[ 𝜗𝜚 ] CEMILE DARKWOOD ... ela tem TRINTA E TRÊS anos, é conhecida como PEDIATRA, e cruzou o caminho de Hanover há SEIS ANOS. A reputação é marcada por ser PESSIMISTA, embora também seja SOLÍCITA. Parece que A FORMIGA é o reflexo de quem ela é diante do que nunca viu, mas sente se aproximar. Cuidado, a morte e a floresta podem estar perto!
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A morte parecia sempre estar acompanhando Cemile, desde o momento do nascimento. Antes mesmo de vir ao mundo, a gestação da genitora veio com a notícia de uma doença que já definia o desfecho trágico. Mesmo sabendo que dar à luz à filha significaria a própria morte, a senhora Deniz decidiu continuar com a gestação, ignorando todos os conselhos médicos e as súplicas do marido. Sonhava a respeito do garotinho de olhos castanhos e espírito imbatível que seria a imagem do marido. O dia em que o mundo conheceu a menina de fios castanhos, tão similares aos da senhora Deniz, foi o dia em que a doença se agravou ainda mais. É claro que haviam garantido ao genitor da recém-nascida que não havia sido a gestação que tinha ocasionado a doença, mas o homem não parecia tão crente daquilo.
O dia em que o pai morreu foi um choque e, ao mesmo tempo, uma benção para Cemile. Era estranho pensar que estava feliz com a morte do homem, mas ele tinha feito da infância seu inferno particular. As exigências que eram feitas em relação ao seu comportamento, assim como as punições, não eram comuns e muito menos justas. Lembrava-se explicitamente de implorar para que a perdoasse mais de uma vez, fosse pela morte da mãe (que jamais era levantada com palavras explícitas, mas sabia que ainda era um motivo de rancor) ou até mesmo por ter esquecido de tirar os sapatos sujos de lama. Todas as ações que realizava eram imperdoáveis e eram dignas do mais profundo desprezo. Não tinha escape de sua situação, no entanto, já que era o homem que garantia que tivesse o mínimo que fosse: educação, roupas e alimento todos os dias. Católica fervorosa assim como a mãe, suas orações eram diferentes das outras. Enquanto muitos pediam por saúde e orientação, ela clamava desesperadamente por alívio e libertação. Implorava para que algo (ou até mesmo alguém) finalmente colocasse fim no seu eterno sofrimento. Queria finalmente viver a vida como ansiava e não repleta das punições que sofria. Quando o assassinato do senhor Dinaz ocorreu, Cora foi invadida por uma sensação de alívio, mas fingiu estar triste com a notícia para que não fosse alvo de suspeitas. Jamais acharam o autor do crime e, lá no fundo, sente-se grata à pessoa que tirou a vida do ser humano terrível que tinha a criado.
Não muito tempo depois, ainda excessivamente jovem, Cemile conheceu o amor da vida dela, John Darkwood, um contador com os olhos mais gentis que já tinha visto e com um sorriso que parecia iluminar cada parte de si que já estava obscura. Pensava na sorte que tinha, então não hesitou em abandonar tudo o que tinha em Hanover para viver em uma cidade no interior com o homem. O casamento veio não muito tempo depois, já que estavam tão intensamente apaixonados um pelo outro que sequer aguentavam aguardar ainda mais para que passassem o resto dos dias juntos. Ostentavam sorrisos e suspiros dos mais profundos sentimentos. O que não esperavam eram que o destino trágico de Cemile os atrapalhasse de conseguirem a felicidade. Lidar com a doença de John foi algo muito difícil para Cora. Durante as noites, no quarto que costumava ser do casal e que não continha nada além de lembranças dos dias felizes, pedia que a levassem ela e não a John, mas o destino não era gentil e sequer estava disposto a escutar às preces de uma jovem que não tinha perdido a esperança em agarrar a felicidade. Não demorou muito para que ficasse viúva, aos 24 anos, e se visse isolada em um mundo que as sombras pareciam acompanhá-la constantemente. Existem algumas fofocas que dizem que Cora nunca mais se recuperou da perda. Jamais foi uma pessoa extrovertida e naturalmente alegre, mas havia uma certa lástima que acompanhava seus traços, como se, todos os dias, ansiasse ter sido a pessoa que tivesse partido.
