Olha só quem os ventos nos trazem… YVES PHILESIUS BAEK, não é? Que curioso, por um instante, eu poderia jurar que você era HUDSON WILLIAMS, mas sejamos honestos: ele jamais sobreviveria ao destino dos heróis. Os deuses me sussurraram que você tem VINTE E SEIS anos, jovem o bastante para enfrentar seu destino, mas velho o suficiente para pagar o preço da herança divina. Sendo filho de DESPINA e criado sob as leis do ACAMPAMENTO MEIO-SANGUE, a mudança para um novo lar deve estar sendo difícil para você. Talvez você precise se acostumar a ouvir seu nome seguido do título TENENTE SUPERIOR e espero que, até lá, tenha encontrado aliados dignos no ESQUADRÃO PRATA, SETOR NATURA. Ouvi dizer que você ocupa seu tempo sendo CUIDADOR DE PÉGASOS e INSTRUTOR DE ESGRIMA, é verdade? Que os deuses lhe observem e que as Parcas, por agora, sejam misericordiosas.
( I. ) BIOGRAFIA.
A história de Yves é um pouco triste, mas o é de uma forma já palatável devido a sua previsibilidade. Sendo abandonado em um orfanato ainda quando bebê, a ausência de suas figuras parentais era um trauma compartilhado por dezenas de jovens. A pobreza, os possíveis adotantes, a rejeição, e até o bullying: tudo era muito comum. Nada sobre si era único… Exceto por seus nervos de aço, talvez. Yves –– nomeado em homenagem ao santo padroeiro das crianças abandonadas, Ivo de Kermartin –– sempre pareceu lidar muito bem com tudo. Pouco parecia lhe abalar, a resiliência sendo uma marca registrada sua desde tenra idade. Era um pouco desconcertante, até. Ao menos, era o que os adultos costumavam lhe dizer, após oferecerem-lhe um sorriso amarelo e algum conselho redundante. Preso em seu próprio mundo, nunca teve facilidade de fazer amigos. Sentia que entendia demais sobre as vivências daqueles ao seu redor e, ao mesmo tempo, sua figura tão ordinária era incapaz de encontrar seu encaixe. A solidão era uma constante, e foi ela que o fez descobrir que era meio-sangue: em alguma de suas fugas, sedento por uma caixa de biscoitos específica e um respiro de ar livre, acabou sendo atacado por uma harpia. Apesar do desespero, sua impassividade lhe ajudou a escapar. No entanto, eventos similares continuaram a ocorrer, ao ponto de Yves questionar sua própria sanidade. Eventualmente, foi escoltado por um sátiro até o acampamento. Tinha quatorze anos à época, e foi provavelmente o semideus menos impressionado por aquele choque de realidade –– Yves sentiu alívio quando confrontado com os fatos, finalmente chegando à conclusão de que estava são. Apesar de seu parente divino ter demorado mais de anos para lhe reclamar, Yves sentia-se muito bem na cabine de Hermes. Não era lá tão diferente de suas vivências no orfanato das freiras, apenas era muito mais divertido. Falando em ser reclamado, o evento apenas ocorreu após sua primeira missão de sucesso. Sua mãe era difícil de impressionar e, Yves eventualmente descobriu, era necessário esforçar-se para conquistar sua atenção –– até mesmo para algo tão banal quanto ser assumido. Embora parecesse não ligar, Yves passou a dedicar-se inteiramente a dar algum orgulho à sua mãe. Afinal, era a única família que tinha. Para isso, treinou arduamente, desenvolveu-se em amplas esferas, e tornou-se um dos semideuses mais dispostos a participar de missões que ninguém mais arriscaria tocar. Por óbvio, isto significa que participou da batalha contra Cronos –– e até mesmo conquistou uma cicatriz para comprovar. Embora já tenha visto muito em seu pouco tempo de vida, aquela batalha ainda lhe persegue, em corpo e mente. Pareado à destruição de seu lar, é fácil dizer que este é o mais abalado que Yves já esteve. Sua personalidade adaptável parece ter se enroscado às ruínas do Acampamento Meio Sangue, e Yves se recolheu cada vez mais à sua concha, silencioso e perturbado. O Acampamento Ouroboros existe, mas não representa sua vida pregressa. Não há qualquer afeto dele para com este lugar, e ele desconfia que talvez nunca consiga apegar-se a esta nova realidade.
