tela em cada apresentação era um festival de cores, formas, músicas, desenhos e onde se testava o poderio da máquina com a criatividade binária de programadores. Pois então, mostrar algo tão singular apenas chancelou o quanto pessoas são importantes para a transformação digital de qualquer escala.
O tempo foi passando e em Fevereiro de 1995, os esboços da ECOS 2 já reformulada, com um Mago mais pitoresco e melhores técnicas de tonalidade e preenchimento, pulavam da minha cabeça... Eu trabalhava assim, pegava uma folha qualquer, rabiscava as personagens e ficava atento ao texto, pois eu queria que as pessoas se divertissem, que dessem risadas e ficassem se perguntando: “O que esta mente doentia vai fazer da próxima vez?”. Isso era mais recompensador do que um punhado de moedinhas que vinham no final do trabalho, afinal, o Brasil foi e é muito relapso com a nona arte.
A imagem diz tudo. :-)
E, antes de "bater cabeça" por aí, quando eu tinha apenas 12 anos (1986), decidi ir em uma editora (Circo Editorial) mostrar aos caras da Chiclete com Banana (Angeli), Geraldão (Glauco) e Circo (Laerte) o que eu sabia fazer e quem sabe ainda desenhar algo por lá. Mas, as revistas tinham conteúdos para pessoas mais velhas, com textos e às vezes imagens que hoje seriam tratadas de forma natural. Mesmo assim foi um aprendizado, em especial ao Laerte que me atendeu com toda a paciência do mundo, leu minhas tiras e HQs e vários roteiros que eu tinha. No fim, saí de lá com um livro dele autografado (imagem) e com a promessa de fazermos algo juntos, quase um apadrinhamento.
Ainda em Julho de 1993, fiz uma HQ de apenas uma página para a revista MSX Top Class que não foi publicada (este material é inédito!), pois infelizmente, a revista teve o seu fim breve. O personagem era o mascote do periódico e como o assunto era o MSX (microcomputador de 8 bits), tudo se relacionava à ele.
Criar é humano. Criar exige. E no final, não é só isso. O processo de início ao fim de uma simples história torna-se complexo quando troca-se um pouquinho de texto ali, melhora-se um personagem aqui e uma página pode demorar duas semanas para ficar pronta. Óbvio que isso ocorre principalmente para agradar os leitores e apresentar algo rico e esteticamente bonito. Nos desenhos apresentados anteriormente, existiram cinco momentos até a entrega, aprovação e publicação na revista MSX Top Class número 2 de Outubro de 1993.
A essência das tribos está justamente no fato de existir um propósito, seguidores e entusiastas. Em paralelo, existem diversos sentimentos tênues que vão do amor ao ódio, provocando a tudo e a todos. A ilustração acima foi a capa do “Ratos Burguer Skate Zine” (década de 90) que na época disseminava seus mantras e mantinha seu público na ativa e bem informado.
A explosão de sinais, a mistura de elementos e formas, tinham liberdade de ideias e contexto. Experimentos alusivos a década onde as primeiras mudanças sociais davam início, marcavam o desaleito e o receio do novo. Era Fevereiro de 1995 e a mente das pessoas começava a dar espaço ao “de tudo um pouco”, sem perceber a desorganização semiótica. Retratar isso, somente com arte e um pouco de loucura.
Histórias curtas e de impacto, facilitam o acesso e criam o desejo em ler mais e mais. Nesta, chamada “Video Clip” (Julho de 1994), a influência do relampejar de imagens, cortes secos, e uma narrativa cinematográfica, assemelhando-se e muito a um storyboard, adentra na questão da violência urbana sem precedentes e pior, com a ausência de personagens fixos. E foi exatamente assim, sem determinar uma figura com nome e sobrenome que adotei por longa data esta prática, assim podia fazer testes e saber se o público gostava ou não do que eu apresentava.
Em 1992, inventei o “New Acid - Demências em Verborragias” que nada mais era que uma válvula de escape do que a minha juventude estava vivenciando, ou seja, realidade - ficção - loucura - sanidade. Mas, tudo tinha uma razão. Nesta primeira HQ, a necessidade de mostrar o quão a metrópole já estava saturada no tema enchentes e misturar isso aos sentimentos de raiva e desistência acabou sendo publicada em um fanzine da época. O interessante é que o New Acid também deu sequência em outras histórias e que quase nunca tinham uma ligação, apenas um apelo.