101 Dalmatians (1961)

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101 Dalmatians (1961)
o que eu escrevo não faz muito sentido. que engraçada essa palavra: sentido. sentido não tem sentido nenhum, é vago, não há sentido por si só? sentido, algo que se sentiu, sentir, intuir. e se eu não sentir? e se eu não sei o que eu tô sentindo? e se eu nunca soube? e se isso tudo não passa de um emaranhado na minha cabeça que logo após eu retirar de mim ele pare de fazer sentido pra mim? sentido. tudo que eu digo no segundo seguinte é mentira pra mim mesmo. é fluido, pra mim, pra quem ouviu, não confie em palavras, ações discretas não sustentam relações de longo prazo. eu odeio palavras. sou poeta. trabalho com que odeio por odiar e querer me amar. minha maior sina, poesia, escrita, palavras, sentimentos, sentido. NADA DO QUE FALEI TEM SENTIDO.
S.M. D'Angelo 9 de janeiro de 2024
Talvez eu só não goste tanto dele assim, talvez eu só não esteja no clima pra ela, talvez eu prefira esperar, talvez seja medo. De homens, mulheres a não binários. Talvez eu estivesse doente. Me encarei no espelho por horas em dias, semanas, meses. Me meti dentro de relacionamentos que eu sei que nunca dariam certo, fui pra festas que eu nunca iria, me relacionei com pessoas que nem achava tão legais assim. Pra falar a verdade eu nem queria, mas era quase como uma necessidade. Eu estava procurando alguma coisa perdida dentro de mim, essa vontade de ser que nem as outras pessoas estava me esmagando. O mito da virgindade estava me esmagando. Todo mundo transa. Todo mundo tem ume namorade, todo mundo faz piadas com sexo, todo mundo fala de sexo. E parece que, novamente, eu sou e garote sem graça no fundo, rindo baixinho sem ter entendido a piada, ou nem ter achado graça. Que enche a cara no meio da festa pra tentar beijar alguém, ficar entediade no meio do beijo pra depois ir pra casa me sentindo culpade porque eu não sentia nada. Por que eu não sentia nada? Nada. Nem só uma faÃsca. Um esquentar no corpo, uma tontura, vertigem, formigar, roncar de estomâgo, vontade de vomitar, sei lá o que era pra sentir. Não sentia nada além de culpa e raiva por não sentir nada. Talvez eu só não curtisse sexo tanto assim.
S.M. D'Angelo 7 de julho de 2023
Há tanta cobrança pra SER ALGUÉM, mas tanta dificuldade em se tornar realmente alguém e a dúvida prevalece: o que é ser alguém? Poucos são aqueles que se arriscam a tentar responder essa principal pergunta, mas todos sabem que ser alguém implica em ser diferente, novo, inesquecÃvel. Extraordinário. Carinhoso mas agressivo, fofo mas sexy, divertido mas sério, masculino mas feminino, cottagecore, dark academia, art hoe, vintage… Feliz mas triste, triste mas feliz, isso mas também aquilo. São tantas coisas pra ser que ser se torna tão complicado. Eu não quero ser alguém, talvez assim eu consiga me tornar eu.
S.M. D'Angelo 10 de junho de 2023
digito e apago pra digitar novamente e desistir de enviar qualquer coisa. embaralhei as letras do meu teclado pensando em você. talvez assim, aos avessos, eu consiga escrever com clareza o sentimento que me ocorre quando você percorre meus pensamentos. talvez aos avessos eu me encontre mais do que me encontrei em toda minha vida escrevendo por palavras certas. talvez eu me encontrei mais depois que te conheci por nao ser a palavra que me fizeram engolir goela a baixo. poesia a baixo. lésbica. sáfica. não-mulher. mas amante. amante da não-mulher que, dona das palavras assim como eu, poetiza assim como eu, trocou minhas letras. e me fez mais eu. lésbica. a poesia que escrevo por palavras erradas em letras pelo avesso talvez nunca chegue a você. talvez nunca chegue ao coração de nenhuma. mas as ofereci do meu coração. para qualquer umA que possa ler, que queira ler. meu peito aberto entregue, ardente, fervecente, apaixonado. não mais com medo, não mais com receio, não mais treinado e fingido. amor de verdade não se treina, se entrega. me entreguei aos lábios dela. aos vários. aos montes. me entreguei. a ela. ela.
