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iseul
ᨀ≀⋆ as consequências para quem era herdeiro de um patrimônio cujo dono não era sequer carinhoso com a prole, eram péssimas. principalmente, então, se você tinha sido mimado desde a infância. iseul teve a melhor educação, porém a pressão que antes sofria lhe fez frio; absteve-se de amor fraternal, pois nunca lhe foi conveniente, por isso sua índole era desgastante. sempre que os pais saíam, ele dava conta da casa e das irmãs, sempre com sua grande coragem e responsabilidade, que, todavia, causava desprezo em quem não possuía muita intimidade com ele. sendo assim, tornava-se muito mandão. normalmente, iseul costumava apenas falar o que deveria ser feito e sempre reclamava quando algo ficava fora dos conformes, pois sabia, cem por cento de certeza, que qualquer coisa que acontecesse dentro daquela casa, ele seria o culpado — embora não o fosse e seu pai sabia disso. era algo que o deixava irritado, portanto, quando precisava lidar com tudo, sem mais nem menos. naquele dia, já estava farto de orientar o caminho para os empregados, pois havia se oferecido como o anfitrião para uma festa de aniversário de um amigo, e aquela decisão por si só já foi exaustante. não contasse com isso, ainda existiam pessoas dispostas a lhe tirar do sério, a deixá-lo ainda mais nervoso e ansioso.
ᨀ≀⋆ por isso iseul, com toda sua vontade, não hesitou em se aproximar de @phxgyeongho, em seu ápice, pronto para estourar. “o aniversário é hoje” começou, andando a passos lentos, porém efetivos, na direção do semelhante. sabia quem ele era, pois havia sido o alvo mais fácil de seus desabafos internos, embora fosse uma forma estúpida e infantil de descontar em alguém, ainda mais quando ele estava fazendo seu trabalho. iseul, todavia, não ligava muito para isso. o status do outro e seu próprio status já eram divergentes o suficiente para o herdeiro dos kim saber quem tinha mais condições ali e quem não tinha. além do mais, era o dinheiro da família que estava sendo utilizado para pagar por serviços imorais como aquele — na concepção de iseul, claro. “e você só conseguiu estragar os preparativos, por enquanto. sabe, eu não sei se de onde você vem isso importa, mas estética conta muito, e o que eu vejo aqui… sinceramente…” fez uma careta depravada. estava tão cheio de si que até respirou fundo para aliviar o peito, inflado por egocentrismo.
- ̗̀ ░ ——— O convite direcionado aos empregados internos das mansões locais foram enviados dias atrás e pego a avó de surpresa antes do início do jantar, porém mais surpreendente que isso fora a doença repentina deixando a idosa de cama, obrigando Gyeongho à novamente desempenhar-se numa tarefa que não era sua, mas aceitava de bom grado. Já a considerava frágil demais para passar um dia inteiro de pé se obrigando a sorrir e montar bandejas para desconhecidos que a tratariam com indiferença. Havia somente um problema, o homem era terrível naquele serviço. As mãos pareciam grandes demais para os petiscos e levava o dobro do tempo até repassar o que conseguira com tanta dificuldade, sem contar a roupa sufocante apertando até o menor dos músculos. Parecia provocação.
Consciente do desempenho, os ombros até mesmo pesaram ao ver a distância sendo rompida pelo outro homem, o suspiro subindo a garganta por saber que dali viria bronca, e não o culpava. Foi ensinado desde a infância que em momentos como aquele a única coisa a se fazer seria simplesmente baixar a cabeça, ouvir e aceitar seja lá o que chegasse aos seus ouvidos e como fosse transmitido, assentindo pacientemente apesar de não concordar com a arrogância imposta. Mas o que iria fazer? Acertar a cara de Iseul por se sentir íntimo graças a amizade com Aejung? Não podia ser tão burro. — Sinto muito. — Não valia de merda alguma justificar, então preferia somente evitar contato visual. A falta de atenção alheia não era de grande ajuda, já que no momento onde tentava se provar útil, alguém passou e pareceu fazer questão de derrubar a superfície prateada em mãos. — Merda. — Murmurou irritado, abaixando-se imediatamente a fim de apanhar logo, com certeza o segundo dia mais humilhante em sua vida, o primeiro também tendo como cenário uma daquelas casas miseráveis.
