(marina moschen + camila queiroz) Aparentemente a morte está de olho na presença de 𝐄𝐋𝐈𝐙𝐀 𝐂𝐀𝐋𝐈𝐒𝐓𝐎 𝐀𝐋𝐁𝐔𝐐𝐔𝐄𝐑𝐐𝐔𝐄. Quando o vôo 317 caiu, 𝐋𝐈𝐙 tinha apenas 𝟏𝟗 𝐀𝐍𝐎𝐒 e a floresta reconhece como 𝐎 𝐄𝐒𝐐𝐔𝐈𝐋𝐎 . Atualmente ela está com 𝟑𝟒 𝐀𝐍𝐎𝐒 e é conhecida como 𝐀𝐃𝐕𝐎𝐆𝐀𝐃𝐀, algo esperado considerando a reputação marcada por ser 𝐂𝐎𝐍𝐓𝐑𝐎𝐋𝐀𝐃𝐎𝐑𝐀, embora também seja 𝐄𝐅𝐈𝐂𝐈𝐄𝐍𝐓𝐄. Ela decidiu 𝐒𝐀𝐈𝐑 de hanover depois do resgate. A floresta lhe deseja boa sorte e tome cuidado com a morte, ou não!
ANTES:
Não se lembra se em algum momento recebeu algum elogio dos pais naturalmente. Já escutou vez ou outra do motorista que a levava para todos os lugares, mas do renomado médico Dr. Edgar e da juíza Helena? Nunca. Recebia congratulações apenas por seus êxitos de vez em quando, mas sempre teve a famosa sensação do "não fez mais do que sua obrigação". Até mesmo porque seus pais organizaram uma rotina rígida desde que ela era pequena e ser a melhor da turma era fundamental. Horários fixos, obrigações acadêmicas e atividades extracurriculares. Todas que fossem exigir dela um raciocínio, claro! Não podia se prender a atividades que não a levariam a lugar nenhum. Fez aulas de xadrez, piano, ballet clássico; além de falar português e inglês, também precisou aprender francês e italiano, necessários para mais leituras na área de Direito que ela certamente faria como esperado pela mãe; fez aulas extras de etiqueta e de matérias da escola quando todos os outros brincavam nos parques. Como esperar uma pessoa diferente na faculdade?
Entrou na Universidade de Darthmouth para o curso de Direito em primeiro lugar e consequentemente acabou ganhando uma Bolsa Mérito por isso. Mas esse não seria seu único prêmio acadêmico, pois até a viagem ela desenvolvia pesquisas acadêmicas dentro de grupos de estudo. Obviamente se tornou uma perfeccionista obcecada por organização. Não admitia erros, atrasos ou que as coisas saíssem de seu controle. Isso dificultava sua vida em trabalhos em grupo, porque tinha a sensação de que era a única a fazer as coisas direito. Para além de brilhante, pois realmente tudo que fazia era impecável, ficou conhecida por ser implacável e mandona, o que não facilitou em fazer amigos.
Está aí um ponto que realmente a magoava. Até então, mesmo que não conseguisse demonstrar, Eliza realmente tinha vontade de fazer amizades e sentia o fato de ninguém lhe dar essa oportunidade. Ela sabia que podia ter qualidades diferentes também, tinha um lado muito gentil que ninguém conhecia. Todas as vezes que se afastaram dela depois de uma ajuda durante a prova, tentava dizer para si mesma que amizades não a levariam a lugar nenhum, mas a verdade era que não gostava de se sentir tão sozinha assim. Não tinha com quem contar durante os intensos episódios de estresse e ansiedade que tinha todas as vezes que alguma coisa dava errado ou percebia estar falhando na visão de seus pais.
DEPOIS:
Após o resgate, Eliza sequer teve tempo de pensar sobre todos os traumas que vivenciou. Seus pais logo a fizeram sair de Hanover, contratar psicólogos e seguir na Harvard Law School. Com um currículo como aquele, como não seria capaz, não é? O acidente foi facilmente silenciado pela influência da juíza, então ela deveria conseguir seguir em paz em Cambridge. E ela estaria tão ocupada com seus afazeres acadêmicos em período integral que não teria tempo de pensar em traumas. Ao menos, era assim que pensavam. No entanto, para alguém que tinha que viver tudo de acordo com o que estava anotado na sua agenda, é possível imaginar o quanto aquela imprevisibilidade dolorosa a afetou. Pela primeira vez, seus episódios foram vistos por alguém, apesar de hoje em dia ela fingir que nada aconteceu.
Fingiu que a ideia dos pais era certa e se forçou a viver dentro do controle novamente. Realmente buscou ocupar sua mente com os estudos, finalizando o curso e partindo para uma pós graduação logo em seguida. Atualmente, está atuando como advogada em seu próprio escritório em Cambridge a sete anos e também permaneceu como pesquisadora em Harvard. De vez em quando é convidada para dar aulas, pequenos cursos e palestras por alguns professores antigos da graduação, então optou por permanecer na cidade.
Para os antigos colegas, ela provavelmente se tornou aquilo que esperavam. A mudança na cor de cabelo não mudava nada quando todo o restante parecia igual. Segue metódica e impaciente, o escritório impecável, a agenda tão organizada quanto antes, tinha regras de rotina para seguir. Os relacionamentos ainda eram difíceis, tanto que nenhum namorado durava, pois apesar da admiração dos pretendentes por ela, não dava para ela ser capaz de controlar o amor. A diferença era que se antes ela parecia não saber outra forma de viver e era sincera com desejo de amigos, agora ela faz tudo isso para não explodir e está realmente acreditando que relações podem ser problema. Sente necessidade de manter tudo do jeito que está para não reviver os traumas e sentir-se completamente incapaz novamente.
"Então..." Ela começou, com um tom de voz que já deixava indícios de que tinha alguma coisa importante para pedir. "Você, provavelmente, já está sabendo que o hotel virou um pesadelo inabitável nos últimos dias. Aquele lugar já era horrível antes. Lençóis duvidosos, banheiro minúsculo, uma falta de organização inacreditável durante o café da manhã... Mas agora está tudo quebrado. Fizeram um estrago naquele lugar, então eu fiquei sem ter para onde ir e... Para me ajudar, Pandora me chamou para fazer companhia para ela na sua casa enquanto está aqui." Após o segundos falando sem parar, Eliza fez uma pausa e avaliou a expressão de @sinnerwclf, tentando decifrar o que ele pensaria sobre essa ideia, mas antes que pudesse dar o veredito, ela ergueu o dedo indicador no ar. "Antes que você diga não e resolva me expulsar, eu tenho uma surpresa que vai amolecer seu coração por mim!" Virou-se rapidamente e se inclinou na direção da bolsa térmica que trouxera e tinha deixado no chão enquanto conversava com o amigo. De lá, tirou um pequeno pote transparente e uma colher de sobremesa envolta em um guardanapo. "Pudim! Não conte para os médicos. Eu sei que não deveria estar fazendo isso." Sorriu para o amigo e o entregou a sobremesa. "Prepara-se para o melhor pudim da sua vida, Finnegan Cooper. Vai tirar a prova de que a comida brasileira é sempre a melhor do mundo." Já tinha tanto tempo que estava ensaiando de fazer a sobremesa para o amigo e achou que essa era a chance ideal. Além disso, cozinhar a ajudava a relaxar a mente, então também era positivo para ela mesma.