S.M. D'Angelo 17 de julho de 2023
letras embralhadas que formas palavras. palavras que formas sentidos que formam interpretações. minhas formas de comunicacao. talve pouco diferentes e muitas vezes vistas como impossiveis. cores e palavras que nem sempre combinam com o contexto falado. analogias sao minha forma primaria de falar o que preciso. poesia sai como desabafo. amor sai como desespero. textos com pitadas de romantismo, talvez precise de mais vida. talvez mais amores.
S.M. D'Angelo 17 de julho de 2023
eu nao escrevo nada de extraordinario porque sou comum, mediocre, sou humano. falo de coisas cotidianas, balbucio sobre coisas pequenas do dia a dia, olho apaixonado pra coisas tao insignificantes que talvez niguem mais ligue: o alaranjado do poste, o jeito como ele brilha forte, mais na escuridao que no claro, nas casas de telha curvada, o balançar das arvores pela brilha sonora, o estalar de suas folhas. a televisao ligada jorrando cores, mudando e mudando, na janela de alguem ali embaixo, alguem que tambem perdeu o sono, perseguindo os pensamentos aleatorios como eu. o busao lotado 7 da manha, rostos de trabalhadores que gritam o quao exaustos estão, a pessoa sem sobrancelha fazendo uma bolsa de crochet na cadeira de prioridade, o cara de cabelo grande que prefere ficar em pé na escada da porta do meio mesmo tendo lugar vago, uma mulher fazendo cruz quando o busão passa na frente de uma igreja. o vazio cotidiano, o cansaço, a rotina que consome, a gente que consome o que consome a gente, sei lá as vezes não tenho assunto pra conversar sabe? só queria falar que ouro vem da explosão de estrelas, que my little poney é um exemplo pra saber o que é amizade pra crianças, pra mim, que as gotas presas na teia de aranha são muito bonitas, que ser estranho é bonito, que se sentir sozinho é um sentimento coletivo. que quando eu tento pensar no que eu to sentindo e no que eu quero fazer a cabeça dá um branco, não me pergunte, na verdade pergunte, espere, me ajuda a pensar vai. queria ser poeta que nem ela, queria conseguir arrepiar alguem como ela me arrepiou, queria que alguem pegasse meu poema e sentisse, queria que alguem olhasse pra mim passando na rua e pensasse caralho que bonite, queria curar as dores de todos que eu amo, queria falar que nem ele, andar que nem aquele la, vestir que nem aquele ali. sabe? queria ser alguma coisa que eu conseguisse tocar e falar olha isso aqui sou eu, mas meio que nao sou, estou, e isso. me. frusta. sera que ela fala de mim assim como fala dos outros pra mim? sera que você le o que eu escrevo?
S.M. D'Angelo 9 de outubro de 2023
Esse final de ano me fez pensar em coisas que eu não pensava antes, de verdade. Acabei me perdendo muito nos meus próprios pensamentos nos últimos dias, em momentos aleatórios da minha vida cotidiana, pegando ônibus, trabalhando, andando na rua, onde eu só parava e pensava tipo "eu nunca me imaginei onde eu tô hoje" e não é que eu esteja no melhor lugar do mundo, mas eu dês de muito novo não via futuro de verdade pra mim. Eu nunca achei que eu fosse passar dos 15, não me via nem entrando no ensino médio. Eu sempre olhava pros lados e via um padrão de pessoas que não pareciam reais, pra mim era todo mundo igual e isso sempre me adoeceu. E por mais que eu nunca tenha fugido muito da curva disso, eu era diferente por não ser igual todo mundo. Quando eu entrei na faculdade, todo mundo era diferente e eu era que tinha me tornado igual. E eu queria me tornar real também no meio disso. Pintei o cabelo, mudei de estilo, coloquei piercing, conheci pessoas novas, me relacionei com pessoas reais, com pensamentos reais que gostavam do eu real, com um corpo real, pensamentos bagunçados e dificuldades reais. Eu não achava que ia passar dos 15, agora tô a porta dos 19, cheio de piercing na cara, cabelo colorido, na faculdade, trabalhando e com uma rede de afetos que se importam comigo verdadeiramente. Esse foi o primeiro ano da minha vida que a minha mãe não insistiu pra mim que eu tinha que fazer uma lista de metas pro ano novo, porque eu fiz sozinho. E por mais que eu esteja feliz não parece real. Eu quero me tornar cada vez melhor, mais complexo, mais real. Mas continuo encontrando os mesmos hábitos. Mas, como tenho pensado muito nos últimos dias. Eu não achei que fosse passar dos 15, tô na porta dos 19 e muita coisa mudou pro bem, ainda tô meio perdido, mas vou me encontrar alguma hora.