◜❁ ◦ ˙ ˖ aejung não admitiria sob nenhuma circunstância, contudo eram naqueles momentos que ela ponderava e agradecia internamente por não ser a mais velha; de certa forma sentia até pena de iseul, que parecia mais estressado que o usual em preparar os eventos perfeitamente. seus pais eram exigentes, não participavam diretamente do planejamento, apenas estavam ali para julgar e dificultar a tarefa. era estressante, e mesmo que não tivesse aquele fardo nas costas era inevitável não constar, além da correria que ficava os corredores por culpa dos preparativos. por causa disso, era normal ela ficar no quarto, esperando a hora passar para se arrumar, essa era sua única obrigação na noite, só se retirava do seu quarto quando era necessário, como estava fazendo agora.
◦ ˙ ˖ seus passos eram cautelosos, não queria esbarrar em nenhum empregado, que corriam com as mãos cheia de coisas e os atrapalhar no serviço. no entanto, cessou os passos rapidamente ao observar aquela cena incomum, os olhos estreitando conforme esperava o desenvolver, não era burra e já conseguia prever o que aconteceria no final. com passos duros, aproximou-se do irmão e do amigo, apertando os lábios em uma expressão irritada. “iseul.” cumprimentou o mais velho, o tom deixando visível o aviso que continha por trás do proferir. deteve o olhar no irmão antes de desviar para gyeongho, bufando pela situação. não era hipócrita, se fosse outra pessoa em seu lugar ela ignoraria, mas ali era o seu melhor amigo e não conseguiria fechar os olhos. “gyeongho, eu estava procurando por você. uma coisa no meu quarto quebrou e sei que meu irmão, uma pessoa tão boa, não me deixaria nas mãos. certo?”
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Foi inevitável o levantar de uma sobrancelha ao ouvir o comentário da outra. Só não sabia se a reação se devia a descrença da forma como ela estava lidando com a situação, quase agindo como se nada tivesse acontecido – ou melhor, realmente agindo –, ou se esta se devia a estranheza de escutar a voz feminina novamente. Já tinha muito tempo desde que tinham se falado pela última vez. Ou que sequer vira Aejung, que simplesmente desaparecera sem deixar rastros, sem anteriormente avisar seus planos ou oferecer a menor forma de contato. Só deixando o homem de coração partido para trás como se o que haviam tido não significasse nada, embora estivesse claro como a água que ele fora o único entre os dois a realmente ver um significado no que tinha acontecido. A realmente ter visto a relação além de como esta se iniciara, apenas com encontros obrigados pelos pais de ambos. Claramente fora estúpido de se ter permitido sentir daquela forma.
Não evitou um riso irônico ao ser chamado de rude, voltando o olhar para o lado ao que se tornava impossível até mesmo encara-la naquele momento, parecia até que estava de brincadeira com a sua cara. “Uau. É até engraçado você estar aí querendo vir me dar lição sobre educação. Afinal, qual de nós que desapareceu sem menores explicações?” Seonho indagou, direto e ácido como costumava ser quando sentia sua paciência indo pelos ares. “Ah, isso mesmo. Foi você que simplesmente resolveu ir farrear em outro país e achou que seria uma ótima ideia simplesmente não avisar. Então, Aejung, não me venha com lições de moral quando você mesma não segue o que diz.” Deu um passo para a frente, o olhar encontrando o alheio como não fazia desde muito antes. “Eu até pediria desculpas por ter sido rude, mas não acho que seja necessário com você. Supera as coisas tão rápido que nem preciso me dar ao trabalho.” Um sorrisinho carregado de sarcasmo repousava sobre os lábios do Moon, que não pensava duas vezes antes de despejar toda a raiva que tinha acumulado em seu coração desde o ano anterior. “É muito conveniente pra você afirmar que o passado deve ficar no passado e só continuar agindo como se fosse uma santa, e o errado fosse eu. Uma vez na vida você deveria assumir suas responsabilidades, Kim Aejung.”