( II. ) PERSONALIDADE
Yves sempre teve um temperamento misterioso. Seu rosto costuma ser impassível, as emoções ocultas sob uma camada gélida de desapego. No entanto, é alguém surpreendentemente intenso, apenas com certa dificuldade para se expressar e reagir em tempo adequado. É conhecido por sua seriedade e senso de responsabilidade, o que o torna um bom líder, ainda que hesite em assumir o título –– não é alguém que gosta de ser percebido, mas se coloca nestas situações quando percebe ser a melhor decisão para o coletivo.
( III. ) TRAÇOS FÍSICOS NOTÁVEIS
Durante a batalha com Cronos, conquistou uma cicatriz que cobre seu olho esquerdo –– sua visão acabou impactada, embora não tenha a perdido por completo. Seu corpo possui outras marcas de batalha, principalmente na região do abdômen. Ademais, os símbolos cravados para que consiga usufruir de seus poderes já se encontram escarificados, tomando áreas de fácil acesso, em caso precise usar seus poderes: seus braços e mãos possuem quatro emblemas já bem delineados.
( IV. ) HABILIDADES E ARMAMENTO
ua arma principal é uma espada longa, hwandudaedo, de bronze celestial. Suas habilidades aprimoradas são a visão aguçada (agora deveras comprometida por seu ferimento adquirido em batalha), e resistência mental. Seu poder divino é magia ritualística elemental. Os poderes de Yves sempre foram difíceis de compreender, e ainda mais complicados de controlar. Inicialmente, sua única habilidade óbvia era a de ocultar suas emissões de calor corporal, auxiliando-o a evadir diversos inimigos. Ademais, possuía resistência considerável ao frio, mesmo que ainda fosse vulnerável a ataques de gelo. Após ser reclamado por Despina, começou a compreender que seu poder era quase que inteiramente dependente de pequenos atos de devoção: rituais, oferendas e, é claro, sacrifícios. A forma mais fácil de invocar qualquer habilidade é gravando símbolos, emblemas e sigilos em seu próprio corpo, em um processo de escarificação deveras dificultoso. Estes atos permitem-lhe acessar determinados encantamentos, mas apenas por pouco tempo –– quanto mais funda a ferida, mais pode aproveitar de seu poder. Os efeitos vão se reduzindo com o passar dos minutos, geralmente desaparecendo após meia hora. Para conseguir acessar suas habilidades novamente, precisa refazer todo o processo, o que causa algumas preocupações, especialmente pela perda de sangue. Ademais, sua magia é inteiramente limitada pelos ensinamentos da própria Despina, e textos remanescentes de seu culto em Arcadia. Após dez anos sob o título de prole de Despina, Yves tem dominância variável de três sigilos: um que lhe permite adaptar-se ao ambiente subaquático, podendo respirar normalmente e suportar alta pressão debaixo d’água; outro que gera uma exoesqueleto de gelo, protegendo seu próprio corpo; e, por fim, o emblema mais recente e, também, o mais complexo de se controlar: o da hidrocinese. Sua hidrocinese é deveras limitada, resumindo-se à utilização da água em seus estados líquido e sólido. Ademais, não consegue gerar água espontaneamente, sendo necessário que utilize o elemento já disponível no ambiente. Yves não é muito bom em controlar um grande volume do elemento, suas tentativas de ataques diretos não possuindo muita assertividade. Portanto, costuma aproveitar-se desta habilidade para desidratar seus inimigos, para depois vencê-los em combate físico. Para além de suas limitações com as técnicas emblemáticas, os poderes (e o próprio Yves) ficam enfraquecidos em ambientes de baixa umidade, e tornam-se praticamente inutilizáveis em meio a incêndios, por exemplo.