Ao entregar o potinho, porém, sentiu o peso da cena diante de si. O rosto marcado do amigo, o corpo visivelmente ferido — todo o estado de Finn a deixava genuinamente angustiada. "Eu sinto muito, Finn. Eu realmente sinto." Apertou levemente o braço do amigo. Finnegan era um dos poucos que sempre a aceitara do jeito que era. Suportara suas listas, regras, a necessidade absurda de controle, sem nunca fazer pouco disso ou destratá-la. Era muito injusto que ele estivesse naquela cama agora. Finn adorava aquela cidade horrorosa e tinham se virado completamente contra ele. "Queria muito poder te ajudar de alguma forma." A verdade era que Eliza sentia-se culpada por isso. Sabia que a revolta da cidade não era culpa sua, mas Madame Voss havia feito um show na delegacia ao comentar sobre Ezra e esse se tornou mais um dos motivos para que começassem a se voltar contra os sobreviventes. Eliza estava envolvida nisso. E ela não conseguia pensar em uma forma de resolver isso, sem tornar tudo ainda mais complicado para eles.
hunter sabe que a escuridão que recai sobre a cidade é um lembrete de que as coisas ainda não estão seguras. mas também entende que é incapaz de se manter mais uma hora preso. havia nascido para ser uma ave livre, não enclausurado. a moto que conserta na beirada daquela rua demonstra uma ação que não é usual, mas não podia fazer nada se o caos anterior havia atingido seus bens materiais. apenas torcia para que ninguém o visse ali. um astro do cinema mexendo em uma moto no meio fio? poderia ser uma chacota. ❛ espero que você não esteja tirando uma foto disso, eliza. vou querer direitos de imagem. ❜ a voz estala, olhando para a mulher a poucos passos de distância. hunter a observa por cima, tentando entender o que uma pessoa em sã consciência fazia perto do anoitecer em uma cidade fadada a loucura. ❛ você sabe que estamos em meio a uma epidemia de loucura? se eu fosse você voltaria para casa, pode acabar como a próxima afetada. ❜ a língua coça em sua boca. hunter é incapaz de segurar as palavras que luta para dizer. ❛ se bem que não sei se isso seria contagioso para robôs. ❜
"Sim, porque eu mal poderia esperar para pegar meu celular e arruinar sua brilhante carreira de três filmes assistidos por meia dúzia de pessoas, Hunter. Como adivinhou?" A loira respondeu com ironia, mas seu sorriso discreto denunciava que não passava de uma provocação amistosa. No passado, ela poderia realmente se irritar com a personalidade alheia, mas tinham passado por tanto ao longo daqueles meses que aquelas brigas se tornaram irrelevantes para a mulher. Respondendo a pergunta seguinte, Liz sabia que não deveria estar andando pela cidade sozinha nas condições em que estavam, mas também era impossível ficar o tempo inteiro escondida. Inclusive, pensava que isso apenas a tornaria ainda mais suspeita aos olhos da cidade e a última coisa que ela precisava era ser associada a mais alguma coisa, principalmente em relação à Ezra. Só de pensar nele, sentia um mal estar físico. Ele já tinha tirado sua sanidade o suficiente ao expor todas as suas fraquezas. Depois disso, só o que restava era manter a cabeça ocupada, nem que fosse se oferecendo para fazer compras. Era o mínimo que podia fazer depois de Pandora salvar sua vida ao convidá-la para passar uns dias com ela na casa de Finn, enquanto ele ainda estava no hospital. Ao ouvir a frase final do ator, Eliza arqueou a sobrancelha. Segurou-se para não dar risada e continuou com a brincadeira. "Você tem razão. Robôs saem sempre ilesos, até porque temos processadores mais rápidos e mentes brilhantes e mais treinadas do que a maioria das pessoas. Inclusive, sabemos muito sobre tudo como, por exemplo, motos. Uma pena que o resto da humanidade ainda não saiba reconhecer nosso valor." Piscou para ele, dando de ombros e agindo casualmente. Caminhou ao redor da moto, sem pressa. Aproveitaria daquele raro momento de distração. "Mas está tudo bem. Te observar lutando com esses problemas mecânicos já está sendo entretenimento suficiente. Acho que vou abrir até uma das cervejas que comprei para comemorar a minha vingança atrasada."
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"i’m trying to stay calm."
Depois do caos dentro do hotel, Pandora sabia que precisava encerrar sua hospedaria naquele lugar porque a chance de outros malucos adentrarem seriam grandes e ela não queria se envolver em ainda mais problemas, mesmo que não tenha sido culpa sua. Ela já tinha outro lugar para ficar e por isso estava encerrando tudo ali na recepção, mas foi vendo Eliza que acabou ficando preocupada com a amiga andando de um lado pro outro. Se aproximou pedindo por calma e então ouviu a frase proferida por ela, abaixando os ombros. ❝ Eu sei, mas qual o problema? ❞ Perguntou, mas era uma pergunta meio boba e óbvia, por isso suspirou. ❝ Ok, eu sei que aqui não é tão seguro. Talvez você devesse procurar outro local também. ❞ Disse baixo, colocando sua mala de frente ao corpo ao arrastar a mesma ali. ❝ Eu acho que nem tenho autoridade pra isso, mas vou ficar na casa do Finn, e ele tá no hospital... Então vou ficar sozinha na casa dele já que as visitas são por períodos curtos, pensei que se você tá sozinha e eu também, podemos ficar sozinhas juntas. Pode ser mais seguro. ❞ Ofertou mesmo sabendo que deveria conversar e falar com o homem antes, mas diante de tudo o que aconteceu, era difícil pensar que eles não deveriam se apoiar num momento como aquele. ❝ Ou não sei... Podemos pensar em algo também. ❞
"Não consigo pensar em mais nenhum lugar. Essa cidade só tem essa porcaria de hotel! Que, aliás, já não era dos melhores antes, é importante ficar registrado." Ergueu o dedo enquanto falava, sempre com a necessidade de pontuar sua insatisfação de forma física também. Tanto que enquanto falava, caminhava de um lado para o outro, extremamente ansiosa e impaciente com o fato de não conseguir pensar em uma solução para o seu problema. Novamente, estava sendo surpreendida por uma situação que não podia prever ou controlar. Odiava isso. "Nessas condições, será que existe algum lugar realmente seguro?" Poderia pensar em aceitar a proposta de morar em um dos apartamentos vazios que a universidade alugava para os estudantes, mas o pensamento não parecia viável. A simples ideia de estar próxima a qualquer coisa relacionada a Dartmouth a deixava nervosa. Não duvidava que fossem utilizar disso como história para tornar a população ainda mais furiosa. Interrompeu seu fluxo de reclamações quando percebeu que Pandora estava prestes a sugerir alguma coisa e virou-se, para encarar a amiga. "Eu acho essa uma ótima ideia!" Respondeu sem hesitar, concordando com a cabeça. "Não que eu devesse utilizar desse momento delicado do Finn ara resolver meus próprios problemas, mas eu acho que vou ser obrigada a isso. Também não quero ficar sozinha." Estava vivendo um momento em que admitia para si mesma, cada vez mais, que não seria capaz de sair daquele problema sozinha. Havia sido criada para ser autossuficiente, mas se pretendia sobreviver outra vez, teria que estar ao lado daqueles poucos com quem compartilhava segredos tão importantes da sua vida. "Por mim essa ideia é ótima! E se o Finn quiser me expulsar depois, eu o convenço com um jantar brasileiro. Vai ser vantagem para todo mundo." Tentou brincar, exibindo um sorriso pequeno. Era verdade que ele carregava mais cansaço do que humor, mas ainda assim era um começo. "Obrigada, Pandy. Você acaba de salvar a minha vida! Não sei nem como agradecer. Quer um jantar brasileiro também?"