Voltou para Hanover a convite do primo por parte de mãe, Ethan Carter, não muito tempo depois. O homem prometeu que, depois do próprio acidente, talvez eles pudessem achar a força para curar um ao outro. Começaram a se ver cada vez mais e a construir um vínculo, em que compartilhavam as histórias do que havia acontecido com ambos. Os fatos do voo 317 sempre pareceu pesar durante o tempo que tinha passado na universidade, principalmente porque entrou alguns anos depois depois do ocorrido. Sabia como isso tinha impactado Ethan e fazia questão de estar presente durante os dias. Aos poucos, Cemile foi melhorando e a vida, mesmo que em tons de cinzas, saía do preto e branco que tinha se habituado. O sorriso não era mais tão falso, assim como o peso no peito não parecia mais ser tão sufocante. O primo tinha grande parte nisso, fazendo o possível para que ambos conseguissem superar os próprios obstáculos, mesmo que fosse lentamente. Finalmente decidiu voltar a atuar na área em que amava e, então, embarcou na residência em pediatria, algo que sempre amou. Adorava se sentir rodeada de crianças, em que as risadas e os sorrisos sempre eram tão frequentes. A vida voltava a ter cheiro de lavanda e o calor do sol finalmente era sentida novamente em sua pele. Aos poucos, superava o luto, mesmo que se negasse a abandonar o sobrenome do marido e voltar para o de solteira (para ser sincera, não queria utilizar o sobrenome paterno). E, então, Ethan se foi.
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Traços relevantes: Gentil, solícita, taciturna e quieta.
Estéticas: Lírios brancos, perfumes de jasmim, flores na cabeceira da cama, ouro, pérolas, cabelos soltos ao vento.
Inspirações: Meg March (Little Woman), Maxine Caulfield (Life is Strange), Feyre Archeron (A Court of Thorns and Roses), Moana (Moana), Lexie Grey (Grey's Anatomy).
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Religião && espiritualidade: Cemile foi criada como uma católica fervorosa, mas sua relação com a fé é complexa e multifacetada. Desde jovem, ela aprendeu a recorrer à oração como uma forma de buscar conforto e orientação. No entanto, ao contrário da maioria dos fiéis, Cemile não orava por bênçãos ou por uma vida melhor. Suas preces eram clamores desesperados por alívio e libertação. Cora via a fé como uma espécie de último recurso, uma linha tênue de esperança em um mar de sofrimento. Ela acreditava que Deus era justo e benevolente, mas ao mesmo tempo, sentia-se constantemente testada e punida. As orações que fazia eram repletas de súplicas para que seu sofrimento terminasse, e essa dualidade criou uma espiritualidade marcada pela ambiguidade. Atualmente, se vê como cada vez mais descrente de que Deus realmente existe.
Visão de mundo: A perspectiva de Cemile é profundamente influenciada por suas experiências de dor e perda. Ela carrega uma visão pessimista do mundo, sempre esperando pelo próximo golpe do destino. No entanto, essa visão não é de completo desespero. Há uma resiliência inerente em Cemile que a mantém em movimento, apesar das adversidades. Cemile vê a vida como uma série de testes e desafios, e acredita que sua missão é suportar essas provações com dignidade. Embora ela anseie por paz e felicidade, há uma aceitação resignada de que essas coisas podem nunca se concretizar plenamente. Seu temperamento quieto e introspectivo reflete uma mulher que constantemente analisa suas experiências e busca entender o sentido de sua jornada.
Medicina: Sua vida foi marcada por perdas constantes, tanto físicas quanto emocionais, e a medicina surgiu como uma oportunidade de proporcionar cura e alívio aos outros, algo que muitas vezes lhe faltou. A profissão permite que ela seja a mão gentil que nunca teve, oferecendo conforto e cuidado aos que estão sofrendo, enquanto encontra uma forma de se conectar com outras pessoas de maneira significativa. Isso é algo que ela desesperadamente precisa, especialmente após a morte de John, que a deixou isolada e solitária.
Lembranças de John: Cemile guarda cuidadosamente alguns pertences de John em uma pequena caixa de madeira. Entre eles estão uma carta que ele escreveu antes de ficarem noivos, uma gravata que ele usava frequentemente e uma pequena estatueta que ele lhe deu. Esses itens são tesouros para Cemile, e ela os revisita nos momentos de maior tristeza, buscando sentir a presença do amado. Em seu pescoço, carrega sempre um pequeno colar com uma esmeralda, que havia sido um presente de casamento do amado.