◜❁ ◦ ˙ ˖ esbarrar com seonho estava fora de cogitação, sabia que estava agindo como uma covarde, mas em seu âmago tinha ciência que não seria fácil falar falar com o mesmo; ela havia ido embora sem falar nada, simplesmente cessou o contato e conhecendo o mais velho ele estaria rancoroso. não precisava ser um gênio para supor isso. mesmo que de fato nunca tivesse viajado, não poderia contar o real motivo de sua partida. não, ela nunca falaria sobre isso, preferia que ele a odiasse. quase riu da ironia do destino em ter encontrado com ele logo ali, maldita hora que decidiu sair do salão. mordeu o lábio inferior, assimilando os dizeres rudes que não era acostumada; não podia fraquejar diante dele, não agora. contudo era difícil, lembranças das saídas deles, dos encontros, das desculpas que usava para ter um motivo e conseguir sair com o moon ainda estava ali, brincando com o seu subconsciente. aquele sentimento que outrora tentava sufocar ainda persistia, se arrependia de muitas coisas e uma delas era não ter sido sincera sobre seus sentimentos, no entanto não poderia voltar atrás, não poderia desfazer o erro que cometeu. ignorou sua restrição e bebeu um pouco do álcool, conforme ponderava se deveria quebrar ou não o silêncio.
◦ ˙ ˖ “meus pais informaram sobre onde eu estive e porquê, então, eu não desapareci sem mais ou menos, precisava de férias e tive.” proferiu por fim, decidindo ir pelo caminho mais difícil. apertou a taça sutilmente, odiava ter que usar aquela desculpa esfarrapada e ter que agir na defensiva. ignorou a acidez alheia, assim como o riso. teria que ignorar, precisava. arqueou suas sobrancelhas, usando o tom arrogante que havia adquirido com o tempo e jamais usaria com o seonho. “você deveria tentar isso de superação. é bom, eu indico. aprende comigo.” trincou os dentes pela aproximação, não desviou o olhar e sequer moveu um músculo, apenas permaneceu parada no mesmo lugar. engoliu em seco em antecipação. “o que você quer de mim, seonho? saímos, foi bom enquanto durou…. segue em frente, assim como eu estou fazendo. vai para os estados unidos farrear.” desviou o olhar, não conseguindo segurar o contato visual, não quando se arrependia de tudo que proferia, já sentia o gosto amargo na boca. balançou a cabeça com a parte de responsabilidade. se ele soubesse... “você quer um pedido de desculpas? então me desculpa se feri teu ego, me desculpa se fui embora porque estava cheia desse lugar, dessas pessoas. pronto, satisfeito?”
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Já devia fazer mais de meia hora que a Kim acordara com os barulhos provenientes da tempestade, sentia tomar conta de si o medo da janela de seu quarto acabar quebrando a qualquer momento pela força do vento e começava a ter cada vez mais certeza de que não dormiria mais naquela noite. Estava completamente apavorada. O aparelho celular desbloqueado indicava que nenhum de seus amigos estava acordado para poderem dar uma ajuda e distraí-la do momento em que se encontrava, mas não os julgava, apenas sentia inveja por estarem conseguindo dormir serenamente em uma noite tempestuosa como aquela. Então uma ideia se formou em sua mente, vinda de uma recordação da infância que surgira repentinamente, dos tempos em que era tão próxima da irmã mais velha que não se desgrudavam, e ela era seu maior porto seguro. Aejung continuava sendo a pessoa mais importante em sua vida, era lógico, porém seria mentira dizer que eram as mesmas de antes, tanto individualmente quanto uma com a outra. Gostaria de resgatar tais momentos tão preciosos que relembrava nos momentos mais diversos, decidindo então por calçar as pantufas azuis que estavam ao lado da cama e iniciar sua jornada até o quarto ao lado do seu onde a irmã dormia, nem pensando muito sobre o assunto ou se estaria incomodando pela hora. Com calma abriu a porta para não acabar a assustando, usando a lanterna do celular para procurar pela cama alheia, um sorriso doce dando as caras nos lábios ao identificar a de cabelos loiros deitada. “Ei, Aejungie.” Chamou a outra após fechar a porta, não queria assusta-la com sua chegada repentina, já bastava ela de apavorada entre as duas. Se sentou ao lado dela na cama e colocou o celular sobre a mesa, desligando a lanterna ao dar um jeito de acender a luminária sobre a cabeceira dela. “Tem problema se eu ficar com você? É que… Você sabe… Tempestades e eu não nos damos muito bem. E estar com você sempre me deixa mais tranquila.”