“Era só o que me faltava.” A voz de Claymore resmungou no escuro.
O Six South St Hotel estava há três dias mergulhado na escuridão, salvo pela luz pálida do sol durante o dia, esmorecida pelas nuvens de chuva que cobriam os céus, e pelos flashes velozes de raios seguidos pelo estrondo de trovões. Desde então, os hóspedes se alternavam para atazanar os recepcionistas o dia inteiro, questionando por que o gerador não estava funcionando, quando a energia seria restaurada e se podiam receber seu dinheiro de volta. No restaurante, Clay pegava um ou outro comentário trocado entre clientes, mas em maior parte estava ali para matar tempo — o hotel não havia dispensado os funcionários pela quantidade de hóspedes, porém, sem eletricidade, a cozinha quase não tinha movimento, então garçons e cozinheiros se divertiam jogando conversa fora e provocando Claymore por sua curta estadia na delegacia da cidade.
Agora, a noite engolia os resquícios de luz e o hotel ficava à mercê de lanternas de celulares e velas, que só se sustentavam acesas em cômodos completamente fechados, pois o vendaval lá fora uivava entre brechas de janelas e balançava portas e cortinas. Infelizmente, era o menor de seus problemas. O alvoroço no saguão cresceu aos poucos, mas tornou-se alto o suficiente para que seus funcionários fossem investigar o que estava acontecendo. Do início do corredor, Claymore espiou a cena: do lado de dentro, hóspedes assustados e nervosos, estivessem batendo boca com a recepção ou encolhendo-se nos cantos da sala, enquanto do lado de fora um grupo de pessoas se esforçava para gritar mais alto que o vendaval, exigindo que entrasse e ameaçando fazê-lo à força. O homem compreendeu uma palavra ou outra do que berravam, como “sobreviventes”, “Voss” e “justiça”, o que certamente não era um bom sinal. Os olhos, então, esquadrinharam o saguão à procura de figuras conhecidas, de outros colegas sobreviventes que ali estavam hospedados, e, entre encontros com olhos que o observavam com emoções variadas — alguns com nojo e desgosto, outros com medo e ansiedade, e pouquíssimos com pena e empatia —, ele reconheceu uma figura mal-iluminada e com cabelos loiros aos quais recentemente se acostumara.
“Eliza.” Chamou Claymore, baixo. Ele se aproximou e pôs a mão sobre o ombro da mulher, para que ela não precisasse procurá-lo no escuro. “Só eu tô sentindo um clima de filme de apocalipse zumbi?”
Os olhos de Eliza se arregalaram no instante em que percebeu o grupo de pessoas furiosas se acumulando em frente a porta principal do hotel. Batiam com extrema violência contra o vidro e gritavam insultos sem parar. Estavam a ponto de invadir o lugar. Liz, genuinamente, não estava esperando por essa recepção quando desceu de seu quarto para o saguão. Seu objetivo era tentar encontrar e passar um tempo com Clay, que vinha sendo sua companhia durante os últimos dias de apagão. Desde a confusão que se envolveu com Ezra, Liz não gostava de ficar sozinha no seu quarto de hotel, pois todas as vezes que deitava a cabeça na cama, ficava a mercê de pensamentos que não conseguia controlar e sentia-se extremamente sufocada e ansiosa. Ouvir as piadas de Clay estavam sendo um ótimo remédio calmante nos últimos dias, mesmo que ela não entendesse a maioria delas.
Estava tão focada nas pessoas que tentavam invadir o hotel que se encolheu levemente com o toque em seu ombro. Felizmente, o susto não durou por muito tempo. Logo reconheceu a voz de Clay e mesmo no escuro, percebeu os traços conhecidos do rapaz. Isso foi suficiente para que aos poucos seu coração começasse a se acalmar. Ela se aproximou dele por instinto, como se sentisse a necessidade de ser protegida. Sim, a cada dia que passava em Hanover, começava a sentir toda a sua máscara de mulher super confiante indo para o espaço, assim como aconteceu na floresta. Eliza percebia estar cada vez mais insegura e amedrontada por não conseguir resolver os problemas que apareciam. "Onde você estava até agora, Claymore Atkins?! Deveria ter vindo me buscar na escada!" Puxou a camisa do amigo pela barra, como se o estivesse repreendendo. Mas um barulho de alguém batendo na porta a fez esquecer daquele detalhe. Respirou fundo para respondê-lo. "Não é só você." E pensar que Eliza era uma grande fã dos clássicos. A Noite dos Mortos-Vivos sempre estava na sua lista. Do lado de fora, os gritos e a revolta coletiva apenas aumentavam. Segundos depois, o vidro da porta estalou alto quando uma pedra atingiu, fazendo com que Eliza se abaixasse no mesmo instante, puxando Clay com ela. Já tinham a resposta que precisavam. Com as mãos sobre a cabeça para evitar serem atingidos por algum vidro, ela continuou. "Mas se isso for um filme, eu não quero ser quem morre primeiro. Sobrevivemos até agora, não vamos morrer assim. Nasci para ser uma final girl." Mesmo sem tempo, fechou os olhos por um segundo, tentando se reconectar com a versão de si mesma que saberia como reagir. Precisava colocar a cabeça para funcionar e não se deixar levar pelo desespero. Antigamente, costumava ser ótima em solucionar problemas. Ergueu a cabeça novamente e olhou ao redor novamente, buscando rotas de fuga. "Droga, não temos mais tempo, Clay! Se levanta, vem, rápido! Onde fica o corredor de serviço?"
Eliza só queria voltar para o hotel, pegar algumas roupas e tomar um banho quente. Depois dos últimos dias, precisando lidar com Madame Voss e a situação que se encontrava com Ezra, ela achava que merecia esse pequeno luxo. Ou seria incapaz de se acalmar para colocar a cabeça no lugar e retomar o controle. O que ela não imaginava era que, ao chegar no centro de Hanover, seria recebida por um vendaval tão intenso. Enquanto dirigia, já tinha desviado de duas árvores caídas no meio da estrada e conseguia ver que outras pareciam prestes a cederem. Não havia dúvidas que não dava para ficar ali. Ela tentava pensar em uma forma de fazer o contorno da rua, quando reconheceu Marisol na calçada. Buzinou para chamar a atenção da mulher e então, acenou. "Entra no carro, eu te levo! Vamos!" Gesticulou para que ela se apressasse. Não dava para deixá-la continuar andando pelas ruas a pé naquelas condições. A qualquer momento, @mcrisowl poderia ser atingida por algo, especialmente com a escuridão ao redor. "Você está bem? Me mostra o caminho que eu te deixo na sua casa."