S.M. D'Angelo 1 de janeiro de 2024
as vezes eu me sinto maluco como se eu fosse o único nesse mundo nesse balanço que não para de ranger ou nesse quarto colorido
nesse sentimento sem fim sem fim
enfim em casa enfim só pensando quando que enfim algo
completo mesmo que impossÃvel quando que enfim esse sentimento horrÃvel vai sair de mim
quando que vou olhar pra mesma ponte dessa mesma universidade imunda de tão limpa sem pensar em fim
S.M. D'Angelo 26 de dezembro de 2023
não vou mentir tenho vagado por aà já há um tempo, talvez bastante tentando me permitir a seguir em frente mas por mais que eu engatinhe… ande, CORRA! estou pisando nas minhas próprias pegadas ao entorno desse grande escuro e seco tronco as folhas caem sobre minha cabeça uma nova estação vem por aà cores diferentes no pé da mesma árvore aos pés dos mesmos pensamentos um dia eu sequer tentei seguir em frente? ou somente espiral cavando o solo com meus pés nas mesmas pegadas dessa vez não vou mentir faz tempo que a árvore foi plantada faz tempo que não ando para frente faz tempo que as cores diferentes não me surpreendem continuarei como um errante, que erra e que vaga, que escreve poesias medÃocres no pé dessa árvore, aos pés desse pensamento velho que cresce em mim como aspirais a cada nova estação, não importando o quão coloridas sejam as novas folhas, estarei cavando meu túmulo com a sola dos meus próprios pés, em minhas próprias pegadas, engatinhando… andando, CORRENDO.
S.M. D'Angelo 28 de dezembro de 2023
Paixões que não entrem, sou objetivo, objeto. Sem subjetivo, sem existência, sem matéria.
Alguns eventos falam por si.
quer fazer eu me apaixonar? seja poeta, ou seja escritora, ou dançarina, cantora, pintora, atriz, artista, seja arte.
machuque onde tem que doer mas faça amar em cada canto possÃvel e impossÃvel
você é bem vinda des de que diferente des de que sincera
Não procuro as vantagens pra te namorar, mas sinto vontade de te namorar.
A realidade, amor, é que eu sempre me sinto meio deprê depois que o sol se põe. Sempre sinto um vazio a mais quando a cama está vazia, só eu e meus vazios. Sempre sinto uma saudade imensa por um cansaço insuperável. Às vezes minha rotina me consome, as vezes eu consumo aquilo que me consome, as vezes desliza por minha pele, queima entre minhas mãos, desce pela minha garganta, e escorre por entre a pele aberta, vermelho que nem sangue, que nem fogo, que nem raiva, que nem amor(que amor?)
D'ANGELO 9 de Outubro de 2023
Se tudo que se manifesta é arte, então essas lágrimas que se penduram nos olhos são o que? Dor cristalizada: suficiente para movimentar uma caneta, não o suficiente para transbordar. Há algo pra se admirar na dor transformada em arte. As vezes é só dor. Não quero nomear esse sentimento, não quero torná-lo real. Não quero viver isso de novo. Paremos de falar de infelicidades, falemos de coisas boas! Memórias disfarçadas, maquiagens de palhaço, risos em meio a sinfonias fúnebres. Sorrisos são dúvidas eternas. Isso sim é deprimente.
S.M. D'ANGELO 9 de setembro de 2023
O que eu supostamente faria com seu amor? O que supostamente eu sonharia tendo encontros que nunca terei? Quem supostamente eu seria? Eu queria que tudo fosse fácil. Mas não sei o que fácil significa. Nunca será nada. Ou supostamente será.
S.M. D'ANGELO 8 de setembro de 2023
Sentimento que se acumula dentro de mim, mexe com todo meu organismo, desorganiza tudo que eu tentei arrumar(ou esquecer que existe).
Eu sempre escrevi sobre as mesmas coisas, os mesmos sentimentos.
Eles nunca vão realmente embora.
E de novo e novamente revisito tudo que tentei superar, casa vez mais forte, mais difÃcil, mais solitário.
Tô cavando meu próprio poço.
(De novo)
S.M. D'Angelo. 28 de Agosto de 2023.