◜❁ ◦ ˙ ˖ aejung poderia listar diversos fatores que a deixava estressada e com certeza não dormir ocupava o topo da lista, odiava se revirar na cama em busca de uma posição confortável, ou ficar olhando para o teto esperando uma mágica acontecer, como um milagre. apenas odiava não dormir e depender da cafeína no dia seguinte, era horrível. estava tão imersa na sua frustração que sequer se importava com o barulho da tempestade, não que fosse seu usual ficar incomodada; dias chuvosos eram os seus favoritos. no entanto sabia que uma pessoa provavelmente estaria se revirando na cama igual ela, porém por motivos diferentes, conhecia a irmã mais nova o suficiente para saber que o medo dela não havia dissipado completamente, até se levantaria para conferir se não fosse pelo barulho da porta indicando que alguém tinha entrado, não conteve o sutil sorriso ao ouvir os dizeres de eunah, somente murmurando para que ela soubesse que estava acordada. “ei! não conseguiu dormir?” analisou rapidamente a face da caçula, afastando-se um pouco para trás, com a destra bateu suavemente no lugar que outrora ocupava em um convite mudo. “deite aqui, você nunca me incomoda. vou te fazer cafuné, qualquer coisa podemos fazer um chá, isso talvez melhore.” sempre sentia uma pontada de nostalgia ao conversar com eunah, não era segredo para ninguém como era demasiadamente apegada na irmã e de como tinha sentido falta dela. “eu estou aqui com você, eunah. sempre, você sabe disso.”
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Era até mesmo cômico estar naquela surpresa depois de tudo, duvidava que qualquer outra pessoa com bom senso teria se dado o trabalho de ir comemorar o retorno de alguém que nem mesmo queria ver de novo. Alguns até poderiam dizer que estava tomando a decisão mais madura, de não deixar o que sentia interferir de alguma forma em sua vida e que não deveria mesmo guardar rancor, pois estaria sendo o único a se incomodar. Mas não estava lá por nenhum destes motivos, apenas para evitar ter de responder o motivo de não ter a menor vontade de ir. Não estava se sentindo muito criativo em relação as desculpas que poderia dar para evitar mais interrogações e também não estava nada afim de falar o real motivo de não querer ver Aejung nem pintada de ouro.
Mesmo encontrando vários conhecidos e amigos no evento de comemoração ao retorno da Kim, em sua face permanecia uma expressão de desgosto em boa parte do tempo, esta que nem fazia o menor esforço para esconder também – agora teria que ficar fingindo que estava feliz com tudo aquilo? Aí já seria pedir demais. Sentia mágoa da outra, mágoa esta que estava acumulada desde sua partida repentina quando o que outrora havia pensado ser uma relação recíproca estava se construindo. Era uma das piores pessoas quando se tratava de lidar com os próprios sentimentos, claro que não conseguia deixar para trás tudo o que sentira ao perceber que ela simplesmente não se importava com o que aparentemente tinham – com como ele se sentia e, bom, com ele. Tudo o que havia tentado deixar para trás e ignorar enquanto a outra estava viajando e vivendo a sua vida, simplesmente retornara de uma vez só juntamente com ela. Antes não achava que seria possível ficar mais incomodado ainda com a situação, mas estava claramente muito mais do que enganado, pois vê-la andando para lá e para cá no salão como se nada tivesse acontecido até mesmo chegava a ser ridículo.