"Ei." Chamou a atenção de Nicholas, procurando pela mão dele para segurá-la junto da sua enquanto falava. Se estava relutante de fazer isso da última vez em que se falaram, no cemitério, agora ela não conseguia mais se preocupar com isso. "Obrigada pela ajuda. Mas eu acho que você pode ir agora e voltar amanhã, se quiser." Ergueu os olhos para encará-lo e balançou a cabeça em confirmação, como se quisesse que ele tivesse certeza de sua decisão. Ao fundo, escutava o som da chuva que não parava e a escuridão ainda dominava a paisagem, mesmo que estivessem longe do centro de Hanover naquele momento. "Você precisa dormir, comer alguma coisa. O hotel está completamente cercado e foi invadido. Não posso voltar para lá e não tenho outro lugar para ficar... Então vou aproveitar e ficar por aqui mesmo essa noite. Ele já está acordado. Vou cuidar do ferimento na perna dele e depois tentar encontrar uma forma de convencê-lo a parar com o blog e as fofocas." Antes que pudesse ouvir a resposta, porém, uma risada debochava e venenosa alcançou os ouvidos da mulher e ela virou o rosto, encontrando Ezra, largado em uma cadeira de madeira com uma das pernas esticada para frente.
𝐅𝐋𝐀𝐒𝐇𝐁𝐀𝐂𝐊.
Após ter tomado aquela decisão maluca e irreversível, Eliza aguardava pela chegada de Nick. Tinha estacionado o carro e o deixado oculto em meio a um matagal próximo da estrada e agora permanecia do lado de fora do veículo, tentando controlar a respiração. Fazia um tempo que não voltava a ter aquelas crises de ansiedade tão fortes. Depois de alguns minutos que pareceram uma eternidade, ela avistou a figura conhecida se aproximando e correu na direção dele para abraçá-lo. Estava completamente desesperada e sua aparência indicava isso. "Nick, eu fiz tudo errado outra vez." Ela murmurou em meio ao abraço. Sentia o corpo tremer próximo dele. "Mas não consegui pensar em outra coisa. Travei completamente. Eu sempre fico assim quando estou nervosa, você sabe, não consigo pensar em mais nada e acabo agindo impulsivamente..." Afastou-se do abraço e começou a tagarelar, gesticulando desesperadamente, típico de quando se via em um momento de desespero. "E eu sinto muito por te colocar nisso. De verdade. Mas eu não tinha quem chamar. Você é o único que eu..." Tentou se explicar, embora soubesse que palavras nunca seriam suficientes para expressar a confiança cega que depositava nele. "Argh, não!" Negou com a cabeça e deu meia volta. "Eu não posso fazer isso, Nick! Escuta. Esquece!" Colocou as mãos nos braços dele e o segurou firmemente. "Vai embora. Não vou fazer isso com você. É muito injusto. Vai, Nick, por favor."
𝐄𝐍𝐃 𝐎𝐅 𝐅𝐋𝐀𝐒𝐇𝐁𝐀𝐂𝐊.
"O que é essa cena que estou vendo aqui?" A voz de Ezra soou debochada, da mesma forma que usou quando quis tirar Eliza do sério. "Um drama ao vivo só para mim? Que privilégio." Eliza fechou os olhos com força, sentindo a raiva subir pela garganta. Mas dessa vez, a raiva não era só dele, também de si mesma por ter se colocado naquela situação. Pensava ter aprendido como se manter no controle, mas assim como anos atrás, ela percebeu que esteve apenas se enganando. "O que foi, Albuquerque? Já se arrependeu de ter colocado seu querido Nick nisso?" A mulher praticamente voou na direção de Ezra em passos raivosos. No fundo, estava sim arrependida do que havia feito. Nicholas era a melhor escolha para ajudá-la, mas ela deveria ter sido menos egoísta e resolvido tudo sozinha. Odiava saber que ele estava correndo risco ao estar ali. "Cala a boca. Cala. A. Boca. Não viu o que essa sua boca grande e suja já causou?!" Indicou a perna dele machucada pela queda na cadeira. Após terem escondido o pupilo de Madame Voss ali, Eliza conseguiu sair para pegar alguns curativos para tratar dele quando acordasse, sem precisar de resgate. Precisavam encontrar uma forma de negociar antes. Após respirar fundo, virou-se para @rabbitfallz e assentiu novamente. "Está tudo bem, Nick. Pode ir." Mas era óbvio que Ezra não deixaria com que os dois escapassem dali tão fácil assim. Não, sem antes, levá-los ao limite.
"Não acredito que alguma coisa vai acontecer com vocês. O pior já passou, tenho certeza. O que está acontecendo agora não passam de coincidências." Mesmo que fossem as palavras que saísse dos lábios dela, Cemile ainda tinha aquela hesitação. E se estivesse errada? "Eles não vão. Espera, quem é exatamente eles? A floresta?" Alguns dos sobreviventes já tinham falado a respeito daquilo com ela. A sensação que nunca passa. Lembrava-se de Nicholas comentando que parecia que, de vez em quando, parecia que jamais tinham saído da floresta. Havia aquela crença por parte deles, real ou não, que tinha algo místico acontecendo. Mesmo que não fosse uma pessoa essencialmente mística, Cemile tinha as próprias crenças e acreditava que tudo o que viviam tinha um significado maior. Viu a expressão alheia mudar e o peso começar a tomar espaço em Eliza. Aproximou-se da amiga suavemente, permitindo que os braços envolvessem o torso dela, tentando fazê-la se sentir um pouco melhor. "Não precisa ficar assim, Liz. Merda acontece. Não é sua culpa e nem de nenhum de vocês." A voz era calma, tentando não colocar mais pressão que precisava nos braços. Sabia que Eliza estava passando por bastante coisa recentemente e a tragédia continuava a acompanhando. Não era fácil se livrar da culpa, mas era importante para Cemile que a outra soubesse que não a culpava pelos recentes acontecimentos. Faziam o melhor que podiam com o que tinham.
Afastou-se suavemente da amiga, colocando uma mão no rosto alheio para que os olhos se mantivessem nela. "Apesar de tudo, Ethan viveu, casou-se com uma pessoa incrível e construiu uma vida. Mesmo que ele não esteja com a gente mais, ele viveu. Ele foi feliz. É um saco o que aconteceu, mas temos que celebrar a vida e não lamentar a morte. A mesma coisa em relação a nós: apesar de tudo, vivemos e temos que continuar vivendo para honrar todas as lembranças e desejos daqueles que não podem mais estar fazendo isso." Era mais fácil de falar do que fazer, mas anos de terapia tornava o luto mais leve. A mudança da perspectiva aconteceu anos atrás e ainda ficava triste pensando que não tinha mais certas pessoas em sua vida, mas ficar remoendo não a ajudava em nada. É claro que de vez em quando a atingia de forma mais intensa, mas Cemile estava tentando. Tinha prometido que tentaria. Deslizou as mãos para que, ao invés de segurar o rosto alheio, segurassem os dígitos alheios, enquanto havia um pequeno sorriso nos lábios da mulher. "E, então, Eliza Albuquerque, podemos beber porque você vai parar de se culpar e começar a viver?"
