Lights, camera, action!
@phxseonho
Para o Ahn, todos os casos, em seu tramitar, eram idênticos. Eles diferiam apenas no tocante ao desfecho. O resultado, por sua vez, dependia da decisão do juiz quando batia o irritante malhete sobre sua bancada, firmando ali, a sentença final; era justamente nesta etapa, que havia diversão. Para que o juiz chegasse ao seu veredito, eram necessárias sucessivas sessões onde cada membro jurídico presente, teria sua chance de argumentar. Modéstia à parte, não existia um caso que não tenha sofrido o desfecho esperado por Sung-Hae. Chegava a ser, inclusive, entediante. Não havia entretanto, muito que pudesse fazer. Afinal, essa rotina de trabalho impecável mediante à justiça era um marco que a família Ahn ostentava com orgulho e prepotência. Era divertido por sua vez, participar de casos como esse, onde ficava claro o poder de persuasão que sua casa poderia ter, quando se tratava de incriminar ou não, alguém. A balança simplesmente pendia ao seu favor: fosse para inocentar o indivíduo, fosse para condená-lo mediante a justiça e ao expurgo e críticas do meio social.
A princípio, o dever de sua família era assegurar que o serial killer do caso - filho de um político muito influente, por sinal- fosse inocentado. Acontece que a figura carismática achou o preço proposto muito alto. Depositou cegamente sua certeza no fato de que não haveria retaliação por meio dos Ahn pela quebra de acordo. Acabou sobrando para Sung-Hae, cuidar para que toda estrutura sustentadora da imagem política do dito cujo, ruísse em desgraça, para que não se erguesse nunca mais. Não foi difícil. Contatos aqui e ali; provas abundantes e mais um pouco de tumulto das massas e pronto: o assassino em série, filho do favorito para as eleições legislativas, estava exposto para qualquer um e escrachado pela mídia. Suspirou parando em frente à cafeteria, despertando de seus pensamentos. Acontece que decidiram documentar todo o caso, o que não deixava de ser parte da vingança infantil de sua família para que aquele escândalo não caísse em esquecimento tão facilmente.
Adentrou o local já procurando pelo profissional que seria o responsável daquela produção cinematográfica. Deu o nome para a recepcionista e ela o guiou até a mesa deste. Sorriu de maneira cortês pedindo licença para sentar-se à mesa. Pediu um café expresso para a atendente que prontamente o serviu. Abriu finalmente os lábios para proferir no habitual tom monótono, uma saudação memorizada. “Boa tarde. Sou Ahn Sung-Hae, advogado responsável pelo caso do escultor de peças humanas. Agradeço em nome da minha família esta chance de poder documentar e esclarecer a atrocidade que foi provocada, para o público; além de honrar a memória das vítimas feitas por ele”.