Estava de saco cheio daquilo e, se não poderia sair da festa tão cedo assim, ao menos poderia sair do local um pouco e tomar o ar necessário para acalmar-se um pouco. Queria ir atrás do primo para saírem juntos, Woojin era sempre um excelente conselheiro e conseguia tranquiliza-lo como ninguém nestas horas, mas não sabia onde ele estava e também não estava com muita vontade de sair procurando para todo lado e acabar esbarrando nela. Andou sozinho até a porta de entrada dali, saindo o mais discretamente possível e respirando fundo. Só não esperava que viria a encontrar a pessoa de quem estava fugindo bem ali, o que tornava tudo ainda pior por saber que ela já deveria ter notado a sua presença e seria patético demais dar meia volta e entrar novamente no salão. Já era o suficiente um deles agindo como criança. “A anfitriã da festa aqui, que surpresa. Achei que deveria estar lá, com todo mundo que veio te ver.” Afundou as mãos nos bolsos da calça, a encarando. “Mas não posso dizer que estou surpreso. Sabe, você nunca foi a melhor mesmo com toda essa história de consideração.”
◜❁ ◦ ˙ ˖ era quase surreal o quanto sua família prezava pela boa aparência, pela primeira vez sentia o gosto do arrependimento em desejar voltar para casa e sair o mais rápido possível daquela clínica, do pesadelo que havia se tornado sua nova rotina e que julgava ser seu inferno pessoal, no entanto seus pais sempre estariam ali para reforçar o quão ingênua ela conseguia ser; sua bolha de ilusões fora quebrada ao escutar a menção sobre a festa “surpresa” que teria, de como deveria se portar, especialmente reforçando a cautela do que poderia ser dito ou não. o pensamento de conseguir matar a saudade dos irmãos e desfazer suas malas sendo dissipado, nunca seria assim, não quando ela pertencia aquele ambiente de falsidade, onde era necessário priorizar a hierarquia antes de si mesma: ela era kim aejung, que tinha aproveitado suas férias no exterior e não voltado de uma clínica de reabilitação.
◦ ˙ ˖ ser o centro das atenções nunca fora um incômodo como estava sendo, porém os anos frequentando eventos fizeram com se tornasse uma boa atriz em conseguir fingir sorrisos e manter conversa sobre sua suposta viagem. sentia a mão do pai em suas costas, assim como o olhar atento de sua mãe em cada ação sua, interrompendo quando achava necessário complementar sua mentira. sua cabeça já estava começando a doer antecipando a provável enxaqueca que teria, seria um longa noite e sequer teve tempo de procurar pelos irmãos ou por algum conhecido. se afastou do casal com o qual conversava com uma rápida reverência, aproveitando que todos estavam distraídos, não pestanejou em sair discretamente pela entrada, uma brecha que estava esperando desde do começo da festa, respirando fundo ao conseguir, aliviada, conforme brincava com o líquido da taça. estava com o objeto meramente como adorno, lembrava das restrições e não queria cair na tentação de beber. desviou sua atenção somente pela aparição de seonho, seus olhos detiveram-se na figura do mais velho, analisando rapidamente suas feições. lindo, como ela lembrava, mesmo que soubesse que ele a odiava, não conseguiu evitar em constar. “acho que ambos sabemos que não estão aqui por minha causa, ninguém recusa a chance de usar suas melhores roupas e fofocar sutilmente sobre alguém, além da bebida de graça.” levantou sua taça para enfatizar os dizeres, quebrando o contato visual, não conseguia segurar o olhar, não quando ele a olhava com tanto rancor. franziu o cenho, deveria estar preparada para aquelas palavras, sabia que deveria, mas não pode evitar de vacilar perante a hostilidade inusual. ser polida com o produtor não daria certo então. “isso foi rude. é assim que se trata uma anfitriã, moon seonho? você costumava ser mais educado.” estava ciente que muitas coisas mudariam com seu retorno, principalmente seus relacionamentos, precisa aceitar. por isso conteve o ímpeto de se aproximar e contar tudo, era uma egoísta, entretanto não aquele ponto, ele não merecia entrar na bagunça que estava sua vida, ninguém merecia. “mas o passado deve ficar no passado, certo?” o implícito na frase sendo usado propositalmente.