"Eu também acho isso. São apenas coincidências horríveis. Quando a investigação acabar, nós vamos todos voltar para nossas vidas normais e ficarmos em paz." Ela tentou sorrir para a amiga, mas naquele ponto, Eliza já estava começando a entender que não importava o quanto negasse ou se agarrasse ao ceticismo, algo estava voltando para atacá-los. Ela mesma fora uma vítima recentemente. Podia não ter sofrido uma violência física, como os outros, mas psicológica, com certeza. Havia sido abordada pelo pupilo de Voss e ele tinha usado de sua manipulação contra ela. Ela sentira o poder da floresta ali. Queria muito compartilhar com Cemile o acontecido, mas era impossível. Ela não podia saber sobre nada o passado e também não podia saber no que a advogada estava envolvida agora. Não pensava que a amiga seria capaz de entender sua escolha. Seria o fim da amizade que tinham e mesmo sem saber de nada, Cemile ainda era um apoio importante para Albuquerque ali e ela não queria perdê-la. "Hm?" Ela ergueu os olhos da taça recém-cheia e balançou a cabeça em negação. "Não, ninguém. A floresta já saiu dos meus pensamentos tem muito tempo." Havia falado demais. Não deveria sequer ter mencionado eles nenhum.
Observou Cemile se aproximar e a envolver em um abraço e Eliza precisou desviar o olhar por um momento, para fechar os olhos e segurar uma lágrima. Sentia-se profundamente culpada, porque, no fundo, sabia que a culpa era sua sim. Ela era uma mentirosa, maníaca, cheia de segredos e decisões erradas. Tinha muito medo do que poderia acontecer com a amiga se continuasse do seu lado, principalmente se não conseguisse segurar a língua de Ezra. Após conter a lágrima, virou-se para Cemile novamente para ouvi-la melhor. Era bonita a forma como ela falava de Ethan e ela se viu contente por saber que ele tinha tido uma vida feliz, apesar de tudo. Ou será que ele também fingia, assim como Eliza fazia? A advogada mantinha uma fachada de vida perfeita, mas por dentro, seguia completamente quebrada. Talvez fosse o caso de Ethan, mas não pretendia perguntar isso para Cemile. Ela devia manter aquela lembrança que tinha dele. "I'm really glad that you're here." A fala era genuína, pois tinha um carinho e admiração verdadeiro pela amiga. Era por isso que odiava a sensação de mentir daquele jeito. Apertou a mão alheia que envolveu a sua e então, ouviu a pergunta seguinte, riu levemente, concordando. "Tudo bem! Se é isso que você deseja, vamos beber, porque eu também vou começar a viver! Também posso se feliz como Ethan foi. Até porque você vai aceitar casar comigo, certo? É a pessoa mais incrível que eu conheço!" Ergueu a taça que tinha em mãos para poder brindar com Cemile. Precisava se distrair de vez ou acabaria revelando mais do que deveria sobre seus sentimentos e não queria se ver obrigada a mentir ainda mais para ela. Omitir parecia mais fácil. Antes que pudesse seguir com a brincadeira e dizer para Cemile o que estava planejando para o casamento das duas, Eliza levou um susto com o estrondo de um trovão. Já vinha reparando que as nuvens estavam mais pesadas e escuras nos últimos dois dias e agora parecia certo que uma tempestade violenta se aproximava. Observou as luzes do apartamento começando a piscar e franziu o cenho. "Você tem gerador aqui, Mile?"
Enquanto a vida acontece, o café ajuda. Uma frase clichê encontrada em diversas garrafas térmicas por aí, mas que sempre foi muito real para Eliza. Viciada em trabalho e em permanecer com a cabeça ativa, a advogada sempre precisou de um café forte para conseguir manter tudo nos eixos. Impedida de voltar para Cambridge e, após comparecer a vários depoimentos, por ter seu nome sugerido como cúmplice da morte do delegado devido a sua amizade com Claymore, ela precisava, genuinamente, de uma bebida quente para se recuperar. Passou cerca de meia hora na cafeteria, satisfeita de ter conseguido um breve momento sozinha e agora, pretendia voltar para o hotel. Ela ainda tentava organizar seus processos por meio de reuniões online e o trabalho cumpria seu papel em mantê-la sã. Agora possuindo um carro alugado para facilitar a locomoção em Hanover, ela dobrou por uma esquina diferente para encurtar o caminho até o hotel e alcançar a entrada dos fundos, evitando os jornalistas. A rua estava completamente vazia e por isso, a brasileira levou um susto ao quase atropelar Ezra que apareceu subitamente na sua frente. Soltou um xingamento alto, em português brasileiro, enquanto apertava a buzina de forma impaciente. "Você está maluco?!" Ela desceu do carro, batendo a porta com força, ao perceber que ele não estava se movendo da sua frente e a rua era estreita demais para outra manobra. Antes não tivesse feito, pois agora ela conseguia perceber que era justamente chamar sua atenção que o pupilo de Madame Voss queria. Responsável por muitos dos comentários sobre sua obsessão por controle e da possibilidade disso ser um motivo para o planejamento de um assassinato, Eliza o odiava. Assim como todos os outros fofoqueiros que organizavam e seguiam Voss, tirando seu controle.
"Que recepção calorosa, doutora Albuquerque..." O homem arrastou o tom de voz, como se o próprio título fosse uma piada. "Diria que quase foi tentativa de homicídio, mas, vindo de você, ninguém ia estranhar." Percebendo o que ele pretendia fazer, Eliza manteve a mandíbula travada e optou por ignorá-lo, caminhando até a porta do carro para voltar a entrar e seguir seu caminho. "Não vai nem perguntar se eu estou bem? Afinal, você é uma mulher de princípios, não é? Uma advogada séria e defensora da justiça. Já dei uma olhada nos seus casos, todos um sucesso, sempre perfeita. Meus parabéns." Ele estendeu a mão para a brasileira que levou os olhos para a mesma e novamente optou por ignorá-lo, abrindo a porta do carro. "Não tenho tempo pra isso, Ezra. Por que não volta para a sua líder? Aposto que estão precisando de ajuda para inventar mais mentiras por lá." Respondeu, seca e impaciente, sem se dar ao trabalho de encará-lo. Mas, como deveria ter imaginado, ele não recuou. Se aproximou ainda mais, apoiando o braço na porta do carro para impedi-la de adentrar o automóvel. "Engraçado. Você tinha bastante tempo pra tomar boas decisões naquela floresta... E olha no que deu." Eliza ergueu os olhos para ele, endurecendo ainda mais a expressão. Ainda tentava manter a compostura, mas era difícil quando ele mencionava justamente o seu ponto mais fraco. "Muito justa, realmente. Só muda quando está relacionado com você e seus amiguinhos, não é?" A mão dela apertou a maçaneta do carro com força, os dedos começando a ficarem brancos de nervosismo e ansiedade. "Eu imagino que seja difícil acompanhar casos criminosos no tribunal... Quando no fundo sabe que era você quem devia estar sentada do outro lado." Soltando a maçaneta da porta do carro, a mulher afastou-se um passo. Passou a mão pelo cabelo, gesto conhecido que indicava sua falta de paciência. "Eu sei o que está tentando fazer e não vou cair no seu jogo, Ezra." Em resposta, ele deu de ombros. Parecia já esperar por aquela resposta vinda dela. "Você já caiu a anos. Só está tentando subir de volta, achando que um diploma de Harvard, um apartamento perfeitamente organizado e uma carreira perfeita podem manter sua consciência limpa. Mas nós te conhecemos, doutora. É cheia de falhas. Falhou na floresta e falhou agora novamente, ajudando a matar o delegado." Eliza cerrou os dentes. Por um segundo, a vontade de socá-lo foi palpável. Ela realmente esquecia de qualquer coisa que estudou e que a violência apenas poderia fazer com que seu processo se tornasse ainda mais difícil de acabar. "Eu não matei ninguém. Clay não fez isso. Cassie não fez isso. Nenhum dos meus amigos fez isso. Vocês apenas procuram pessoas para apontar os dedos e usam do acidente para isso. Não possuem vergonha nenhuma, esperem até que..." Ezra começou a rir abertamente antes de voltar a respondê-la. "O quê? Vai ameaçar nos processar novamente? Ah querida, se você pudesse fazer isso, já tinha feito. Estudou tantos anos, não foi? Sabe cada uma das leis que regem esse lugar decorado... Mas sabe por que não fez?" Ele se aproximou, perigosamente, mais um passo da brasileira. "Porque tem medo." A morena franziu os cenho e debochou. "Eu não tenho medo de nada." Em resposta, Ezra sorriu vitoriosamente. "Ah tem. Você não nos processa porque tem medo do que aconteceu naquela floresta e sabe que se colocar a justiça no meio vai ficar ainda mais difícil se salvar."
