j’adore ton sourire
Passei dias pensando: quando foi que te vi pela primeira vez?
Lembrei: foi num show, na nossa cidade.
Ali, eu já sabia que tinha sido fisgado — acho que por causa do seu sorriso.
Engraçado como, ao longo do tempo, você aparecia em alguns momentos. Trocamos conversas e segui tudo meio normal.
Você morou fora por tanto tempo que, quando voltou, pensei: “agora finalmente eu saio com essa mulher.”
Pode parecer estranho, mas só de combinar algo e saber que ia te ver pessoalmente, minha semana já ficou diferente.
Ao chegar no Rosso, te vi de longe.
Você apoiou o celular na mureta e se arrumou.
Eu estava a uns três passos.
Desculpa por ter te assustado; só queria te observar de perto — da forma que queria há tanto tempo.
Ao som de uma música americana, num canto próximo à parede, velas foram acesas e eu te observava.
Você me contou sobre a sua vida, suas viagens, como é New Jersey, e eu gostava de tudo em você — ao ponto de esquecer de respirar.
Pode parecer bobo, eu sei, mas estava tão nervoso que só queria te ouvir mais e tocar sua mão.
Vinte e quatro meses se passaram. Agora viriam mais doze, como você disse.
Pode não parecer, mas fiquei muito feliz.
Até o momento em que você se aproxima… e me beija.
A roda-gigante de emoções gira diferente.
Ali, do seu lado, penso no quanto as coisas boas ainda vão acontecer pra você, no quanto o mundo parece caber em você — e em tudo que ainda queria te mostrar antes de você cruzar oceanos.
Enquanto toco sua mão e sinto o cheiro do seu cabelo, só queria parar o tempo ali e te abraçar um pouco mais.
Descendo a rua de mãos dadas, a cidade é a mesma — com tantas mudanças, você me diz sorrindo, e eu sorrio também.
Te faço girar, como num passo leve de forró, na ponta dos dedos, linda e casual como já tinha imaginado tantas vezes te vendo pelas fotos.
Os carros passam, o barulho da cidade continua, e tento entender quanto de você ainda vou poder conhecer.
A roda-gigante tem esse momento em que ela para só pra gente olhar a paisagem — e eu queria mais tempo com você.
Mesmo sem poder te levar naquela noite, te acompanho até o seu destino, que curiosamente também é comum pra mim.
As ruas seguem vivas, sinalizadas, iluminadas.
Dentro do carro, não consigo parar de te olhar; minha mão encosta no seu joelho quase sem pensar.
É bom dividir o seu mundo, mesmo que seja em pequenos pedaços.
Quando chegamos, livros e histórias se cruzam, e me perco pensando no quanto temos em comum.
Menos no xadrez — onde só observo, em silêncio, o quanto você é boa.
Queria te olhar por mais tempo, enquanto você me abraça, enquanto tiro uma foto nossa.
A noite é tão boa, tão leve…
que je veux être avec toi — aqui ou onde você for.
É engraçado pensar nisso.
Mas ainda espero te encontrar de novo.
E dizer tudo outra vez —
em qualquer idioma.
j’adore ton sourire.
E, de algum jeito,
eu ainda estou um pouco ali.








