— “Quer dizer… Eu até posso te ajudar. Mas o que vou ganhar com isso?”
“Vai ganhar o prazer do sentimento de ter ajudado alguém.”
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@pc-kwangjo-blog
— “Quer dizer… Eu até posso te ajudar. Mas o que vou ganhar com isso?”
“Vai ganhar o prazer do sentimento de ter ajudado alguém.”
“Yah, você está me ignrando? Ah, me desculpa, eu acho que confundi a pessoa… Mas já que o destino nos uniu, me diz aí o que você tá fazendo porque eu tô meio morta de vergonha!”
“Não, eu só não achei que estava falando comigo... Oh, e não estava mesmo. Eu estou brincando de lutar com espada. Preciso melhorar isso.”
“Por Apolo! Você está bem?”
“Eu? Uh, to ótimo, é só uma tontura, logo passa... Acho que eu preciso comer alguma coisa.”
pc-baby:
― “Acho que estou adquirindo gosto das coisas ainda… Você já deve saber o porque. Todos aqui em algum momento falaram sobre isso.”
“Posso imaginar, deve ser complicado perder a memória, né? Mas você já deve ter achado alguma coisa que gosta de fazer, não?”
pc-minhyub:
“15% talvez seja mais do que eu preciso…”
“Perfeito, eu estou logo atrás filmando para o caso de tudo dar errado!”
put your phone down.
Heejin não via aquela resposta vindo, claramente. Sabia que não teria uma recepção amável porque o que estava fazendo não era 100% educado, mas para um garoto mais jovem, não esperava a grosseria daquela forma - já que eram sempre polidos com os mais velhos. Mesmo com aquilo, não recuou. Arqueou uma das sobrancelhas em uma expressão que dizia “sério?” enquanto apoiava o rosto em uma das mãos em cima da mesa. Estava de intrusa na mesa das crias de Atena, mas não parecia um problema até então já que conhecia alguns deles e nunca havia criado confusão com nenhum morador do chalé 6. A Song respirou fundo, tentando não ser grosseira com Kwangjo, que aos seus olhos era apenas um adolescente que talvez estivesse precisando cair na realidade.
— Yah, que grosseria… Eu não acho, isso se chama interação social. — disse, voltando à expressão séria, ainda que tentasse mantê-la serena. — E eu sei que não é a coisa mais normal do mundo chegar em um desconhecido desse jeito, sem se apresentar. Mas eu estava sem nada pra fazer e acabei reparando que você não saía do celular e isso é meio estranho, sabe? Nós temos tantas coisas pra fazer no acampamento, tenho certeza que ia se divertir mais do que aí. Aprender coisas novas… E bom, você é uma cria de Atena, não é? Vocês aprendem as coisas tão facilmente!
Quando notou, a semideusa já estava tagarelando sem parar. Estava um pouco envergonhada, porque aquele realmente não era um costume seu - e as bochechas colorindo-se de rosa a denunciavam. Estava saindo da linha dessa vez, mas ao menos tirava um pouco a atenção do menino do celular. — A propósito, eu sou a Heejin, do chalé de Hefesto. — o tom de voz voltou a ser sereno, deixando a afobação de lado. — E eu não queria incomodar. Peço desculpas se foi o que pareceu, só… Não faz bem para a saúde ficar assim por muito tempo.
Kwangjo sentiu vontade de rir quando ouviu Heejin falar que “isso se chama interação social”. Jo sabia muito bem o que era, e era exatamente por causa dessa maldita que estava beirando uma crise de ansiedade e não tirava a cara do celular. Revirou os olhos mais uma vez, achando irritante o jeito que a garota tenta forçar seu ponto. Oras, tinha muita coisa para fazer no acampamento, mas ele não estava se sentindo bem para isso agora! Quem consegue fazer alguma coisa direito quando está ansioso? A única coisa que Chojo consegue é balançar as pernas freneticamente e morder o interior das bochechas, desejando que aquela onda de ansiedade fosse logo embora de seu corpo para ele poder viver normalmente. Essa coisa de lidar com gente não era mesmo a praia de Kwangjo.
“Eu gosto de jogar, e estou me divertindo bastante no celular no momento. Isso não significa que eu fique o dia inteiro assim e que eu não saio para me divertir pelo acampamento e aprender coisas novas como uma boa cria de Atena.” O tom ríspido se fez presente de novo. Uma das coisas que mais odiava era quando pessoas aleatórias chegavam para ele dizendo que tinha que parar de jogar e ir viver. Estava muito bem com o sonho de virar game designer e/ou jogador profissional de lol. Fora que era seu passatempo favorito, será que ninguém conseguia respeitar isso?
Soltou mais um suspiro, dessa vez quase derrotado, logo que a garota se apresentou. “Cho Kwangjo, Atena... Eu acho.” Outra coisa que deixava Chojo inseguro era essa lance do lado divino. Estava no acampamento há pouco tempo, e se sentia meio... deixado pra lá. Tinha sofrido a vida inteira porque o pai tivera um filho com Atena, fora que se sentia o pior entre seus irmãos. Sempre se esforçava para ser o melhor em tudo, e ver quanta gente ali tinha mais capacidade do que ele em milhares de coisas, o deixava bem pra baixo. “Muita coisa não faz bem pra saúde e mesmo assim eu faço. Who cares? Eu só não quero ter que ficar encarando esse monte de gente.”
put your phone down.
@pc-kwangjo
Segundas eram entediantes por si só. A primeira aula da manhã era mitologia e céus, era a pior aula. A Song gostava muito mais de estar fora das salas, treinando combate ou atirando com o arco - ainda que nenhuma dessas atividades chegasse aos pés da satisfação que carregava quando tinha o tempo livre nas forjas.