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❛ ░ ✰ ˙˖ ❝ ——— “Como você espera que eu esteja feliz? O nome da pessoa mais importante da minha vida estava dentro daquela porcaria de cápsula do tempo. Ugh, esse festival foi uma palhaçada. Não acredito que voltei de viagem só pra essa droga.”
Realmente, esse festival foi uma grande palhaçada. Não sabia que você iria ficar tão afetada por conta de um papel, provavelmente deve ser alguém brincando e se não for... ai vamos ver, só tenta controlar sua frustração.
“Por um lado eu estou aliviada, não acho que Pohang ia gostar da minha carta de amor… seria um pouco constrangedor. Por outro lado estou bem preocupada com os nomes que saíram, algo me diz que serão os próximos alvos”.
alvos? você acha? bom, quem quer que seja a pessoa por trás disso tudo, temos que agradecer por ter sumido com nossas coisas vergonhosas. enfim, talvez nem seja nada demais, pessoas gostam de brincar com a cara uma da outra.
“ ── Sem brincadeira, parece coisa de psicopata. Porra. Se deram o trabalho de cavar só para colocar uma caixa com nomes dentro. Cavar. ”
o mais assustador é que ninguém, absolutamente ninguém, tenha reparado em uma pessoa cavando no meio do condomínio. uma pena. pelo menos não tem meu nome no meio, mas não deixa de ser creepy.
𝕟𝕚𝕘𝕙𝕥 𝕤𝕦𝕡𝕡𝕠𝕤𝕖𝕕𝕝𝕪 𝕢𝕦𝕚𝕖𝕥 - ̗̀ ░ @phxaejung ——— O roupante pinicava a pele alva e o evento de rua não se alistava como uma de suas coisas favoritas no mundo, na verdade, era até mesmo doloroso estar ali. Lembrava-se vividamente dos braços erguidos no ar em busca da mão delicada da mãe e a áspera do operário que gritava cada vez que tinha a atenção tomada por algum cheiro suculento ou o vapor vindo da comida. De início eram somente os dois homens solitários, porém agora Gyeongho perambulava sozinho. As memórias não eram apenas suas quando tinha a amiga ao lado, conhecendo os Jeon já falecidos era fácil não depender da necessidade de pendurar um sorriso e a animação sobre a face, assim como não tornava-se escravo da tristeza, sabendo que era de costume ela distraí-lo e entendê-lo de maneira que pudessem solucionar o problema emocional um do outro. Encontrou-a junto à socos exagerados na massa assassinada pelas mãos femininas, beijando o topo da cabeça alheia antes de roubar o futuro alimento e jogá-lo na mesa com mais habilidade. — Está com raiva de alguém? — As pontas dos dedos reuniram farinha e jogou o pó na direção da face, rindo. — Parecia um massacre, espero que não te deixem chegar perto da cozinha. — Ou morreriam envenenados. Os braços ajudavam a moldar a mistura de ingredientes da mesma forma que a professora guiava, analisando melhor Aejung assim que ganhou um ritmo sem dificuldades. — Está bonita, tem certeza que veio só para me encontrar? Vou pensar que está a fim de mim. — Mostrou os dentes em um sorriso, mas então de repente tornou-se sério. — Não está, né?