"Cala a boca." Contraiu os dentes, mas não. Ele continuou e seguiria por muito mais tempo. Ela logo percebeu que o objetivo dele ali estava claro. Queria tirá-la completamente do sério e encontrar ainda mais motivos para acusá-la. "Você tem medo de que a gente comece a cavar fundo o bastante e que alguém descubra que você não é a mulher perfeita que gosta de fingir ser." Eliza cerrou os punhos ao lado do corpo, lutando contra o impulso de agredi-lo ali mesmo para sair de perto. Não aguentava aquela invasão de espaço, de memórias, de sanidade. "E eu imagino que seja mesmo difícil pra você aceitar isso. Filha de um médico renomado e de uma juíza federal. Sim, nós fizemos a pesquisa completa. Seus pais, dois arquitetos da excelência, esculpindo uma filha digna da imagem de vitória da família Calisto Albuquerque. Aposto que não suportava a ideia de decepcioná-los... E por isso tem medo sim, Eliza." Ela começava a perceber que ele não iria parar. Ela precisava dar um jeito de fugir dali, pois já não conseguia mais conter o sangue fervendo nas veias e conhecia a si mesma o suficiente para saber que não seria capaz de conter sua língua por muito mais tempo. "Você acha que a gente não sabe o que aconteceu naquela floresta? Sabemos que você não suportava a ideia de perder o controle e que cada pessoa que desafiava você... Acabava fora do seu caminho de um jeito ou de outro." A mulher franziu o cenho, confusa. Ele não tinha como saber de nada. Era um pacto entre todos os sobreviventes que nunca falassem sobre o que tinham feito com ninguém. Ele pareceu ter se interessado pela expressão da mulher e continuou. "Você queria perfeição e que todo mundo dançasse no seu ritmo. E quando eles não dançaram... Você dançou em cima dos corpos deles, doutora." Aquilo era mentira. Mesmo diante de seu comportamento perfeccionista da época, tudo que ela queria fazer era ajudar. Sempre. Poderia não saber como demonstrar, mas tudo que fazia era com a melhor intenção possível. Ela não queria mortes, não queria ver ninguém sofrendo. Era seu objetivo que todos tivessem saído vivos de lá e fez tudo que estava ao seu alcance para conseguir isso. Realmente tudo. "Você não sabe de nada! Não sabe nada da minha vida! Não tem ideia do que eu já passei." Explodiu de vez, gritando em meio a rua vazia. "Não sabe o que sofremos naquele lugar! A dor que passamos. Os traumas que carregamos. É só um imbecil, um completo mentiroso!" Bateu na porta do carro com força bem ao lado do rosto dele, fazendo o metal estremecer.
"Hm, violenta, ahn? Primeiro quis me atropelar, agora me bater. Ah, mas agora eu tenho ideia sim, doutora. Tenho material pra meses... Você acabou de me dar tudo de bandeja." Os olhos da mulher arregalaram. Ela não falou nada demais, falou? Será que ele diria que ela confirmou tudo que ele tinha dito? Se mentiu antes, poderia mentir novamente. Eliza sentiu o desespero crescer e andou um pouco para longe do carro. "O que foi?" Ezra a seguiu. "Não segui as suas regras? Percebi que você é imperfeita assim como seus pais que agora te abandonaram? Vai fazer como fez com os outros da floresta? Quem vai ser primeiro? Quem te irritou mais? Eu ou seus pais?" A voz próxima de seu ouvido e as múltiplas perguntas foi a gota d'água. Sem saber o que fazer para escapar daquele caos e movida pelo impulso incontrolável da humilhação e da fúria, Eliza se virou e o empurrou com as duas mãos. Pegando-o desprevenido, Ezra tropeçou desajeitadamente e sua perna mais fraca cedeu, o fazendo cair para trás com um baque seco contra a calçada. Eliza congelou, agora estava com o peito arfando e os olhos arregalados em choque. Céus, o que tinha feito?! Ela começou a chamá-lo pelo nome algumas vezes, mas o rapaz não se movia. Com o corpo tremendo, se aproximou e viu que ele estava sangrando. Pegou o celular e começou a discar o número do resgate. Ele ainda estava respirando, então tinha tempo para solucionar o problema. No entanto, antes de apertar o botão e ligar, ela travou. Se ele acordasse com memória do momento anterior, iria acusá-la de tentar matá-lo. Tinha certeza disso. E dentro dar circunstâncias, Eliza sabia que não teria chances de escapar. Seria a palavra de Ezra contra a sua e os sobreviventes não eram bem vistos naquela cidade. "Inferno, mas que droga!" Passou a mão tremula pelo cabelo novamente. Adalind tinha avisado. Se Eliza não controlasse seu temperamento, ela iria prejudicar a todos. Era justamente o que tinha acontecido agora.
Ela vislumbrou o carro que tinha alugado em frente ao rapaz caído no chão. Deu uma olhada ao redor e a rua continuava completamente vazia. Não tinha casas ali, apenas estabelecimentos fechados. Liz só tinha uma chance de evitar algum problema para os sobreviventes. Garantir que Ezra não abriria aquela boca horrível. Ignorando todos os ensinamentos de uma advogada que deveria estar seguindo as leis, abaixou-se e levantou o desacordado desajeitadamente. Felizmente ele seguia respirando. O sangue que se arrastava da têmpora alheia, manchava sua roupa e Eliza se forçava a não deixar que os flashbacks da floresta a machucassem. Não adiantava chorar agora. Ela não tinha mais escolhas. Colocou o rapaz no porta-malas e em seguida, correu para ligar o carro e sair daquela rua.
