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Faça-me uma pergunta
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Só aqui essa bosta de facebook não quer abrir?
Sem adoleta, Maria.
“Faça aos outros somente o que desejar que façam com você”.
Devo lembrar-me disso de agora em diante. Minha agenda, Maria, por favor.
Nunca achei que a ironia tão inofensiva pudesse me atacar assim num golpe frontal e violento, e que, tampouco, viria de alguém tão forte. Desta vez não vou agradecer-te, vida.
Culpa dos poetas, detentores de todo o meu respeito e admiração, por gostarem de associar o viver com a mania de sonhar, como se os sonhos fossem a expressão mais bela da existência, o caminho mais simples para momentos de felicidade. Momentos. Tudo absolutamente momentâneo. Não enxergo se a ironia partiu da vida ou dos malditos poetas que me mentiram durante todo o tempo que os acompanho, mas de alguma forma ela chegou.
“Sonhos parecem verdade, quando a gente esquece de acordar.”
Certo, Maria. Certo, você venceu, estou de olhos abertos e convencida de que meu sono foi equivocado e masoquista, preparei-me num choque para deixar-me engolir pela realidade, que te leva de mim. Consegue ver agora o azul dos meus olhos? Estão esbugalhados, como você insistia para que ficassem a fim de, sabe-se Deus, facilitar sua vida. Esbugalhei-os em dor, a dor súbita que queimou meu peito quando me disse para brincar. Tudo bem, vou me recompor.
Espero que a brincadeira passe a ser séria, sabe, por maturidade. Aos sete anos brincava com bonecas, tenho dezessete, já são dez, e não há mais tempo para brincadeiras. Que acabe aqui. Porque de verdade não há sequer paciência pra isso. A dor das brincadeiras já não se encontra mais nos joelhos. Percebe? Tenho cicatrizes. Nos joelhos e um tanto acima, para a esquerda. Isso bem aí! Agora devolva-me, por favor. Você não tem a intenção de ficar com isso.
Vou brincar sozinha.
Ou não vou brincar.
Maria, fique você com a sua brincadeira. Vou viver de verdade. E na minha realidade conviver com disfarces e limitações é impensável. Compreenda.
Tem sido assim...
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