𝐰𝐡𝐚𝐭 𝐜𝐨𝐦𝐞𝐬 𝐧𝐞𝐱𝐭?
euijoo:
❪ ˖ ﹡˙ ⊰ ´ ☪·̩͙*˖ ⊱ ━━ corria os olhos pela sala, bastante aérea para compreender o que dizia as bocas que se moviam naquela conversa. os últimos dias estavam sendo assim para baek, que vivia em piloto automático na maior parte do tempo. concordava com tudo, sorria para tudo e evitava entrar em assuntos que não estava pronta para falar no momento. talvez até mesmo, nunca estivesse. agora se odiava por ter topado a insanidade de se casar com seonho. pensando que possivelmente ter fugido das garras de sua família pudesse ter sido menos nocivo para sua estabilidade mental. vivia se esconder dos olhos felinos que a dava a impressão de julgamento. era como se ele soubesse o tempo todo a farsa que era, e a menosprezava por isso. a autoestima cada vez mais baixa e o fragilidade ainda mais palpável, dificultavam seus planos em se manter sóbria. recorrendo a meios que sabia que não deveria para não cair na besteira de ceder aos vícios novamente. esconder aquilo de seonho também para impossível uma vez que dividiam o mesmo teto, ainda que o quarto separado a desse uma fala sensação de segurança. no fim das contas, não estava segura em lugar nenhum e nunca estaria. olhou para o lado ao ter seu nome chamado, arrepiando os pelos da nuca ao olhá-lo pela primeira naquela noite, sendo arrancada de suas ações automáticas. engoliu o nó que se formou no meio da garganta, espalhando o batom pelos lábios quando os crispou sem nem ao menos perceber. ━━ você já quer ir embora? tudo bem. ━ concordou, assentindo antes de se levantar da mesa e deixar o guardanapo no lugar onde ocupava poucos segundos atrás. ━━ papai, ━ chamou a atenção apenas do progenitor como de todos os outros presentes nas cadeiras à freite, sorrindo docemente como se fosse a coisa mais fácil que fizera na vida. ━━ meu adorado sogro, agradecemos muito a noite de hoje, foi realmente incrível passar esse tempo com vocês, mas eu e o seonho precisamos ir embora. ainda temos que ir trabalhar amanhã e já estamos bem cansados, não é yeobo? ━ os olhos se perderam em fendas conforme o sorriso se tornava cada vez mais largo e mais falso. as palmas se fechando em punhos pela simples menção do apelido carinhoso. ━━ prometemos voltar o mais breve possível. e dessa vez, quem sabe, não vai ser com uma ótima notícia, uh? ━ engoliu em seco discretamente só de pensar em entrar no jogo nojento que era o de seu pai e os planos para os possíveis herdeiros dos baek. arrastou a cadeira com delicadeza e com um acenar breve, se despediu dos resto dos convidados, pegando o casaco e a bolsa e saindo pela mesma porta que havia entrado enquanto aguardava seonho logo atrás de si. ━━ pronto. e nem precisa me agradecer.
Educadamente seguiu a onda da esposa para se despedir das famílias, concordando com tudo o que esta dizia, apesar de sentir até um certo enjoo crescer dentro de si após a menção da conversa sobre filhos que viera para a mesa mais de uma vez nos últimos encontros entre eles. Se não fosse tão trágico, seria até cômico. Como eles conseguiam falar tudo aquilo sem nem se tocarem do absurdo que era? Achavam mesmo que teriam interesse em criar filhos juntos quando sua relação era fruto de um acordo entre seus pais? Não sabia qual possibilidade era a pior: que fossem cegos a esse ponto ou que enxergassem tudo e só não dessem a mínima. Deveriam ter sido pessoas horríveis para suas famílias em vidas passadas, para agora estarem presos à pessoas daquele tipo. Seonho sabia que também não era nenhum santo, mas nunca faria um filho seu se casar apenas por interesse econômico de sua parte. “Espero que nos encontremos novamente em breve.” Abriu o sorriso mais falso que conseguiu, apesar do estômago embrulhado após toda aquela noite. Poderia ficar meses sem ver aquela gente que não sentiria a menor falta. Logo que saíram da mesa, apoiou uma das mãos nas costas de Euijoo, sabendo que deveriam atuar de alguma forma até estarem realmente sozinhos e se esforçando para ignorar a presença do outro. “É… Eu não estava aguentando mais. Obrigado por nos fazer esse favor.” Agradeceu, mesmo que a outra tivesse dito que não era necessário. Tirou a mão das costas femininas para ajeitar o próprio casaco, o frio aos poucos tomando conta de si enquanto caminhava até o carro previamente estacionado pelo motorista da família que os levara até lá. Preferia ter ido no seu próprio, mas definitivamente não estava com cabeça de ficar batendo boca com o pai por algo tão estúpido. “Nossa, tá muito frio. ‘Tava tão ruim assim quando a gente entrou lá?” Perguntou, tentando puxar algum assunto enquanto iam até o veículo. Era melhor do que ficar pensando no tanto de absurdo que havia sido falado antes e durante o jantar. “Ah… Precisa passar em algum lugar, ou vamos direto para casa? Pra avisar o motorista.”