Liz começou a fazer o caminho completamente contrário ao que tinha planejado. O hotel estava agora a muitos metros de distância. Ligou o som alto para tentar ignorar a mente que gritava, mas isso não adiantava. Eliza estava completamente sem saber o que fazer. Suas mãos tremiam, estava com a respiração falhando e se sentia enjoada. Apertava uma das mãos no volante em punho, fazendo com que as unhas afundassem na pele, machucando-a. Exatamente como quando estava na floresta, sofrendo de crises graves de ansiedade. Como pode ser tão ingênua e amadora e se deixar cair naquela bobagem toda que ele dizia?! Você é uma mulher de trinta e quatro anos, Eliza! Por que ainda agia como uma jovem inexperiente? A sempre impecável Eliza Albuquerque agora tinha cometido um erro terrível... E sabia que precisava de ajuda. Não estava em condições de pensar em uma solução definitiva sozinha. Mas para quem pedir? A resposta aparecia óbvia em sua mente, mas Eliza ainda relutava. Não era justo com ele. Logo agora que pareciam ter acertado as coisas, ela o colocaria em um problema desses. Eles não vão nos deixar ser feliz, não é, Nick? Nós não merecemos. Soco o volante com força e gritou. Ela havia dito aquilo para ele na noite anterior e ali estava a prova. A floresta não os deixariam ser felizes. Sabe que não deixaria você sozinha nesse mundo. Ride or die, right? Tateou os bolsos e após encontrar o celular, ainda dirigindo, procurou pelo nome de Nicholas. Agora tinha o número dele e precisava que ele cumprisse mais uma promessa e atendesse aquele telefone. Seus olhos lacrimejavam da dor de levar aquele que amava para dentro disso, mas ela precisava dele. Nicholas era o único para quem sempre confiaria sua vida inteira. Com o coração disparado, aguardou por alguns minutos até escutar a voz no outro lado da linha. Respirou aliviada. "Nick? Eu preciso de você. Não, não pergunta nada agora. Me encontra no endereço que vou te enviar."
personagens mencionados em algum momento: @quaxinim @morgcncassie @adalznd @rabbitfallz
RESUMO: Enquanto voltava para o hotel, Eliza deu de cara com Ezra. Ele estava com um plano em mente: desejava levar Eliza ao seu limite e usar disso em seu blog de fofocas para encontrar provas contra ela e os outros sobreviventes. Começou a provocá-la sem parar. No começo, Liz conseguiu se conter, mas ele começou a usar da floresta contra ela e também de fatos que havia pesquisado sobre sua vida. Sentindo-se ansiosa e coagida, ela acabou empurrando o Ezra na rua e ele bateu com a cabeça na calçada. Mesmo vivo, ele continua desacordado e ela fica sem saber como agir. Pensa em ligar para o resgate, mas desiste, pois sabe que o no momento em que o pupilo de Voss acordar, ele irá acusá-la de tentar matá-lo e ela não terá chances de se defender. Todas as circunstâncias estão contra ela e os sobreviventes. Ela deveria tomar a decisão certa como sempre. Deveria. Pois dessa vez, ela erra. Tomada pelo desespero, sua ideia, então, é de levá-lo para longe para conseguir convencê-lo de não falar nada quando acordar. Ela coloca ele no carro e começa a dirigir. Como sabe que precisa de ajuda, liga para o Nicholas e pede para encontrá-la.
pós baile, madrugada depois de descobrirem sobre mila.
O corpo atravessado por galhos, o sangue, cheiro de ferro. Eliza virava de um lado para o outro no chão sendo incomodada pelo pesadelo realista. Estava vendo Mila novamente, quase tão vívido quanto a cena que presenciou mais cedo naquele dia após o aviso do acontecido com a colega. Ainda custava a acreditar. Depois de mais alguns segundos se debatendo, acordou com um sobressalto. Continuava respirando de forma descompassada quando se levantou e saiu para o lado de fora da cabana. Ficou ali alguns segundos, tentando se acalmar, até escutar um galho quebrando atrás de si e virar-se assustada. "Que susto!" Colocou a mão sobre o peito ao reconhecer muse. "Me desculpa, pensei que poderia ser outro animal tentando invadir a cabana." E, infelizmente, se acontecesse, ela não achava que seus conhecimentos teóricos seriam suficientes para lidar com isso. "Também perdeu o sono?" Perguntou, tentando soar casual, apesar das circunstâncias. "Acredita que ainda estou com dor de cabeça depois daquele chá maluco? O que será que tinha ali?" Passou a mão pelo cabelo incomodada. Não queria relatar seu pesadelo, mas não mentia sobre o chá. Nunca tinha experimentado algo parecido antes, então seu corpo claramente não estava acostumado com os efeitos.
Para ser a primeira vez que ia em uma festa como aquela, Eliza estava tendo uma percepção muito positiva. Desconsiderando as circunstâncias, é claro. Afinal, ainda estavam presos naquele lugar desconhecido, com recursos escassos e sem sinal de qualquer resgate. Ela sabia que a ideia do baile só poderia distraí-los por algumas horas antes da realidade voltar a bater à porta. Mas a companhia estava fazendo tudo soar melhor para Eliza. Realmente Nicholas tinha cumprido a promessa de ir com ela até o baile e ficar ao seu lado em todos os momentos, mesmo quando ela reclamava, como era o caso do gosto daquele chá que haviam recebido recentemente. "É como se eu estivesse colocando terra na boca. Quem é que tenha feito isso não sabe nada de chás." Ela contorceu o cenho, mas tomou mais um gole da bebida. Pelo menos o chá era quente e ajudava a conter o frio. O que também ajudava com isso era a proximidade com @rabbitfallz, aliás. Movida sabe-se lá porque — frio, chá ou pela vontade que tomava seu coração desde o momento em que o viu naquela noite — Eliza criou coragem e se aproximou um pouco mais, encostando-se melhor na árvore onde estavam. Seus corpos ficaram lado a lado, com os dedos triscando tão perto que ela podia sentir a eletricidade no espaço entre eles. "Quer escutar uma coisa que não vai achar nada interessante?" Ergueu o rosto para observá-lo, gostando de como a luz da lua desenhava os traços dele. "Ali." Apontou para o céu. "Dá pra ver Órion bem claro essa noite. Está inclinado de um jeito que só conseguimos ver em algumas latitudes específicas." Ela sorriu de canto, já sabendo que provavelmente estava sendo nerd demais, como sempre. Aproveitou o momento de pausa para beber mais um gole do chá, que, estranhamente, começava a parecer menos horrível. "O cinturão sempre se encontra a no máximo um grau de distância do Leste e do Oeste. Tem alguns estudiosos que o consideram ainda mais preciso do que a Lua para encontrar essas direções." Se os sobreviventes soubessem onde estavam, quem sabe as estrelas não poderiam guiá-los de volta? "Enfim... É que eu já li sobre isso uma vez." Murmurou, desviando o olhar e se sentindo um pouco frustrada consigo mesma por nunca conseguir ser legal de verdade, mesmo quando era o que mais gostaria de fazer. Tinha medo de realmente estragar a noite dele.
⊱ não é um estranho a olhares atravessados, sequer se importa com eles, se há algo que aprendeu quando mais novo era que ignorar era uma arte. mas veja bem, ainda é reativo demais para o seu próprio bem e é inevitável que voltar a ser um alvo tantos anos depois é, no mínimo, exasperador. então em um momento de esgotamento, denota e rebate, por um segundo achei que ‘tava vendo alguma coisa também. proclama em jocosidade, o xingar baixinho quando se arranha nas insistentes agulhas de pinheiro que separou para a decoração. você sabe que ninguém ‘tá te cobrando nada, né? mesmo que não fosse o que negava ajuda, jamais conseguiria se imaginar em tão alto nível de proatividade, você comanda tudo como se fosse a marinha. apenas observa e comenta o que vê, o cansaço que não era especial de ninguém naquele ponto, mas que pesava mais uns do que os outros. já ‘tive melhor, ‘pra falar a verdade. mas não pelo que rolou, então não acho que seja uma exclusividade minha. os galhos do pinheiro então são entregues à ela, as pontas livres dos galhos espinhosos para que pudessem ser manuseados com mais cautela — cortesia do canivete rosa que havia ganho da irmã antes da viagem. algo me diz que não era isso que você queria perguntar e, não! não foram os… fantasmas que me disseram. ri, porque claramente não fala sério, seu tom é levemente mais ácido do que o normal — era apenas a exaustão falando sobre ele.
