
oozey mess
YOU ARE THE REASON
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@petitlunatique
http://petitlunatique.blogspot.com.br/ Mudando de endereço. Quero ver se não desapareço daqui, mas devo estar por lá. ;*
Saída estratégica pela esquerda
O ponteirinho vermelho dos segundos cai fazendo barulho de chuva no segundo exato em que ela cai no chão... O relógio de pulso chove mas não canta e não canta também o pulso do meu coração... Quem canta a chuva é o relógio na parede cantando entre quatro paredes que abrigam as entranhas dessa estranha multidão... Senti falta da alegria plena que desejei sobre um dos nózinhos da fita preta e senti falta de uma coisa assim especial que só se encontra na solidão... Então eu pedi licença e saí.
Bliblibli
Acho que esconder o meu ciúme me faz ainda mais submissa e louca do que o fato de simplesmente sentí-lo. Talvez nem mais nem menos, talvez só de um jeito pior. Penso que às vezes é o negócio mais babaca que um ser humano pode ter pelo outro: ninguém é de ninguém mesmo, nunca vai ser, nunca foi. Graças. Coisa mais ilusória. É mais babaca, até, do que o ódio, ódio tem razão em algum ponto, e por mais que possa ser perda de tempo, fortalece o senso crítico. Vai ver raiva até diverte. Ciúme, ciúme de você, repito, coisa mais ilusória, sem razão, sim, ilusória como um biscoito de polvilho, você é um biscoito de polvilho grudado nos meus dentes. Água e sal. E polvilho. Enche barriga, mas em pouco tempo sente-se fome de novo. Tenho fome de você. Descompassada. Devoro seus dedinhos da mão, sujos de iogurte ao sábado de manhã, se lembra? E devoro teus lábios imensos, teu pau pulsando íntegro na minha boca, eu bebo as lágrimas quentes que caem pesadas dos teus olhos especialmente porque você me ama, o amor que você sente por mim te esmaga, tudo. Eu devoro tudo. Te devoro inteirinho. Pronto. Eu gosto de ser livre, essa é a verdade. E quero que você seja livre também. Mas não gosto tanto; outra verdade. Admito, por fim: tenho um ciumezinho de você. Do tamanho do lacre da lata de Coca-cola. Então não fala pra mim da mulher que lavava o seu cabelo ou da estagiária que colou em você, não fala dessas coisas, tá? “Parece até querer me machucar…” Pode me chamar de Psicose. Eu deixo. Só porque eu te amozinho só um pouquinho, meu benzinho; puta eufemismo.
Verde-oliva
Você não seria você Se não fosse o pé quadrado Se usasse tipo um penteado E tem o mau humor pela manhã Você É a coisa mais louca que eu vivi A coisa mais bonita, mais cósmica Cosmococa Eu não quero me entregar Eu preciso resistir
Você é um pedacinho Dessa linha do horizonte que dispersa e se chacoalha Você E o meu medo da partida Esse amor além da vida Não tem pena nem questão
Esse amor Muda o brilho dos meus olhos A forma das pálpebras, o que há por trás E me deixa até com febre Fora todo o “fora o mais”
Duas distantes andarilhas Almas enlaçadas Andando por aí… Esse amor “é manco” mesmo E se existe um certo esmo, Ele é bem maior que o mar…
Queda para cima
De onde vem? Essa vontade que me rasga, essa paixão que me arrasta, esse pulsar que quase mata? De onde vem o passo acelerado que não chega, não recebe, não encontra... De onde... O desejo de abraçar o mundo, e tê-lo, e a falta de calma... De onde vem o impulso que me cega, a angústia que lateja, a raiva sanguinária? Desde quando respirar é tão pesado, enganar é tão fácil, de onde vêm essas palavras? De onde... O desespero de ser amada, a fantasia, o fogo que reveste a cama... De onde? Os pontinhos que se ligam num piscar alucinado. As agulhas perfurando a nuca quando o céu já tá claro? Essa escultura perfeita da esfera marginalizada, de onde... Por que não me existe medo... E nem coragem? De onde vem...
Houve um tempo em que o tempo era como um barco. Sobre o mar navegava, soava atrasado. Foi indo e cantando Todo despreocupado Quando deram por sua falta, Longe longe estava. E com ele foi o frio Lá ficou, o Sol… Onde moram os navios De onde cai o anzol… Hoje o tempo é um peixinho E se capturado, Vai morrer na frigideira Sob testas suadas.
whatevs.
Um cara
Ele era um qualquer cara lendo Drummond na praça. Os óculos os talheres de devorar palavras. Uma camisa velha e suja quase dizendo: "Tá vendo? hoje eu saí de casa.” Ri, por que não ler Drummond em casa? Pensei. Ele ouviu; procurou; me viu; tímpanos espertos - pensei de novo -, pra escutar minha risada… Desviei o olhar. Quando olhei mais uma olhada, ele ainda olhava. Os óculos os talheres de querer me almoçar. Fui andando pela rua e o deixei com as palavras, mas, admito: Pelo meio do caminho, em pensamento eu despi o seu corpinho da camisa engraçada.
Insinuação reversa
"Pisa no freio" alguns dizem naquelas horas lá. "Quer morrer?" insinuam. "Acelera" dizem os outros noutras horas cá. "Você quer ficar pra trás?" insinuam também...
Depois
Cabelos negros descabelados caem sobre ombros suados E a boca seca de cigarro que insiste em dizer: "Neste mundo não temos nada a perder..." Querido cê tá legal? Frasezinha essa pra lá de convencional...
Pequena azul
Sem caule ela flutua em espaços de possibilidades opacas… Uma pequena azul arrancada das raízes Triste e sozinha ela volita aos vendavais até encostar nos pés dos pássaros…
(D. Michals)
Olhar perdido
De todos os olhares (do mundo) eu fui logo me perder no teu olhar perdido... Olhar de precipício de onde eu me atiro e tenho a morte mais deliciosa (do mundo...)
Dor
Não quero discorrer sobre a dor. Não me obriguem a encontrar medidas de desmascará-la, entendê-la, a dor simplesmente existe em silêncio dentro de mim. Ela está no sangue, na garganta, na melodia, no tempo que passa... Tempo que se arrasta... A dor é a causa, e eu, sua tola escrava: afago-a, em meus braços... Embelezo-a, por ser poeticamente descuidada A minha dor não é blasé. É daquelas dores rasgadas... Vou perdendo. Elizabeth Bishop disse que não há mistério na perda. Sempre penso que posso ser maior que a dor Mas a coisa maior do mundo é ela.