A loira não gostava de pensar que cedia a todos os desejos do outro, ainda mais por não querer deixar a impressão de que ela sentia pena dele. Sentia-se, sim, mal pela condição atual de saúde do amigo, de precisar ter se afastado da escola e estar mentindo sobre o paradeiro para não causar muito atenção para si, pelo menos era o que ela achava, mas não sentia pena. Sabia, no fundo, com muito otimismo e torcida, que Peter sairia daquela. “Ta, tudo bem. Mas um passo de cada vez é melhor do que tentar dar um passo largo demais e acabar caindo. Primeiro, a gente estuda e você se cuida com o tratamento, depois que você curar nós podemos pensar em inúmeras formas de fazer com que tenha boas histórias.” Afinal, não queria arriscar a saúde frágil do outro fazendo alguma loucura e ser a culpada pela piora do quadro dele. Se manteria em ceder a pausa nos estudos e ficarem fofocando pelo momento. Na segurança da casa. “É, você é mesmo um bom aluno e aprende rápido. Semana que vem vou aumentar a dificuldade dos exercícios por conta própria só para não me enrolar mais.” Claro que tinham os conteúdos e atividades passadas pela escola para o cronograma semanal do outro, mas Anne não queria amolecer só porque ele estava doente. Além disso, ela adorava fazer isso, ajudar os amigos, então adorava planejar algumas atividades para eles, além de montar uma grade de estudos, mesmo que nem sempre tudo saísse só das suas pasta de planejamento. Ela gostava mesmo daquilo de ensinar os outros. “Isso é verdade. Inclusive muitos amigos dele. Todo mundo acha a Sophie linda e ela é super simpática. E não poderia acertar mais no nome. A Brianna ta espalhando por ai que foi a Sophie que roubou o Justin dela, que eles sempre conversaram. Porém acho que não é muito verdade. Soph não tem cara de talarica.” Deu de ombros, não conhecia muito a outra então aquilo era só um pré julgamento. Mordeu o lábio inferior com a questão seguinte dele. “Tem mesmo certeza que quer falar disso? Bem, ela não ta com ninguém, pelo menos não aparentemente.”
Assim que ela concordou, Peter pareceu uma criança animada. “Yeah, yeah, you’re right...” ele concordou só para evitar discussão naquilo, e no fundo, porque também concordava com ela, mas o que parecia ser um relógio em contagem regressiva ecoava em sua cabeça, afastando cada vez mais sua racionalidade. Justamente por isso, revirou os olhos divertidamente para Anne. Não era como se ele tivesse a mesma perspectiva, nem o mesmo otimismo que ela, então achava até fofa a forma com que ela falava sobre seu futuro. Esperava que o tivesse de fato. ”Qual é, Anne! Não é justo!” ele reclamou como uma criança “Aí eu não vou mais ser um bom aluno! E muito menos aprender rápido!” fez birra, cruzando os braços. Era um bom estudante, de fato, mas ultimamente suas forças estavam direcionadas para outra coisa. E, quando restava-lhe alguma energia, ele tendia a direcioná-la para algo que lhe rendesse lazer, como agora fazia com as fofocas. Os olhos de Peter chegavam a brilhar ao que ele recebia as novidades, e podia debatê-las com Anne como se resolvessem um mistério. “A Soph é mesmo, só não fiquei com ela até hoje porque, você sabe, temos o código de ‘bros before hoes’.” ele falou, piscando para Anne, até que percebeu o que poderia ser interpretado errado, e corrigiu-se “Não que a Soph seja uma hoe... Ou que qualquer garota seja... You know, é só o nome bobo do código, não fui eu quem criou!” ele ergueu as mãos em rendição ao que embolou-se com as palavras, não sabendo mais como redimir-se. Sabia, afinal, que era errado de qualquer maneira chamar garotas daquela forma. “Mas, enfim...” negou com a cabeça, em um riso fraco “A Brianna só pode ser louca de achar que alguém vai cair nesse papinho dela... É óbvio que ela sempre tentou copiar a Soph, agora até no namorado.” soltou um riso nasal por estar impressionado. “Soph jamais faria isso. E, além do mais, eu estava lá quando ela e o Justin começaram a conversar... Ele só foi conhecer a Brianna bem depois, quando a Soph e o Justin começaram a namorar.” comentou, porém sua abundância de palavras era reflexo de seu misto de ansiedade e medo de tocar naquele assunto. Ao mesmo tempo que queria saber, não tinha certeza se conseguiria ouvir o que não queria. Entretanto, para que Anne não o poupasse e para que ele não tivesse que fazer suas próprias descobertas a partir de muito stalking agoniante, tentou parecer descontraído. “Claro, não tem problema algum. Nós estamos terminados, não estamos? Só queria saber se ela está bem... Sozinha, ou com alguém.” deu de ombros, mexendo no próprio lápis como se esse tivesse se tornado a coisa mais interessante do mundo. Apesar de aliviado com a resposta de que não tinha sido tão rapidamente superado, temeu que Anne estivesse dizendo aquilo só para poupá-lo, e resolveu tentar jogar um verde. “Sozinha? Sério? Eu jurava que um cara ia tentar ficar com ela logo que nós terminamos... Tipo, só faltou o cara vir pedir a minha bênção pra fazer isso...” até mesmo soltou uma risada com um sorrisinho, negando com a cabeça, para parecer mais natural e descontraído.