Ao menos o tempo naquela manhã havia passado correndo e depois de concluir seus objetivos na aula de arco e flecha, foi liberada para o intervalo. Se dirigiu ao refeitório e decidiu ficar em pé, já que todas as mesas pareciam ocupadas e não queria sentar-se com pessoas estranhas. Sendo assim, Heejin encostou-se na parede e tirou da bolsa a barra de cereais que seria seu almoço.
Normalmente, não era o tipo de pessoa intrometida. Na verdade, muito pelo contrário: Heejin era bastante amigável com que puxasse assunto, mas não era do tipo que começava conversas por vontade própria. Evitava o contato social e claramente fazia maior questão de ficar na companhia de suas armas na forja, do que de ter a companhia de outros semideuses. Entretanto, aquele garoto em questão estava a intrigando: com a aparência tão jovial e bonita, como podia estar tão vidrado no celular? Era o tipo de pessoa que a filha de Hefesto imaginava estar sempre rodeado de pessoas, mas era tão diferente que a deixava curiosa e se segurando para não incomodar.
Pensando - e evitando o contato social -, a semideusa resolveu focar na barrinha que comia. Não conseguia evitar desviar o olhar para o garoto solitário vez ou outra, a curiosidade praticamente matando o autocontrole que tinha. Foi assim que decidiu que, pelo menos uma vez, faria algo sem pensar muito. Deu a última mordida em seu almoço e jogou fora o papel no lixo, caminhando de forma confiante até a mesa onde se encontrava o rapaz. Fez lugar no outro lado da mesa, de frente para Kwangjo, e tentou pensar em alguma frase que não a fizesse parecer uma intrometida. — Ei! — exclamou, e a voz acabou saindo mais baixa do que o planejado. — Desculpa, mas eu não consegui deixar de reparar. Você não acha que ficar tanto tempo assim vidrado vai te fazer mal, mocinho?
Situações sociais, por menor que fossem, deixam Cho Kwangjo um tanto desconfortável, ansioso, com medo, algumas vezes mal conseguindo respirar direito. Estava até que adaptando bem ao acampamento Pandora, mas quando via tanta gente junta em um lugar só, como o refeitório na hora do almoço, não conseguia evitar de ficar nervoso.
Nem mesmo na mesa de Atena conseguiu sentar naquele dia, porque sabia que não iria conseguir comer direito se estivesse com os irmãos. Na verdade, o estômago embrulhado não o deixava comer nada, por isso o prato estava praticamente intocado.
Deveria ter simplesmente saído do refeitório, mas não sabia se isso só iria fazer com que os outros o julgassem mais ainda, então apenas tirou o celular do bolso, e após responder algumas poucas mensagens aqui e ali, abriu um dos jogos de zumbis no aparelho, e tentava de verdade ignorar o fato de que sentia estar se sentindo observado. Era uma paranoia meio comum para o rapaz, e ele sabia que era tudo apenas de dentro da sua cabeça, ou, pelo menos, é na maior parte das vezes.
Naquela, no entanto, encontrava vez o outra o olhar de Heejin com o seu, o que o deixava mais desconfortável ainda, e se ele pudesse, estaria se escondendo atrás da tela do celular, que infelizmente não era grande o suficiente para cobrir todo o seu rosto.
Não esperava que a garota realmente sairia de seu lugar para lhe dar uma bronca por estar usando o celular por tanto tempo. Pausou o jogo, revirando os olhos e encostando as costas na cadeira. Podia até estar se sentindo minúsculo, cansado e com medo no meio daquele monte de semideus, mas ao menos era um bom ator e sabia como disfarçar suas inseguranças. Mais ou menos, já que ele as transformava em grosseria gratuita. “E você não acha que ficar se metendo na vida dos outros é tão ruim quanto?”
“Quais as chances de eu fazer isso dar certo?”
“Baixíssimas. Mas Ainda tem aqueles 15% de chance de dar certo, e a vida é feita desses riscos. Go for it.”
pc-baby:
― “Bom, acho que agora estamos nos entendendo…”
“Parece que sim... Então, sobre o que você gosta de falar?”
pc-minhyub:
“Então tá bom, se está dizendo.”
“Quer um pedaço?”
pc-hana:
Como um filho de Atena pode ser tão chato? Coitada dela.
“Eu não sou chato, só descobri que te irritar é muito divertido. Não é como se ela prestasse muita atenção em mim, tho.”
pc-baby:
— “… Desculpa por isso? Minhas habilidades sociais se limitam nisso… Enfim.”
“Tudo bem... Desculpa por te chamar de irritante também, você não é irritante. I can relate, mas minhas não são muito extensas também.”
pc-baby:
— “Não deveria ser interessante para ambos?”
“Sim, mas você poderia ter dito de uma forma mais educada que não estava gostando, ao invés de ‘por que ainda tá falando?’”
pc-baby:
— “Eu sou uma pessoa legal! Dá proxima você pode vir com um assunto mais interessante.”
“É interessante pra mim”
pc-baby:
— “Não deveria nem ter vindo aqui, honey.”
“Não deveria mesmo. Só achei que você era alguém legal, mas as pessoas erram né?”
pc-baby:
— “Cuida de sua vida, garoto. Eu estava quieta aqui, o único irritante é você.”
“Whatever, eu não vou ficar perdendo o meu tempo com você.”
“Não estava! Apenas estou preocupada com outras coisas… Desculpe, mocinho, eu não quis magoar.”
“Tudo bem... Acho que eu devo ser meio sensível mesmo.”