I don't wanna stay alone in the dark. || Charlie & Peter. {FB}
“Você acha que eu teria medo de ficar sozinha em uma floresta, Stoll?” Cruzou os braços enquanto evidenciava o ponto em que ambos eram parecidos. E, de fato, Charlotte poderia ser descrita como alguém que possuía medo da solidão, apesar de não demonstrar isso para os outros quando estes tentavam conhecê-la de fato. O que viam era sempre alguém que preferia a solidão diante da presença de pessoas desconhecidas, todavia, estar sozinha em determinado momento fazia com que ela se sentisse só e o sentimento de solidão não era apreciado por alguém que havia crescido cercada de pessoas que faziam com que se sentisse dentro de uma grande família. Assim, o fato de ter uma companhia que de certo a agradava, fazia com que Charlotte se sentia agradecida por ter sido tirada da solidão a qual havia imposto a si mesma quando entrou dentro daquela floresta. Contraditório? Sim, contudo, Charlotte Stoll era formada pela contrariedade, tanto em sua personalidade quanto em sua vida. Sempre fazia aquilo que não estava planejando fazer, o que a frustrava boa parte do tempo. Talvez, e apenas considerava aquilo para se torturar ainda mais, se ela seguisse seus planos da mesma forma que havia planejado talvez tudo desse certo para ela. Mas Charlotte não sabia seguir planejamentos.
Esperou pela resposta do outro, utilizando a árvore para que esta suportasse o peso que caía sobre seus ombros quando alguém falava aquela palavra. Pensar. Era o que ela fazia, todavia, ouvir em voz alta fazia com que ela sentisse tal peso e também fizesse suas preocupações ainda mais reais. Todavia, o peso se suavizou diante da fala do outro, fazendo com que ela sorrisse. Não gargalhou como ele, porém, sorriu. Um sorriso que era uma garantia do que a outra estava fazendo ali. Melancólico, porém, desejando que aquele sentimento que fazia com que a infelicidade em seu cerne fosse demonstrada, fosse destruído ao tocá-lo. Mas ela sabia que não seria, afinal. Havia algum problema com Charlotte que a impedia de fazer como muitas pessoas e passar por sobre os problemas em sua vida, fazendo com que fosse impossível para ela esquecer e seguir em frente. “Ah, mas você pode pensar aqui. Eu consigo ficar quieta enquanto você se questiona a respeito…” Deixou a fala ser levada pelo vento até o outro, sorrindo enquanto esperava sua réplica. Porém, ouvir a pergunta acabou fazendo com que ela entrasse no modo de defesa. Charlie demonstrava sua tristeza em seu olhar que era incapaz de se iluminar como ela desejava, todavia, não era capaz de tocar no assunto que lhe arrancava os sonhos e implantava pesadelos em seu lugar. “Eu digo se você me dizer o que está pensando.” Ofereceu um acordo ao dar um passo para frente, erguendo a face para que ficasse visível a meia luz da tarde. “E se concordar, deve dizer a verdade, nada além da verdade.”
Peter remexeu os substrato localizado em volta da árvore, seus dedos envolveram um pedaço cilíndrico frágil que em algum momento fora parte do vegetal localizado em toda a extensão dorsal do seu corpo. “Porque não é seguro, para ninguém. Você não deveria está aqui, porque…” Não poderia usar as palavras que apareciam imediatamente em sua mente, poderiam causar um desconforto e um estresse desnecessários. Usando o graveto fino remexeu no solo que apresentava uma pequena camada composta por folhas, flores e alguns frutos para poder deixar a última frase como esquecida, porém, algo dito sem um complemento poderia causar dúvidas no ouvinte. “Porque você pode morrer ou ser sequestrada. E ninguém saberia disso, somente no dia seguinte que será tarde demais para poder fazer algo por sua saúde.” E aquela resposta com pouco desenvolvimento parecesse soar como se escondesse algo mais cruel por detrás, mas para a surpresa de Peter não havia posto uma mentira naquilo, era apenas a verdade que o fez repensar por um tempo se aquilo poderia ser algo passageiro -- a preocupação que lhe tomou conta no momento que permitiu que seu cérebro mostrasse passagens de filmes de terror em uma mata em que a personagem seria Charlotte.
Sentira uma pressão na parte interna da sua cavidade bucal com a resposta da garota, para que pudesse evitar que involuntariamente soltasse uma risada, porém acabou balançando a cabeça em negação. “Creio que não seria agradável para nenhum de nós estar em companhia, certo?” Suas sobrancelhas ergueram se em forma de questionamento silencioso do que poderia ter trazido aquela garota em um local tão perigoso quanto aquele. Sua mente dizia para inventar uma desculpa qualquer que pudesse levar a garota a sua origem e tentar voltar novamente pro local tomado por sombras e pesadelos, mas lá estava ele querendo escutar mais daquela voz melodiosa provinda das cordas vocais da morena. “Eu estava pensando em…” O que poderia dizer quando mal conseguia contá-la para a sua melhor amiga? A verdade era cruel demais para qualquer um sustentar sem causar um estresse, a imagem em sua mente mostrava um cara com uma pequena poça de um líquido vermelho que poderia haver alguma parte da cavidade craniana do homem. “Minha vida amorosa.” Era algo de pensar, mas não que necessitasse de privacidade, entretanto, Peter Stoll poderia ser tímido quando queria e por que não usar isso para mascarar suas verdadeiras intenções? “Que por sinal é inexistente e desastrosa.” Com um suspiro deixou que aquilo tivesse soado verdadeiro, virou-se para poder encarar o rosto da garota. “Agora é a sua vez. Antes de tudo, eu não menti, é só difícil um cara como eu admitir que não tem uma vida amorosa boa e tem que se esconder de todos para chorar por falta dela.”