"Eu sei disso." Respondeu prontamente, porque não era essa a impressão que queria ter deixado ao justificar por que não havia ido falar com ele antes. "Mas estou acostumada a fazer isso. Não me incomoda." Como não gostava de falar muito sobre si mesma, preferiu não prolongar o assunto. Precisaria confiar muito para se abrir sobre aquele tópico e explicar que mantinha a mente sempre ocupada para não pensar em coisas que a assustavam, como a possibilidade do resgate nunca chegar. Um pensamento assim acabaria com qualquer clima de leveza que o baile pudesse trazer. Também teria que contar como era sua vida em casa, onde precisava estar no controle absoluto de tudo, garantindo a mais completa perfeição ou seria vista como um fracasso completo. Desligar a tal "postura de marinha" era bem mais difícil do que parecia. Desviou o olhar para as pessoas ao redor, sentindo-se estranhamente vazia, sem saber o que dizer. Quando ele respondeu sua pergunta, conseguiu voltar a encará-lo. "Hm, quer tentar o suco? Talvez ajude a animar um pouco." Estendeu o copo cheio que tinha em mãos para ele. "Eu ainda não bebi." Explicou, para não dar nenhuma outra má impressão. Liz era péssima no que dizia respeito a fazer amizades. Sempre falava o que não devia ou soava insensível demais. Robótica demais. "Não se preocupe, eu não acredito em fantasmas." Respondeu, adiantando-se ao que ele talvez estivesse pensando. Pelo contrário, ela só queria ter certeza de que ele também não estava pensando assim. "Só estava curiosa sobre o que você viu naquele dia do jogo que te assustou tanto. Escutei algumas pessoas falando sobre e fiquei muito confusa. Não estava por perto na hora para saber..." Finalmente falou, tentando soar casual, enquanto desviava os olhos para os outros sobreviventes dançando em frente a cabana. Pelo menos alguns pareciam estar se divertindo. "Mas está tudo bem, você não precisa me falar. Sei que hoje é dia de festa."
A reação de Eliza fez a loira rir do fundo, porque soube que a pergunta foi totalmente inesperada. Quando foi arrastada para um canto mais reservado sorriu. ❝ Ah, então a gente vai falar sobre. ❞ Riu sem qualquer deboche, mas porque foi realmente engraçado ver a reação da amiga. Segurou suas amoras e foi comendo aos poucos, um pouco sem graça de ter interpretado errado sobre a historia da fruta porque por um momento ela pensou mesmo que a brasileira ia querer falar sobre frutas e não sobre luto ou problemas pessoais. ❝ E como você poderia saber que eu estava sem comer? ❞ Perguntou apenas como provocação porque agora via uma colega completamente nervosa com o que Pandy tinha visto, mesmo que não tivesse porque se envergonhar sobre aquilo. ❝ Ué, pombinhos! Tipo romance e essas coisas. ❞ Não teve vergonha de dizer uma segunda vez ainda com um sorriso de canto meio provocador, isso até ela citar Finn. Ficou surpresa de se sentir observada, mas o sorriso não diminuiu, ela só deu de ombros. ❝ Só um amigo. Mas não me importaria de beijar ele. Se eu for morrer nesse inferno, que pelo menos, eu tenha beijado na boca de um cara gato e gostoso porque o último não foi tão bonito. ❞ Disse divertida jogando mais algumas amoras na boca. ❝ Ou até mais coisas. ❞ Comentou sem filtro, enquanto esperava a outra lhe chamar de maluca ou algo do tipo. Com o assunto mudando, Pandora apenas a ouviu assentindo silenciosamente. ❝ Pois é. Ela parecia se importar muito mais com a faculdade e seus alunos, ou até minhas irmãs mais velhas, mas elas já estão trabalhando na área. Acho que eu também querer quebrar o padrão de medicina na família não ajudou... Ajudava nesse ciclo também. ❞ Deu uma pausa, percebendo que já estava trocando os tempos verbais, associando que sua mãe não voltaria e talvez nem ela.
"Eu deduzi porque não estava te vendo com nada na mão." Explicou, apesar de saber que isso não poderia provar que Pandora realmente estava com o estômago vazio. "E fique sabendo que considero isso uma traição com todo o meu esforço para conseguir alguma coisa para esse baile!" Virou-se para a amiga, apontando para ela com o dedo indicador e a encarando com os olhos semicerrados, em sua típica atitude dramática. "Não apenas meu... De todo mundo. Foram muitos grupos de caça, mas que bom que deu certo." Ao menos, na medida do possível, parecia que as propostas apresentadas pelos sobreviventes estavam funcionando. Além das carnes, cozinharam folhas e raízes, e as frutas funcionam como algum tipo de sobremesa, apesar de nem todas estarem tão doces quanto Liz gostaria. Quando o assunto se voltou para Eliza e Nicholas novamente, a brasileira sentiu vontade de cavar um buraco naquela terra para se esconder. Não que estivesse envergonhada de estar ali com ele, pelo contrário. O que a deixava envergonhada era o quanto se sentia feliz por isso. "Ah, Pandora! Para com esse sorriso!" Começou a rir, tímida, estendendo a mão para esconder a boca da amiga por um segundo. Será que estava sorrindo tanto assim? Ao afastar a mão, passou-a rapidamente pelo cabelo, para tentar disfarçar a timidez de quem não sabia o que fazer com aquela sensação diferente que sentia. "Você vai me fazer estragar meu cabelo. Foi difícil conseguir colocar essas flores nele para a festa." Reclamou, em um tom leve, mas ainda tão perfeccionista quanto de costume. Mesmo que estivesse de bom humor naquele baile, não mudava sua personalidade. "Duvido que seja o que você está pensando... Mas vou dizer que ele tem sido uma ótima companhia, pode ser?" Sorriu de canto discretamente e depois negou com a cabeça. Agora estava interessada em ouvir o que Pandy diria sobre Finnegan. Deveria imaginar que ela reagiria muito melhor do que Eliza. Era muito mais corajosa e desinibida, características que, secretamente, gostaria de ter também. "Não vamos morrer, mas entendi... Está me dizendo tudo isso para já deixar claro que vai beijá-lo essa noite. Nunca fui em festas da faculdade, mas sei que esse é o momento para isso." Foi a vez de Eliza esticar um sorriso provocador nos lábios que se converteu em uma expressão de surpresa ao ouvir o fim da frase. "Pandy! Você faria isso aqui?! Mas deve ser muito desconfortável." Não conseguia visualizar a floresta como o melhor cenário para o que a amiga estava pensando. Pegou sua última fruta e levou a boca enquanto ouvia a colega falar sobre a mãe. Com o assunto difícil, imaginava que logo teria que se levantar para pegar mais alguma coisa para comerem. Realmente não gostava de falar de família com o estômago vazio. "Bom... Eu acho que você é muito corajosa de ter feito essa escolha. Não é todo mundo que consegue." Comentou, com muita sinceridade. Eliza não tinha conseguido e nem imaginava poder. Então pensava que Pandora não deveria se sentir mal pela escolha feita. "É uma pena que sua mãe não tenha percebido antes... Sinto muito por isso."