̶𝓛̶𝓲̶𝓴̶𝓮̶ ̶𝓪̶ ̶𝓼̶𝓴̶𝔂̶𝓼̶𝓬̶𝓻̶𝓪̶𝓹̶𝓮̶𝓻
Nunca me imaginei no chão. Nem mesmo que eu estava próxima. Nem mesmo quando estava estava sem rumo na minha vida. Sem esperanças ou qualquer coisa parecida. Nunca imaginei, por um milésimo de segundo durante todos os meus anos de vida que algum dia, eu me encontraria no chão e sem ninguém ao meu lado. Na verdade, com todos que se diziam ao meu lado me chamando de traidora e virando as costas para mim.
Acreditar que tem uma família e ter uma família são coisas completamente diferentes. Quando entrei para a Warlock, eu fui acolhida e rapidamente subi a um posto de vendedora bastante requisitado. Claro que eu usava tudo que estivera ao meu alcance para conseguir o que queria. Nunca me achei dona da beleza, mas sabia que também não me faltava e juntava com minhas outras habilidades, convencendo os futuros compradores mais poderosos a fecharem negócios. Era um prazer enorme vê-los assinando e recebendo o que me era por direito quando voltava para o local onde a Warlock se encontrava.
Quando o rumor se espalhou e eu não tive a oportunidade de me explicar, fora um baque para mim. Eu fora mesmo expulsa? Me jogaram fora como se eu fosse um lixo qualquer? No início, o sentimento que passou fora de negação, mas como o sentimento de luto, logo depois passou para negação e quando chegou a raiva, lá, simplesmente ficou. Pela primeira vez, eu estava dando graças que o meu consultório psicológico fora todo montado por mim. Não havia um dedo da Warlock e assim, eu poderia continuar me mantendo de alguma maneira. Claro, o dinheiro que entrava não era a mesma quantidade, mas eu tinha os meus guardados e estava conseguindo me manter.
Foi numa noite, em que estava em meu apartamento que descobri que Joon, um dos meus colegas, também havia sido expulso. Parecia que a chuva de expulsões estava começando. No início, eu não queria saber. Resolvi seguir com minha vida e não pensar mais. Os segredos deles estavam guardados comigo, mesmo que não devesse, mas tirando isso, queria distância.
Sendo uma amante da língua, sempre resolvi ler os livros em seu idioma original, mesmo fluente mesmo, apenas no Coreano e no Inglês, mas sempre aprimorando o francês e o espanhol. E foi em uma dessas leituras que abri a mente para a questão que mais me incomodava. Quem eles pensavam que éramos? Nenhum chance de explicação? Somos descartáveis? A raiva me atravessou de uma maneira que não havia atravessado antes. Respirando fundo, peguei meu notebook e comecei a pesquisar alguns livros na internet. Conhecia Joon o suficiente para saber que poderia contar com ele se o chamasse para o plano? Não tinha certeza. Mas tentaria. Todos achavam que eu era apenas um rosto bonito, mas provaria que era muito mais do que isso.
Eu ressurgiria das cinzas, como uma fênix.