Anthony suspirou fundo ao começar a ouvir a menina falar daquele jeito, era impressionante como ela conseguia estragar sempre alguma coisa, nem ao menos tendo o bom senso de apenas ouvir de uma afirmar que não se importasse, mas essa era a questão: Esse na verdade era o jeito da menina, ela não tinha culpa, essa era ela,um jeito que ele nunca entenderia, um jeito que só quer pensar em si mesmo e nos benefícios. Aquilo enfureceu o garoto de raiva, Alaska jamais entenderia o que era ser uma pessoa que vive pelo bem, ela estava cega. Ele começou a pensar muito bem no que dizer a menina, mas sabia que tentar gastar as engrenagens da sua cabeça com ela seria inútil — Eu não vou pensar muito no que te responder, dessa vez, Alaska. — falou um pouco mais baixo cruzando os braços — Eu sei que qualquer coisa que você diga eu vá responder, depois você vai ter outro argumento pra rebater o meu contra, e que ficaremos assim para o resto de nossas vidas — falou as ultimas partes dando continuidade nas sílabas, aprofundando a palavra e dando um tom cansativo na fala, porque era o que aquela discussão infinita com Alaska significava para ele, mesmo que o menino não ajudasse muito — Mas escuta bem o que eu tô te falando, não, não estou pedindo para você gostar do ar puro, eu sei que isso é difícil para muitas pessoas, depende do gosto, do ambiente que convive, coisas assim. Mas não estamos no acampamento, a questão não é nem estarmos perdidos ou não, porque eu creio que com o nascer do sol fique bem mais fácil de voltar, aliás, mais fácil de voltar do que de ter chegado aqui, já que temos um caminho só de descidas. Mas Alaska, você não está em um lugar cheio de pessoas felizes buscando um sonho, isso aqui nao é o acampamento, isso é um outro lugar. Tá legal? — falou baixinho, da forma mais calma que pôde — Não estou pedindo para você largar o dinheiro, largar o cigarro, bebida, drogas, seja lá o que for. Não tô pedindo pra gostar de mim, aliás, esse é o menos importante agora, é problema seu e talvez nós todos damos o melhor de nossos corações sem questionar para aqueles que mal pensam em nós, eu já capitei essa mensagem, mas.. Esquece, só segue a minha linha. Só estou pedindo para você olhar para um lugar natural, diferente e tentar senti-lo da forma certa, só um pequeno momento, sabe? Como todos os momentos, aqueles que te deixam levar por uma questão de segundos ou minutos, daqueles contínuos, que parecem vir até como o vento, mas que passam sem deixar nada além da boa lembrança de que aquilo acabou. Você já se perguntou se somos nós que fazemos os momentos em nossas vidas ou se são os momentos da nossa vida nos fazem? Você nunca pensou que poderia voltar para alguma coisa? Apagar ou escolher um caminho totalmente diferente? Partindo de você e não de outro, tudo a sua escolha. — passou a língua pelos lábios e voltou a olhar a vista passando a mão pelos seus cabelos — Um momento, é só isso que estou te propondo. Um momento.
A menina continuou olhando fixamente naquela direção na qual olhava antes, admirando o belíssimo nascer do Sol na qual ela raramente tinha tempo de ver. Ou até mesmo, disposição. A verdade é que a loira - assim como a maioria das pessoas do mundo - não encontrava um valor realmente valioso em coisas naturais e pequenas. Porque de fato era tudo tão comum que já havia perdido o seu valor. Quantas vezes nós vemos um poema romântico que cita um nascer do Sol, ou um céu lotado de estrelas? E beira da praia? Um anel de compromisso feito de puro plástico. Uma corrente simples com a foto de duas pessoas que se amam. Um bilhete com um verso bonito escrito. Tudo coisas pequenas na qual as pessoas insistiam encontrar um valor sentimental, mas que não passavam de coisas totalmente ultrapassadas e sem nem ao menos uma novidade. Era isso o que a loira queria: Novidades. Queria descobrir coisas novas, e tudo o que a rodeava, ela já conhecia. Até as mais belas paisagens do mundo a loira já havia desfrutado. Os prazeres de ter uma praia particular. Andar no seu próprio jatinho. Mas também já tinha tido tais coisas simples, como os bilhetes de amor, as correntes de amizade eterna, até mesmo uma canção. Mas o ponto é que todas aquelas coisas eram antigas. Não era como se a menina se surpreendesse com todas aquelas coisas, pois todo mundo já viu. E a culpa não era exatamente dela que todas as coisas inovadoras e surpreendentes podiam ser compradas por dinheiro. Muito dinheiro. E se esse era o preço para ter coisas novas e intrigantes, era o que ela pagaria, sem se importar com o que todos pensavam sobre os seus valores do que é realmente importante na vida. Riu baixinho com as coisas que o menino estava falando e deu de ombros com relação ao tal momento, como escolher um caminho totalmente diferente ou fazer algo fora do comum. Ironicamente, pelo o que a loira lembrava, a única decisão completamente errada que ela já havia tomado era ter ido para aquele acampamento. Ter conhecido determinadas pessoas. A garota já estava tão acostumada em ultrapassar determinados limites em fazer coisas novas que já havia aprendido demais. Nada mais a impressionava. Tudo aquilo? Era repetido. O nascer do Sol? Era repetido. O tal momento? Inútil. Estar a beira da morte? Bom, diante de tudo o que Alaska tinha e exibia, com certeza não poderia ser mais real. Suspirou pesadamente e colocou as mãos nos bolsos da jaqueta -- Sabe que nunca vai conseguir me fazer aproveitar um momento com você por perto, não sabe?