◜❁ ◦ ˙ ˖ aejung poderia listar os motivos do porquê odiava com tanta força esses eventos; pessoas arrogantes, pessoas sendo falsas, precisar sorrir como se estivesse persuadindo alguém para comprar um produtor, falar sobre uma viagem que não aconteceu. era uma lista interminável e mesmo sendo introduzida a esse mundo desde nova, não conseguir fingir, nem com a companhia de gyeongho sua frustração dissipava, ainda sentia o olhar dos pais queimando em cada passo que ela dava, era desagradável. balançou sua cabeça, saindo dos devaneios que sua mente criava e sorriu pela demonstração de afeto, sequer se incomodando por ter aquela massa sendo roubada, não estava prestando atenção nas dicas da professora, nem mesmo sabia o que estava fazendo. “você sabe… meus pais.” precisou olhar ao redor para ter certeza que ninguém estava prestando atenção neles, revirando os olhos pela sujeira que o mais velho fazia, discretamente reuniu uma pequena quantidade de farinha e jogou de volta no mais alto, suspirou resignada, conforme limpava a farinha de seu rosto. “não aguento mais eles. ficam repetindo como mantra coisas que eu não posso dizer, não aguento isso. é errado eu sentir saudades de quando a gente estava em busan?” sorriu triste pelas lembranças, os jeon foram sua segunda família e ela seria eternamente grata pelo cuidado que tiveram com ela, assim como eles lhe ajudaram, ela se certificaria de cuidar do melhor amigo, da mesma maneira que ele cuidou dela. “em minha defesa eu nunca cozinhei, minha mãe nunca me deixou chegar perto dessas atividades. então, vai em frente.” deu de ombros, fora difícil conter sua careta pelos próximos dizeres, precisando apertar os lábios para não rir. “eu sou apaixonada por você, é tão difícil perceber isso?” brincou, aproximando-se apenas para pegar mais um pouco de farinha e passar na face masculina. “seja mais atencioso, eu me arrumei tanto para te ver e só recebo bonita como elogio?”
phxeunah!!
“Aejungie, certeza que você nem consegue lembrar quando foi essa de tantas notas altas que teve.” Comentou com um sorriso, se orgulhava muito das consquistas da irmã. “Uma carta boba? Será que era falando com você mesma no futuro? Ou contando sobre você, só pra sua eu futura morrer de vergonha?” Riu só de imaginar, ela morreria de vergonha se achasse uma carta antiga sua para si mesma. “Hmm, eu não tenho certeza. Lembro algo sobre um troféu, só que também tenho lembranças sobre uma foto nossa com o mano. Mas já tô me preparando pra acabar sendo algo tipo um pacote de doces todo grudento e nojento, ou, sei lá, algum dos meus livros de colorir de quando eu jurava que era artista.”
◜❁ ◦ ˙ ˖ um sorriso de canto adornou seus lábios com os dizeres proferidos, era incrível a facilidade que eunah tinha de lhe arrancar reações tão positivas. não era uma pessoa que gostava de demonstrar emoções, longe disso, expressar sentimentos era algo inusual, no entanto, com caçula era tão simples. “você tem razão, mas acho que pode ser quando eu fiquei no topo pela primeira vez? enfim, você se lembra da sua primeira prova que tirou nota máxima? pois eu sim, você chegou correndo toda animada na minha direção.” seu sorriso logo fora desmanchado pela menção da carta, conseguia lembrar de cada coisa estranha que tinha escrito, por isso, uma rápida careta formou-se em seu rosto. “acho que meu eu de doze anos era muito sonhadora, não ficaria feliz com o resultado que alcancei.” sentiu um gosto amargo na boca, mesmo que a mais nova não entendesse o verdadeiro significado das palavras. “ eu ainda não consegui comprar um castelo como ela queria... realmente espero que seja uma lembrança nossa, só que tenho quase certeza que vai ser um desses livros que você vivia grudada.”
Eunah ouvia os comentários acerca da abertura da cápsula do tempo com uma pulga atrás da orelha, não se recordava muito bem o que tinha colocado e apostava que acabaria sendo algo vergonhoso que só uma criança acharia interessante. Até tinha uma leve lembrança do que era, mas sua mente se dividia entre lembrar de um troféu da escola e de um porta retrato com uma foto sua com os irmãos, claramente não podia confiar muito. Então, se virou para a pessoa ao seu lado, curiosa sobre o assunto. “Você lembra o que colocou na cápsula do tempo?”
◜❁ ◦ ˙ ˖ aejung desviou sua atenção da decoração para irmã, o cenho franzindo-se ligeiramente pelo questionamento levantado. quase riu da curiosidade genuína da mais nova, contudo conteve-se. tinha uma memória péssima, e mesmo que tivesse somente doze anos na época não conseguia lembrar-se, por isso deu de ombros. “não lembro, acho que minha primeira prova que eu tirei nota máxima? ou talvez alguma carta boba? deve ter sido algo idiota e você?”
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