Quem decide morrer não o faz por falta de amor à vida, mas porque o sofrimento se tornou insuportável.
Eu me sentia sozinha ainda criança, mas não sabia se era por ser filha única ou de pais separados .
Na adolescência comecei a escrever, pra poder conversar e dizer o que estava sentindo. De alguma forma tirar isso de mim. A paixão pela leitura nasce daí, para tentar entender minhas emoções – e, afinal, o que está de errado em mim.?
Alguns livros foram grandes amigos: “Pai, me Compra um Amigo”, de Pedro Bloch, foi um deles – a história de um garoto que se sente só. (Tenho até hoje).
O sentimento de não-pertencimento, e de desamor, rejeição e abandono ainda é um companheiro cruel que me acompanha aqui e ali.
Um ser humano sabe melhor do que ninguém machucar outro ser humano. E nunca somos jovens demais para começar esse exercício de poder e de humilhação. Perdi algumas oportunidades na vida por causa disso. Deixei, por exemplo, as minhas aulas de ballet.
Escrever sempre foi meu jeito de dizer que não estava bem. Não sabia dizer e que ninguém percebia ou não se importava, minha mãe tentou, mas era muito ocupada, sempre no corre pra gente sobreviver e meu pai vivendo a vida dele e com sua nova e única família, sendo pai pra minhas irmãs.
Passou os anos, depois do bullyings, os assédios e os abusos e isso foi somatizando ao longo da vida e quando parece que eu vou ser feliz de novo, "tharan" novos traumas. E eu achando que estava bem, mas a dor não vai embora porque a gente quer. Ela vai corroendo a gente por dentro, em silêncio, de modo lento, como ferrugem.
Estou aqui e preciso me livrar do desespero que , daquela angústia que me sufoca.
A depressão profunda se instalou, quero dormir 24 horas por dia, não tenho energia para nada. Tenho pesadelos dormindo, e pensamentos negativos, o tempo todo obsessivos quando deveria repousar.
O looping é eterno e a culpa,me corrói quando penso nos meus filhos e na minha mãe.
Eu alterno depressão e ansiedade. Vivo uma gangorra entre o terror noturno e a insônia.
A angústia bateu, as pessoas me elogiam pq tô perdendo peso, mas elas não sabem que há ausência de apetite.
Tudo que passei faz parte mim. Tenho orgulho de cada cicatriz que carrego. Elas me tornaram melhor. Me tornaram quem sou. Meus tombos me fazem querer lutar por um mundo com menos tombos pra nós.