Com a noite, chegou também o momento da incerteza. E por mais que eu tente tornar tudo lúcido, a interrogação permanece. Me resta pensar mais um pouco e, quem sabe, ter certeza alguma.
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@palavras-aos-bits
Com a noite, chegou também o momento da incerteza. E por mais que eu tente tornar tudo lúcido, a interrogação permanece. Me resta pensar mais um pouco e, quem sabe, ter certeza alguma.
Os martírios de um amor platônico
Num mundo de milhões de possibilidades viáveis de amor, o amor inviável encontra uma maneira de se sobressair para algumas pessoas. Ele está contido no amor platônico, aquele que tem como pessoa amada alguém que não sente o mesmo — o(a) crush. O amor platônico é um dos piores sentimentos que alguém pode sentir. E a razão é que quem sente amor platônico por alguém, muitas vezes, no intuito de cultivar a sua ilusão, se coloca em situações de desamor consigo mesmo. O platônico amoroso sempre vai tentar agradar a quem ama e vai achar uma maneira de suprir sua necessidade de se iludir, mesmo não sabendo de sua ilusão.
Mas não bastando existir quem entre no grande problema de cultivar um amor secreto e sem reciprocidade por alguém, existe o nível masoquista de platonismo: se apaixonar por alguém comprometido e fiel. O amor platônico, nesse caso, ganha narrativas mais desafiadoras. Esse amante platônico masoquista sonha em conquistar esse alguém e se declara para ele. Escuta um não e, ao contrário do que mandaria a lógica, o amante masoquista se agarra a pequenas demonstrações de afeto que, se verificadas com a régua da realidade, não passam de pequenas demonstrações de pena.
O mundo dos sentimentos platônicos é repleto de especificidades nas quais uma pequena crônica, como esta que você lê, jamais conseguiria delinear. Existem casos nebulosos em que há reciprocidade, mas que esbarram nas barreiras do medo, nas seguranças existentes e no sentimento de dever. E o amor, que nem era pra ser platônico, acaba por mergulhar nesse vale de angústias. A principal reflexão sobre esses exemplos de masoquismos sentimentais que, por vezes, as pessoas se banham, é a de que sempre devemos nos perguntar sobre a quantidade de amor de que nós merecemos. É sempre importante lembrar de que a quantidade de amor próprio é diretamente proporcional ao amor recebido.
A Força de um Olhar
Existe uma frase clichê que diz que "os olhos são a janela da alma". Eu não me recordo do criador de tamanha barbaridade, mas, mesmo assim, discordo completamente dela. Acredito que os olhos são diferentes do abstrato e do ininteligível, do qual os propagadores da frase bárbara espalham. Os olhos, se bem observados, podem demonstrar perfeitamente algo que alguém está sentindo: raiva, atenção, tristeza... São infinitos os sentimentos expressados por eles. É claro que existem as rainhas e os reis dos disfarces, que, sabendo dessa nossa linguagem peculiar, criam maneiras de ludibriar os outros. Porém, o fato é: os olhos são mais inteligíveis e reais do que muitas pessoas pensam. Se prestarmos atenção nos olhos de alguém — cuidado para não hipnotizar a crush ou o crush! — vamos perceber melhor quais sentimentos esse alguém está sentindo. Faça o teste assim que puder. Observe as outras linguagens corporais de alguém e, ao final de uma gesticulação, veja como os olhos entregam o que aquela pessoa está externando a você. O olhar de alguém pode falar abertamente, diretamente das profundezas de seu coração, aquilo que deve ser dito, ou aquilo que se quer omitir. Cabe a nós prestarmos atenção no que os olhos de alguém estão nos mostrando.
É no escuro do meu quarto, ao som do ventilador, que vozes sussuram aquilo que não quero ouvir, que não quero entender e que não quero aceitar.
Andei por dentro de mim sozinho e senti a liberdade.
Foi dentro de mim também que senti sua falta.
Olhos
O olhar também pode tocar desde que ele seja verdadeiro.
Um começo
Grandes textos têm um começo, meio e fim. Porém, como não sou um autor de grandes textos, vou começar pelo meio: é triste não poder expressar, por meio de palavras, todos os sentimentos profundamente guardados. É um aprisionamento de si mesmo. A agonia começa a querer sair das entranhas. Pensamentos desconexos, por vezes, tomam conta da minha cabeça. Retratos de si mesmo se deslocando em fleches a cada piscada. Acredito que é acúmulo de pensamentos misturados aos sentimentos. Não sei ao certo. Fim: mesmo estando preso, estou tentando deixar tudo sair, por mais ridículo que esteja este texto. Começo: esta divagação sem sentido para o leitor, que sequer serve ao autor.