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Cosimo Galluzzi
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Tira a roupa, eu tenho um plano...
Ela não passava de uma pirralha, mas ele viu nela o que não viu em mais ninguém. A verdade é que ela era um saco. Ria de tudo, principalmente nas horas erradas, levava tudo ao pé da letra e sempre se magoava com muito pouco. Tinha esse tique de ser sempre mais esperta que todo mundo, e isso a levava a despejar informações como se fosse uma enciclopédia falante. Ele sinceramente não entendia como havia vindo parar no meio daquela confusão que ela chamava de vida (logo ele, meu Deus do céu, que nunca teve paciência nem com a bagunça dele), mas de duas coisas tinha certeza - o sorriso dela era de todos o mais bonito, com aquelas covinhas adoráveis e seus dentes pequenininhos, e ela sabia fazê-lo feliz como mais ninguém. E se ela era chata, ele era rabugento. Não gostava de praticamente nada, não concordava com absolutamente ninguém e se achava superior às coisas que aconteciam aos meros mortais. Porque - pasmem - ele se julgava verdadeiramente imortal, por cima do bem e do mal. Literalmente brincava com o perigo, fazendo coisas que ela (sempre contabilizando riscos e listando efeitos colaterais e possíveis consequências) nunca faria em sã consciência. Ou em consciência nenhuma. Não entendia muito bem como foi parar naquela montanha-russa, descarga constante de adrenalina, que ele chamava de vida, mas ela gostava - ele contava piadas ótimas, tinha aquele jeito charmoso de quem não se importa com muita coisa e olhava pra ela como se ela fosse a menina mais bonita de todo o metauniverso. Nunca foram muito parecidos, nem se sentiram muito “alma-gêmeas-feitas-um-para-o-outro”, mas que sempre se deram muitíssimo bem e que sempre pareceram se completar é fato. Com aquele jeito tímido, certinho, educado até demais, receoso, sorridente e alegre de quem não conhecia muita coisa da vida, ela conseguiu fazer com que a rabugice dele diminuísse. Sabia o fazer feliz, sabia o fazer melhor… Ficar perto dela, para ele, era realmente sinônimo de alegria constante, coisa que ele havia se considerado privado havia muito tempo. E com aquele charme, aquele destemor, com seu jeito aventureiro, errado, errante, bem-humorado e inconsequente de quem já viveu mais do que deveria, ele fez com que ela experimentasse, pela primeira vez, viver. Não segundo palavras pré-decoradas de enciclopédias e livros de ciência, mas segundo o seu coração. Se ela tosou as asas dele pra que ele não desse uma de Ícaro-filho-de-Dédalo e voasse alto demais, ele a deixou saber que ela também tinha asas.
Eram Tão Diferentes Que Tornaram-se Iguais, Letícia Sales. (via the-puzzle)